Como estudantes podem superar o desconforto para pedir ajuda

Estratégias para ajudá-los a se sentirem confortáveis em sala de aula para pedir ajuda

A tendência dos estudantes de evitarem pedir ajuda é uma área em que Vanessa Bohns, professora de psicologia e comportamento organizacional na Universidade Cornell, concentra sua pesquisa, talvez parcialmente inspirada por sua própria experiência com alunos universitários.

“A parte mais tranquila do meu dia costumava ser o horário de plantão, quando os alunos podiam me encontrar sem hora marcada. Por que? Porque ninguém aparecia”, escreve Vanessa. “Divulguei claramente o tempo que estaria disponível, de porta aberta, pronta para esclarecer qualquer dúvida. Eu elogiei os benefícios de pedir ajuda. Mas eu ainda estava sentada lá, sozinha”. Os estudantes não se sentiam confiantes o suficiente para pedir ajuda!

A experiência de Vanessa no horário de plantão espelha em grande parte o que acontece no ensino fundamental e médio, agravado nos adolescentes por uma potente mistura de pressão dos colegas – a necessidade urgente de parecer capaz na frente dos amigos e colegas de classe é uma força motriz nesta idade -, e uma falta de habilidades que dizem respeito à capacidade de avaliar suas próprias lacunas de aprendizagem e conhecimento. “Os alunos do ensino médio têm mais dificuldade em pedir ajuda porque estão fazendo a transição do pensamento mais simples do ensino fundamental”, escreve a educadora e treinadora acadêmica Penny Kostaras. “Adicione a isso a autoconsciência e a insegurança que a puberdade traz; ninguém ousa pedir ajuda por medo de ser ‘descoberto’ ou ‘exposto’.”

Também tendemos a subestimar o desconforto que as crianças sentem ao pedir ajuda. Isso pode fazer com que os pais ou educadores “fiquem sentados esperando aqueles que precisam pedir ajuda, se envolvam em tentativas equivocadas de encorajar a busca de ajuda sem abordar diretamente o desconforto dos que procuram ajuda, ou atribuam erroneamente a pouca utilização da ajuda disponível à falta de necessidade em vez de falta de confiança”, escrevem Vanessa e Francis J. Flynn em um artigo de pesquisa de 2009.

No entanto, a resposta não é fazer com que os alunos entendam os benefícios de pedir ajuda, convencendo-os, por exemplo, do lado positivo do horário de plantão. Em vez disso, é muito mais produtivo, diz Vanessa, baixar a tensão envolvida na ideia de pedir ajuda, ajudando-os a identificarem onde estão com dificuldade para que, em seguida, sintam-se mais seguros para pedir suporte. Desse modo, o processo de pedir ajuda se torna uma parte normal e tranquila no cotidiano dos alunos, que se sentem mais confortáveis e estimulados a fazerem isso com frequência. “Os alunos precisam sentir que não são os únicos com dificuldades”, escreve Vanessa. “Eles precisam acreditar que não serão julgados negativamente por receberem apoio extra.”

Aqui estão seis estratégias fornecidas por educadores para normalizar a busca de ajuda no ensino fundamental e médio, tornando-a uma escolha fácil e natural para os alunos.

1. Considere programar intencionalmente um tempo semanal em sala de aula

Mantenha o controle para que não sejam apenas as crianças mais à vontade em procurar ajuda que se beneficiam. Os pontos de checagem podem ser breves e programados ao longo de um período de semanas, garantindo que cada aluno tenha um horário e você não se sinta sobrecarregado pela tarefa. Para uma abordagem menos programada, planeje um horário semanal aberto de dez a 15 minutos durante a aula, onde você caminhará pela sala casualmente e permitirá uma rápida verificação dos alunos.

Uma outra ideia é realizar avaliações breves por meio de entrevistas em sala de aula, agendadas no decorrer de um longo período de tempo. Pode ser uma maneira melhor de ter uma ideia de quão bem seus alunos conhecem o material, em comparação com as avaliações tradicionais e de dar mais oportunidades para relembrar informações, e compartilhá-las de uma forma menos engessada.

2. Ensine habilidades metacognitivas

Não é incomum que os alunos “fiquem em silêncio ou confusos”, em vez de levantar a mão para pedir ajuda, escreve a educadora Jennifer Sullivan. “Os alunos devem primeiro reconhecer que estão com dificuldade. Isso requer honestidade e autoconsciência – alguns alunos não acham que precisam de ajuda, mesmo quando avaliações formais ou informais indicam o contrário.”

Portanto, incentive a autorreflexão dos alunos, ajude-os a desenvolver as habilidades metacognitivas para assumir pelo menos parte da responsabilidade de monitorar sua aprendizagem, em vez de manter essa tarefa sob a responsabilidade exclusiva dos professores ou pais. À medida que aprendem, os alunos devem verificar regularmente a si mesmos, perguntando-se questões básicas como: “Preciso pedir ajuda?” e “Existem áreas que não estão claras para mim?”. Ao se preparar para uma prova, eles podem se fazer algumas perguntas, como:

  • Consigo ensinar esse conceito a um amigo ou parente?
  • Consigo identificar uma estratégia que usei durante esta lição que me ajudou a ter sucesso?
  • Consigo identificar uma estratégia que quero tentar usar com mais frequência?
  • Como eu acho que estou indo nesta aula, nesta unidade, neste projeto? Como eu sei disso?

