Pela Prof.ª Drª Eliane Maura Littig Milhomem de Freitas
Coordenadora da Formação Continuada da Secretaria Municipal de Educação de Cariacica
Os princípios legais da educação no Brasil apontam para a relevância da formação docente. Isso se dá, principalmente,em dois âmbitos: o da formação inicial, alcançada numa licenciatura, e o da formação continuada, que proporciona novos conhecimentos e dialoga com o status educacional do momento presente, proporcionando mais engajamento docente e melhores resultados no processo ensino-aprendizagem. Sendo assim, podemos entender que a formação docente é algo inacabado, pois sempre estará em construção.
Freire (2002) nos ensina sobre os saberes necessários à prática educativa. O autor estabelece três pilares fundamentais:
- “Não há docência sem discência” – nesse pilar, o trabalho do/a professor/a está pautado numa formação qualificada, mas com referência singular ao estudante;
- “Ensinar não é transferir conhecimento” – por isso cabe ao/a docente uma postura crítica, ética e comprometida;
- E ainda “Ensinar é uma especificidade humana”, que estabelece a presença docente como um marco interventivo, que explora as potencialidades dos/as alunos/as.
Nesse sentido, o(a) professor(a) que desenvolve uma educação libertadora aprimora seu fazer pedagógico por meio da afetividade, da alegria, da capacidade científica e do domínio técnico.
No cenário atual, a pandemia provocada pela Covid-19, trouxe um marco para a educação brasileira, sobretudo para a educação pública. Tal marco proporcionou novos contornos que têm como ênfase o ensino híbrido e as metodologias ativas, por meio do suporte das tecnologias educacionais.
Assim, o processo formativo continuado encontrou um novo jeito de caminhar por meio da formação online, pois o pensamento de Morin (2001) nos alerta sobre o enfrentamento das incertezas ou ao inesperado ou inovador, utilizando estratégias variadas. Mas esse processo não se deu ou tem se dado com dor ou pesar, mas sim como momentos potentes de saber e sabores, parafraseando Rubem Alves (2005).
O que temos para o momento atual ou para um futuro próximo? Ainda não sabemos, mas estamos aprendendo a refazer o caminho, pois conforme Thiago de Mello (1984, SN) tão sabiamente nos ensina, “Não tenho caminho novo, o que tenho de novo é o jeito de caminhar”.
Essa normativa tem nos conduzido de modo assertivo, no sentido de que é importante seguir. Assim, nessa caminhada, mais importante que questionar a complexidade que se apresenta, é buscar novas alternativas, novas possibilidades e novas estratégias, pois a educação e o processo formativo precisam continuar.
Cabe também registrar sobre a saúde docente, mas num sentido alargado da palavra. Precisamos entendê-la não somente como saúde física, mas também emocional e espiritual. Desse modo, permitimos fazer as conexões com o conhecimento dos saberes que envolvem a docência, mas também estabelecer diálogo e uma vivência saudável, de escuta, acolhimento e troca com os/as colegas de profissão, com o alunado e de modo particular, com sua família, amigos e consigo mesmo(a).
Para não concluir, registramos que a função docente se caracteriza como mediadora do processo ensino-aprendizagem e, por isso, precisa ouvir e também ser ouvida, sentir e entender o universo em que atua para fazer a diferença no seu meio escolar.
Há que se considerar que diferentes linguagens formativas devem primar pelos princípios éticos da autonomia, dos direitos e deveres, dos estéticos, da criatividade e ludicidade, da competência técnica e pedagógica que contribuam para que os educadores/as se apropriem e se constituam sempre mais comprometidos com a educação, por meio de uma função interventiva e equiparada, aos bens educacionais.
A formação continuada é pauta central para a Curiós. Falamos um pouco mais sobre a mudança necessária que defendemos nesse outro post. Recomendamos a leitura!
Caso queira compartilhar impressões, experiências ou tirar dúvidas sobre o tema, é só mandar uma mensagem. Estamos à disposição!
Referências:
ALVES, Rubem. Sabor do saber. São Paulo, Folha de São Paulo, 27 set. 2005, p. 22.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2002.
MELLO, Thiago de. A vida verdadeira. Disponível em https://www.portalsaofrancisco.com.br/obras-literarias/a-vida-verdadeira. Acesso em: 21/01/22.
MORIN, Edgar. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. 3ª ed. São Paulo: Cortez, Brasília, 2001.
