6 maneiras rápidas e fáceis de fazer avaliação formativa

Métodos para ajudar você a entender o que seus alunos sabem em cada momento do processo de aprendizagem por meio da avaliação formativa

A avaliação formativa – descobrir o que os alunos sabem enquanto eles ainda estão no processo de aprendizagem – pode ser complicada. Projetar a avaliação certa para descobrir o que propor a seguir pode ser um processo difícil para os educadores. Estamos prontos para seguir em frente? Nossos alunos precisam de um caminho diferente para entender melhor os conceitos? Ou, mais provavelmente, quais alunos estão prontos para seguir em frente e quais precisam de um caminho diferente?

Quando se trata de descobrir o que nossos alunos realmente sabem, temos que examinar mais de um tipo de informação. Um único ponto de dados – não importa o quão bem elaborado o questionário, apresentação ou problema por trás dele – não é informação suficiente para nos ajudar a planejar a próxima etapa em nosso processo de ensino.

Acrescente a isso o fato de que diferentes tarefas de aprendizagem são melhores se medidas de maneiras diferentes. Com isso, podemos ver por que precisamos de uma variedade de formas de avaliação formativa que sejam rápidas, integradas e de baixo risco, sem que se crie uma carga demasiada de trabalho. É por isso que é importante mantê-las simples: avaliações formativas geralmente só precisam ser verificadas, não avaliadas, pois o objetivo é obter uma leitura básica sobre o progresso dos indivíduos ou da classe como um todo.

Aqui vão 6 dicas de como realizar avaliações formativas para cumprir esse propósito!

1. Verificações de entrada e saída: aqueles minutos no início e no final da aula podem fornecer algumas ótimas oportunidades para descobrir do que as crianças se lembram. Comece a aula com uma pergunta rápida sobre o trabalho do dia anterior enquanto os alunos estão se acomodando – você pode fazer perguntas em papel ou escritas no quadro, por exemplo.

As verificações de saída podem assumir muitas formas além do lápis e papel. Você pode usar ferramentas como Padlet ou Trello, ou medir o progresso em direção à obtenção ou retenção de conteúdo ou conceitos importantes com instrumentos como a ferramenta de perguntas do Google Classroom ou Formulários Google ou outros que facilitem a visualização do que os alunos sabem. Isso tudo depende do nível de acesso dos alunos! Caso não tenha como usar tecnologia em sala de aula, você facilmente pode fazer jogos de perguntas e respostas ou mesmo uma roda de conversa para fazer essa verificação.

Uma maneira rápida de ver a situação geral da turma é organizar alguns papéis em três pilhas: entendi, entendi mais ou menos e não entendi. Cada aluno deposita o papel que o representa em alguma das pilhas e, por fim, o tamanho delas é sua pista sobre o que fazer a seguir.

Não importa a ferramenta, a chave para manter os alunos envolvidos no processo de avaliação formativa são as perguntas. Peça aos alunos que escrevam por um minuto sobre a coisa mais significativa que aprenderam. Você pode tentar questões como:

  • Quais são as três coisas que você aprendeu, duas coisas sobre as quais ainda está curioso e uma coisa que você não entende?
  • Como você teria feito as coisas de forma diferente hoje, se pudesse?
  • O que achei interessante neste trabalho foi …
  • Agora estou me sentindo …
  • Hoje foi difícil porque …

Outra alternativa é esquecer as palavras! Por exemplo: peça aos estudantes que desenhem ou circulem o emoji que represente seu nível de compreensão daquela aula.

2. Varetas de medição: as avaliações formativas alternativas devem ser fáceis e rápidas, por isso, às vezes são chamadas de varetas de nível. Podem ser coisas como pedir aos alunos para:

  • Escreva uma carta explicando um conceito importante para um amigo
  • Desenhe um esboço para representar visualmente um novo conhecimento

Suas próprias observações dos alunos no trabalho em sala de aula também podem fornecer dados valiosos, mas podem ser difíceis de controlar. Fazer anotações rápidas no seu celular ou usar um caderno, é uma abordagem. Um formulário de observação focado é mais formal e pode ajudá-lo a restringir o foco das anotações enquanto observa os alunos trabalharem. Para isso, prepare perguntas ou pontos importantes que quer considerar quando tiver momentos de observação como esse, exemplo: qual o comportamento geral da turma? Algum aluno não se engajou com a atividade? O resultado foi o que eu esperava?

