Evasão escolar e outros desafios para trabalhar com dados escolares
No post anterior começamos a falar sobre os bancos de dados e alguns desafios que as redes enfrentam quanto à sua coleta e estruturação de dados escolares, mas também sobre a importância que assumem na tomada de decisão. Hoje, falamos dos alunos, que na maioria das vezes assumem o centro das decisões e discussões no dia a dia dos gestores municipais a partir dos dados analisados.
Já não bastasse a complexidade natural de lidar com uma série de fatores e particularidades dos grupos de estudantes, a pandemia aprofundou desafios e acentuou a necessidade de diversas adaptações. Um deles diz respeito à evasão escolar, que cresceu consideravelmente nesse período. Mais de 172 mil alunos abandonaram ou deixaram de frequentar a escola. Para minimizar esses índices, as secretarias de educação vêm buscando soluções, traçando estratégias e prospectando parcerias.
A busca ativa dos alunos é o primeiro passo para iniciar as ações voltadas para a recuperação dos que deixaram de frequentar as aulas. Para isso, é necessário um plano de ação conjunto com os gestores de cada escola, para apoiá-los na logística e gerenciamento do processo de alcance desses alunos.
A fim de combater os desafios do contexto, é importante ainda realizar um planejamento à altura do desafio e, para que ele seja robusto e coerente, as secretarias precisam ter clareza sobre o panorama de toda a rede. Desse modo, é fundamental a automatização de dados escolares informativos sobre a situação da comunidade como um todo, mas, principalmente, do corpo discente. Esse processo não precisa ser complexo, afinal, ele precisa ser prático para o dia a dia, pois a manutenção e a constância são pontos principais quando falamos de organização de dados. Falaremos mais sobre isso no próximo texto. Não deixe de ler!
As informações coletadas nesse procedimento abrangem desde a usabilidade e acessibilidade à internet em cada residência, a alimentação, a presença de um responsável para ajudar nas aulas, nos estudos e também a carência de ambiente apropriado para acompanhar remotamente as aulas no período em que as escolas estavam fechadas. Uma maneira rápida de coleta desses dados é por meio da disponibilização de formulários online, como o disponível pela plataforma do Google.
Outro ponto significativo diz respeito às modificações nas interações durante os últimos meses. O diálogo entre escola e comunidade escolar, por exemplo, foi comprometido em muitas redes, o que refletiu diretamente no rendimento e na motivação dos estudantes, mesmo naqueles que possuem todos os requisitos para o acompanhamento do ensino remoto. Por outro lado, em alguns lugares o movimento inverso aconteceu: famílias e escolas viram a necessidade urgente de aproximação para dar continuidade ao processo educacional, gerando, em alguma medida, um impacto positivo, que esperamos que se mantenha com a volta às aulas presenciais.
Apesar disso, uma reflexão importante deve ser feita: antes da pandemia essas relações estavam em seu “ponto ótimo”? A verdade é que falar e pensar sobre educação implica entendê-la como um movimento constante para a “frente”. Hoje vemos que a pandemia trouxe novos desafios, mas também entendemos que alguns deles estavam apenas “adormecidos”, confortáveis no formato e mentalidade que já tínhamos. Longe de romantizar tudo que vivemos nos últimos tempos, o que queremos é encorajar vocês, educadores, a pensarem estratégias que abordem os pontos principais dentro do contexto que vivemos, trabalhando para um desenvolvimento perene das suas práticas.
Infográficos, propagandas na TV e rádio, material impresso com cronogramas e estratégias de como organizar os estudos, evidenciando o papel do aluno como protagonista, são possíveis soluções atenuantes de vários dos impactos observados. É importante, nesse retorno às aulas, a realização de um diagnóstico da aprendizagem, a fim de se certificar de trabalhar os desafios corretos em cada etapa de ensino.
Estratégias como essas mitigam os impactos e a defasagem e devem ser o foco dos esforços das secretarias para enfrentamento dos desafios. Pequenos passos são necessários para que a complexidade do momento que vivemos seja revertida e os alunos caminhem em direção a uma educação de qualidade. Faremos isso juntos! Quer saber como a Curiós pode ajudar? Entre em contato!
Referências:
Educa Mais Brasil. “Iniciativas buscam reduzir abandono e evasão escolar na pandemia”. Agosto de 2021. Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/educalab/iniciativas-buscam-reduzir-abandono-e-evasao-escolar-na-pandemia-1.3129903
Rayanne Rocha na CNN. “Primeiro ano da pandemia levou 172 mil alunos a deixarem a escola no Brasil”. Julho de 2021. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/primeiro-ano-da-pandemia-levou-172-mil-alunos-a-deixarem-a-escola-no-brasil/
Ministério da Educação. Censo Escolar de 2020. Janeiro de 2021. Disponível em: https://download.inep.gov.br/censo_escolar/resultados/2020/apresentacao_coletiva.pdf