3. Normalize

Parte da redução do estresse nos alunos envolve demonstrar o quão comum pode ser a necessidade e o pedido de ajuda. Portanto, converse sobre isso em classe e forneça exemplos, inclusive compartilhando suas próprias histórias sobre como buscar o apoio ou a ajuda de outras pessoas.

“Compartilhe com seus alunos no que você era bom e com o que tinha dificuldades quando tinha a idade deles”, escreve Penny Kostaras. “É importante lembrar como era ter a idade dos seus alunos. Quais foram seus pontos fortes e fracos no componente que você ensina, ou em outros componentes? Como você superou esses obstáculos? O que te envergonhava?”. Compartilhar suas próprias experiências de aprendizagem com os alunos serve não apenas para ilustrar como você procurou ajuda, mas também pode fornecer um vislumbre valioso do professor não como uma autoridade intocável, mas como um ser humano identificável que cresceu e mudou ao longo dos anos”, diz Penny.

4. Use modelos assertivos

A comunicação assertiva é uma habilidade difícil, mas valiosa para os alunos aprenderem. “Na sala de aula, os alunos que não têm habilidades de assertividade podem hesitar em compartilhar seu pensamento abertamente ou fazer perguntas esclarecedoras quando estão confusos”, escreve a educadora Kristin Stuart Valdes. “Mas quando as pessoas se comportam de forma assertiva, elas se defendem sem diminuir ou prejudicar os outros. Em outras palavras, eles são fortes, não maldosos. ”

Um ponto inicial importante é esclarecer que a comunicação assertiva representa o meio-termo entre a agressão e a passividade. Para garantir que eles compreenderam, você pode organizar simulações de resolução de conflitos.

Experimente um exercício de “Declarando suas necessidades”, em que os alunos praticam responder de forma assertiva a um mal-entendido, como um aluno que não consegue acompanhar suas anotações, pede ao professor para ir mais devagar, mas o professor não a vê levantando a mão e continua. “Às vezes, incorremos em mal-entendidos porque não comunicamos nossas próprias necessidades com clareza”, diz Kristin. “Pode parecer que outras pessoas estão ignorando ou desrespeitando nossas necessidades quando na verdade elas simplesmente não estão cientes delas. Se reconhecermos isso, podemos resolver o problema declarando nossas necessidades com calma.”

Para alunos introvertidos ou tímidos que têm dificuldade para falar em classe ou iniciar uma conversa com um professor, a prática e a dramatização podem ajudar a construir confiança e habilidades.

Peça aos alunos que gerem ideias sobre modos de como iniciar uma conversa pedindo ajuda a um professor, ou colega, e depois peça-lhes que dramatizem em pequenos grupos ou individualmente com um adulto sobre como a conversa pode se desenrolar. Para ajudar a começar, forneça algumas frases iniciais, como:

  • Estou tendo dificuldades com … Podemos falar sobre isso mais tarde?
  • Estou estudando muito, mas ainda não estou entendendo … Pode me ajudar?
  • Não tenho certeza do que preciso. Você pode falar comigo?
  • Você pode me dar conselhos sobre …?

5. Prove que é natural

Considere convidar pessoas que trabalham no prédio da escola ou na comunidade local para a sala de aula para discutir maneiras sobre como pedir ajuda os beneficia em seus empregos e em suas vidas. “Revelar aos alunos mais jovens que obter ajuda é a norma no mundo criativo, científico e profissional os torna conscientes de que receber ajuda é universal e OK”, Penny escreve. “Uma vez informados, os alunos podem baixar a guarda e estar abertos para receber ajuda mais cedo para que possam se desenvolver”.

6. Ofereça opções particulares

É importante que os alunos saibam que também podem entrar em contato em particular para buscar ajuda e suporte – por e-mail ou Whatsapp, por exemplo. Vá um passo além e esclareça aos alunos que essa é outra maneira de entrarem em contato com você.

Considere estabelecer regras básicas sobre seu tempo de resposta e outros detalhes que protegem seu horário fora da escola, então certifique-se de verificar sua caixa de entrada diariamente.

Essas são algumas das formas de estimular a conversa e a participação em sala de aula para esclarecer dúvidas dos alunos, gerando um ambiente confortável para que todos entendam que os erros e dificuldades fazem parte do processo de crescimento e aprendizado. E você, quais estratégias já utiliza? Que tal ler esse outro post sobre Comunicação Positiva e já começar a mudar sua prática? Precisando de alguma ajuda, é só entrar em contato, vamos adorar te ajudar nessa missão!

Referências:

Edutopia, por Sarah Gonser. “How Kids Can Overcome the Awkwardness of Asking for Help”. Novembro de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/how-kids-can-overcome-awkwardness-asking-help

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!