Auxiliando os alunos a fazerem anotações relevantes

Dicas para ajudar seus alunos a focarem no que é mais importante e fazerem anotações relevantes

Fazer anotações relevantes é uma habilidade fundamental para a maioria das aulas. Registros sólidos e completos podem ajudar os alunos e terem uma compreensão mais profunda dos temas trabalhados. O processo de codificação que ocorre durante a tomada de notas forma novos caminhos no cérebro, hospedando as informações de maneira mais duradoura na memória de longo prazo. Boas anotações podem ajudar muito a preparar os alunos para os testes e também a reduzir o estresse.

Porém, fazer anotações relevantes não é uma habilidade natural para muitos alunos. Sem instruções explícitas, eles podem ter dificuldades para definir o que é relevante ou mais importante. Como consequência, muitos acabam tentando escrever tudo ou fazendo anotações que são insuficientes para seu aprendizado.

Aqui vão algumas dicas para auxiliar seus alunos a fazerem anotações relevantes, que de fato os ajudem em seus estudos.

1. Selecione o conteúdo intencionalmente: o desafio é encontrar um equilíbrio entre incluir muitas informações e fornecer de menos. Ao fazer o esboço da aula, faça a si mesmo(a) perguntas para manter o foco no que é mais importante – e evitar anotações excessivamente detalhadas:

  • Como este título atende às expectativas da aula?
  • Quais conceitos são essenciais para discutir as ideias principais?
  • Essa ideia já foi examinada por meio de outra aula?

A partir disso, é possível desenhar um esboço fácil de ser seguido, e oferecê-lo aos alunos. Veja alguns pontos importantes abaixo:

  • Use a mesma terminologia que os alunos veem nos livros para reforçar o vocabulário.
  • Inclua páginas específicas do livro didático com exemplos úteis ou recursos visuais para incentivar os alunos a revisitarem o texto.
  • Use dicas (espaço em branco, listas numeradas e negrito) para que os alunos tenham uma noção de quanto escrever e qual conteúdo priorizar.

2. Seja consistente: use uma estrutura semelhante para cada esboço para que essa se torne familiar para seus alunos. Isso inclui o número de páginas, títulos e quadros para pontos de apoio. Comprometa-se a disponibilizar o esboço em horários determinados (antes da aula, durante a aula ou após a aula) e a comunicar antecipadamente sua disponibilidade aos alunos. Siga um único estilo organizacional, como fornecer um esboço completo ou um esboço parcial que inclua alguns conceitos, mas exija que os alunos insiram as informações que faltam. Use um único estilo de escrita, com frases completas ou fragmentos, por exemplo.

3. Incorpore estratégias de aprendizado ativo: dê aos alunos oportunidades de processar novos conceitos para que possam absorver o conteúdo que estão vendo de maneiras diferentes. Peça aos alunos para reformular o material em suas próprias palavras (por exemplo, “Como você explicaria este conceito a um amigo?”) e criar analogias para explorar as relações entre os conceitos-chave.

4. Incentive os alunos a fazerem conexões entre as aulas e seu cotidiano. Além disso, já que estamos na era digital, caso possível, ofereça exposição adicional ao conteúdo, como links de vídeo, diagramas e organizadores gráficos para que eles possam absorver as informações de diferentes maneiras.

5. Planeje os desafios: se você notar um baixo desempenho nas atividades práticas ou avaliações, incentive o aluno a compartilhar seu esboço concluído para que tenham um momento de troca e devolutivas. Caso outros professores da sua rede estejam usando a mesma técnica, é possível trocar experiências para ver como eles têm usado a metodologia. Assim, é possível apresentar esses outros modelos de anotações aos seus alunos e avaliar a existência de pontos de melhoria na prática.

Se você tiver um aluno que está hesitante ou resistente em usar o esboço, compartilhe com ele como as informações do esboço podem apoiar seus estudos. Considere mostrar a eles como o conteúdo do esboço pode ser convertido em perguntas de avaliação, por exemplo.

6. Avalie: observe os tipos de perguntas que os alunos fazem e quando as fazem. Considere tendências, como se vários alunos deixaram as mesmas áreas do esboço incompletas ou fora do esperado, ou se um determinado aluno não concluiu partes específicas dos esboços de maneira consistente.

Neste link você pode baixar, gratuitamente, um modelo de esboço de anotações. É apenas um exemplo, e você pode fazer as modificações que achar necessárias para sua aula.

No final das contas, você quer ter uma visão geral: o tempo que você gasta para preparar os esboços de leitura tem um resultado claro e positivo? Afinal, esse é o objetivo, ter meios de ajudar seus alunos a conduzirem da melhor forma possível seu processo de aprendizagem. E você, já tentou usar essa técnica? O que achou? Mande uma mensagem contando sobre a sua experiência!

Referências:

Edutopia, por Jennifer Davis Bowman. “Using Outlines to Support Student Note-Taking”. Maio de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/using-outlines-support-student-note-taking?utm_content=linkpos5&utm_source=edu-newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=weekly-2021-05-05-A

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!