Professora, faltei! O que eu perdi?

Método simples para tornar o aluno mais autônomo no seu processo de aprendizagem em dias de falta

Por Danielle Fonseca

Quantas vezes nós, professores, já ouvimos a frase “O que eu perdi?”? Eu já ouvi várias! Todo início de aula, já podia esperar. No início, a minha primeira reação era pedir que pegassem com os colegas a matéria do dia em que faltou, mas acabei percebendo que não era uma medida eficaz. Muitas vezes os colegas não lembravam qual era o conteúdo do dia ou o próprio aluno não lembrava o dia exato em que faltou. E até mesmo eu, como professora, tendo 15 turmas, não conseguia me lembrar exatamente o conteúdo.

Por muitas vezes, eu emprestei meu caderno de planejamento para que os alunos que faltaram tivessem o conteúdo e os exercícios no caderno, mas percebi que isso não dava autonomia ao aluno, porque todas as vezes que ele faltasse, ele dependeria de mim ou dos colegas para ter acesso a esse conteúdo. Além disso, ele só copiaria de maneira mecânica, sem refletir sobre o conteúdo. Comecei a usar uma estratégia que ajudou muito os alunos a se organizarem, e, confesso, que eu também.

No início de cada bimestre, passei a entregar para todos os alunos uma tabelinha com as aulas numeradas (como no modelo abaixo).

Decidi fazer por bimestre, pois muitos alunos trocam de caderno entre os bimestres. No primeiro dia de aula, eu fazia questão de tirar um tempinho da aula para entregar a tabelinha, garantir que eles colassem no caderno e explicar como funcionaria. Em todas as aulas, eu colocaria no cantinho do quadro, ou se estivesse usando apresentação de slides, colocaria na capa dos slides, o número da aula. Logo depois de escrever, já pedia que eles marcassem na tabelinha do caderno.

Depois de um tempinho, eu nem precisava mais pedir, eu entrava na aula, os alunos olhavam a tabela e perguntavam: “Prô, é a aula X, né?”.

Além de usar a tabelinha, informei que também iria enumerar as atividades em sequência durante o bimestre. Com isso, os alunos conseguiam saber exatamente, ao olhar as atividades que eles tinham feito, aquelas que eles perderam. Fiz um combinado que eu iria imprimir as atividades, que fossem possíveis imprimir, e eles poderiam me procurar. Eu entregaria a atividade que eles perderam, e, se eles tivessem dificuldades, eu poderia tirar um tempinho fora do horário da aula, para auxiliá-los na resolução e tirar as dúvidas.

Depois de um tempo usando este método, percebi algumas mudanças. A primeira delas é que os alunos já não me abordavam no início da aula perguntando: “O que eu perdi?”. Além disso, muitos me procuravam antes da próxima aula, na sala dos professores, pedindo as atividades que eles haviam perdido.

Ou seja, ao chegar na próxima aula, eles já sabiam o que haviam perdido e tinham esse material, tanto o conteúdo, quanto as atividades.

Esse método pode ser muito útil em aulas remotas ou híbridas. O professor pode deixar no canto da aula a numeração, um resumo do conteúdo ou materiais adicionais como vídeos, textos, sites, além das atividades. Isso torna o aluno mais autônomo no controle do seu processo de aprendizagem. Além de ter disponíveis todos os materiais que foram utilizados na aula, ele ainda tem um recurso a mais para compreender o que foi abordado, bem como o auxílio do professor e dos colegas.

O que você achou dessa técnica? Você usa alguma técnica parecida para lidar com a pergunta: “o que eu perdi?”? Conta para gente, vamos adorar saber!

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!