Saúde profissional nas escolas

Cuidados que a gestão escolar pode adotar para evitar o burnout e cuidar da saúde profissional nas escolas

A realidade do Burnout é cada dia mais presente e certa. Ele é caracterizado por um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade, como definido pelo Ministério da Saúde. Quando se fala de saúde profissional nas escolas, esse não é mais um tema desconhecido.

O Burnout, também chamado de Síndrome do Esgotamento Profissional, pode resultar de excesso de trabalho, de condições e ambiente de trabalho pouco saudáveis, de pressão e cobranças muito difíceis, entre outras coisas. O estresse e a ansiedade gerados por essas situações podem inclusive levar a um estado de depressão profunda. E com os professores a história não é diferente.

O reconhecimento pela OMS do Burnout enquanto um fenômeno ocupacional em 2019 lançou a responsabilidade pelo bem-estar físico e mental dos trabalhadores para mais perto da alçada das empresas. As escolas, então, devem estar atentas à saúde de seus profissionais.

Mesmo assim, infelizmente, os níveis de Burnout estão crescendo e dentro das escolas o contexto não é diferente: os professores encaram rotinas extenuantes, cobranças de pais e chefes, turmas indisciplinadas e, muitas vezes, remuneração insuficiente.

A escola, nesse contexto, pode ajudar a prevenir o Burnout de seus professores tomando algumas medidas simples, mas impactantes, que visam a melhoria da autoimagem do professor e sua relação com a escola.

Uma dessas medidas é resguardar a identidade dos educadores através do incentivo à descoberta e desenvolvimento dos seus potenciais e propósitos, o que diz respeito ao que querem fazer e se tornar. A perspectiva de encontrar a realização dos seus objetivos pessoais e profissionais tem efeito direto sobre a satisfação de vida, reduzindo o estresse e o risco do burnout.

A escola também pode dar mais liberdade aos professores e educadores. Sentir-se no controle, poder fazer planos e se esforçar para atingir um objetivo faz com que os profissionais se sintam respeitados e valorizados, partes necessárias para os objetivos da escola.

O reconhecimento da competência dos profissionais também é essencial para a redução dos riscos de Burnout. A valorização da maestria e do domínio e o apoio à busca por melhorias é uma maneira de validação do profissionalismo.

A promoção da autonomia, também faz parte desse pacote. Dar voz e poder de escolha aos educadores, permitindo que eles reflitam sobre pontos que podem ser melhorados no ambiente escolar, é uma maneira de despertar um senso de propriedade voltado à solução de problemas que pode ser muito benéfico à escola.

Por último, a escola também pode incentivar os relacionamentos dentro do ambiente profissional. Os sentimentos de pertencimento e conexão podem ser provocados por momentos de conversa, reflexão e trocas de experiências e vivências entre os educadores. É importante fazer com que os profissionais se sintam apreciados pela comunidade e se reconheçam uns nos outros.

Levando em conta todos esses cuidados, a escola consegue trazer qualidade de vida ao profissional da educação, colaborando para a prevenção do Burnout no ambiente profissional e contribuindo para a continuidade de um educador mais disposto e saudável. O bem-estar desses profissionais terá um impacto direto na qualidade da educação, e falamos mais sobre isso nesse outro post.

A Curiós leva a saúde dos educadores a sério, por isso, desenvolvemos soluções pensadas especificamente para esse público. Quer saber como participar das nossas rodas de conversa e formação em bem-estar? Entre em contato!

Referências:

Edutopia, por Cathleen Beachboard. “How School Leaders Can Build Hope and Prevent Teacher Burnout”. Fevereiro de 2022. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/how-school-leaders-can-build-hope-and-prevent-teacher-burnout

Ministério da Saúde. “Síndrome de Burnout”. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sindrome-de-burnout#:~:text=S%C3%ADndrome%20de%20Burnout%20ou%20S%C3%ADndrome,justamente%20o%20excesso%20de%20trabalho.

Abril. “OMS classifica burnout como problema de saúde ligado ao trabalho”. Fevereiro de 2022. Disponível em: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/oms-classifica-burnout-como-doenca-de-trabalho/

compartilhar

Relacionados

Metodologias ativas e inovadoras: uma ruptura do foco no ensino para o foco na aprendizagem

Como as metodologias ativas podem ser utilizadas para garantir um processo de ensino-aprendizagem mais engajante e significativo? por Joice Andrade       Quadro e giz, (…)

Educação no campo: saberes da terra, vozes do Serrote

Por Lucas Sobreira  No Serrote do Urubu, uma comunidade rural nos arredores de Petrolina, sertão do São Francisco, a educação pulsa entre as pedras, (…)

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS:

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS: O QUE ISSO REVELA SOBRE A REALIDADE BRASILEIRA? por Lucas Kauan N. De Santana No Brasil, a atuação docente (…)

Encontrou o que precisava?

Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!