3. Entrevista: se você quiser se aprofundar um pouco mais na compreensão dos alunos sobre o conteúdo, experimente métodos de avaliação baseados em discussão. Bate-papos casuais com os alunos na sala de aula podem ajudá-los a se sentirem à vontade, mesmo que você já tenha uma noção do que eles sabem. Cinco minutos de conversa por aluno, por exemplo, levaria um pouco de tempo, mas você não precisa falar com todos os alunos sobre cada projeto ou atividade.

Você também pode transferir parte desse trabalho para os alunos usando um processo de feedback de colegas chamado feedback TAG (diga ao seu colega algo que ele fez bem, faça uma pergunta bem pensada e dê uma sugestão positiva). Quando você faz com que os alunos compartilhem o feedback que têm para um colega, você obtém uma visão sobre o aprendizado de ambos.

4. Métodos que incorporam arte: considere o uso de artes visuais ou fotografia como uma ferramenta de avaliação. Proponha que os alunos desenhem, criem uma colagem ou façam uma escultura, e você poderá descobrir que a avaliação os ajuda a sintetizar seu aprendizado.

Ou melhor, pense além do visual e peça às crianças que expressem sua compreensão do conteúdo! Eles podem criar uma dança para modelar a mitose celular ou representar histórias.

5. Equívocos e erros: às vezes é útil ver se os alunos entendem por que algo está incorreto ou por que um conceito é difícil. Peça aos alunos que expliquem o “ponto mais turvo” da lição – o lugar onde as coisas ficaram confusas ou particularmente difíceis ou onde ainda falta clareza.

Outra opção é fazer uma verificação de equívoco: apresente aos alunos um mal-entendido comum e peça-lhes que apliquem o conhecimento anterior para corrigir o erro ou peça-lhes que decidam se uma afirmação contém algum erro e, em seguida, discuta suas respostas.

6. Autoavaliação: não se esqueça de consultar os especialistas – as crianças. Você pode dar sua avaliação aos alunos e fazer com que eles identifiquem seus pontos fortes e fracos.

Você pode usar notas adesivas para obter uma visão rápida das áreas nas quais os estudantes acham que precisam trabalhar. Peça-lhes que apontem as dificuldades dentre três ou quatro áreas onde você acha que a classe como um todo precisa ser melhorada e escreva essas áreas em colunas separadas em um quadro branco. Peça aos alunos que respondam em um post-it e, em seguida, coloquem o lembrete na coluna correta – você pode ver os resultados rapidamente.

Várias autoavaliações permitem que o professor veja rapidamente o que cada criança pensa. Por exemplo, você pode usar copos empilháveis ​​coloridos que permitem que as crianças sinalizem que estão prontos (copo verde), com alguma dúvida (amarelo) ou realmente confusos e precisando de ajuda (vermelho).

Estratégias semelhantes envolvem o uso de cartões de participação para discussões (cada aluno tem três cartões – “Concordo”, “Discordo” e “Não sei como responder”). Os alunos podem usar gestos com as mãos para sinalizar silenciosamente que concordam, discordam, têm algo a acrescentar dentre outras possibilidades que podem ser estabelecidas , a partir de combinados feitos previamente com o professor. Todas essas estratégias fornecem aos educadores uma maneira discreta de ver o que os alunos estão pensando, evitando algum desconforto que os alunos podem ter de levantar a mão e admitir que tem alguma dificuldade. Para compreender melhor o papel da autoavaliação no processo de ensino-aprendizagem, te convido a dar uma olhada nesse outro post!

Não importa quais ferramentas você selecione, reserve um tempo para fazer sua própria reflexão para garantir que você esteja apenas avaliando o conteúdo e não se perca em outras questões. Se uma técnica for muito complicada, não for confiável ou acessível, ou tomar uma quantidade desproporcional de tempo, não há problema em colocá-la de lado e tentar algo diferente. É sempre tempo de tentar algo novo, e a Curiós pode ajudar. Quer saber como? Entre em contato!

Referências:

THOMAS, Laura. “7 Smart, Fast Ways to Do Formative Assessment”. Edutopia, 2019. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/7-smart-fast-ways-do-formative-assessment

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!