A Teoria do Incentivo

O que é e como a Teoria do Incentivo pode melhorar o rendimento dos meus alunos?

Você já ouviu falar na Teoria do Incentivo? O conceito, cunhado por Cass Sustein e Richard Thlaler no livro “Nudge – O empurrão para a escolha certa”, faz parte da economia comportamental e consiste em incentivar, de maneira indireta, pessoas a tomarem escolhas melhores para suas vidas, tornando a opção positiva mais simples do que a negativa. Por mais que pareça distante da educação, técnicas que se relacionam com a teoria podem ser muito positivas para melhorar o desempenho dos alunos. E aí, ficou curioso?

Para começar, vamos entender melhor o que seria a Teoria do Incentivo de maneira prática. Um exemplo simples seria colocar, próximo ao caixa do supermercado e ao alcance dos olhos, frutas ao invés de doces para incentivar as pessoas a terem uma alimentação mais saudável. De acordo com as pesquisas sobre a teoria, nossos cérebros são atraídos por escolhas mais fáceis e/ou atraentes no momento presente, sem pensar a longo prazo. Sendo assim, ao colocar a fruta ao alcance dos olhos e próximo ao caixa, estimula-se que a pessoa pegue-a por ser algo simples e atraente – pois quando estamos na fila sem nada para fazer, sempre nos pegamos divagando sobre o que tem ao redor, ficando mais suscetíveis a colocar algo nas nossas cestas.

Legal! Mas como isso se aplica à educação? Um estudo feito nos Estados Unidos mostrou que o simples fato de enviar à casa de alunos vestibulandos uma listagem de boas universidades próximas de suas casas, com um passo a passo de como se aplicar e quais as opções de bolsas, de maneira que eles não precisem buscar essas informações, aumentou em 34% o número de inscrições nas faculdades.

Interessante, não é? Assim como essa técnica funcionou para alunos que estavam se aplicando à faculdade, ela também pode trazer resultados muito positivos ao longo de todo o período escolar. Dessa forma, listamos aqui três formas de aplicar a Teoria do Incentivo na sua escola:

1. Escrever sobre seus valores

Uma pesquisa mostrou que fazer com que os alunos escrevam diariamente durante 15 minutos acerca dos seus valores aumentou, a longo prazo, em 10% o rendimento dos alunos.

Que tal tentar com seus alunos? A proposta de tempo e quantidade de repetições durante a semana, por sua vez, deve ser estipulada pensando na realidade dos seus estudantes. Às vezes será um desenho ao invés de escrita, e a atividade terá duração de 5 minutos ao final das aulas.

Essa dinâmica pode funcionar bem em aulas de Projeto de Vida, mas também pode ser adaptada para encaixar em outros componentes. Em português, por exemplo, poderia ser trabalhado ditongo, tritongo e hiatos com as palavras que os alunos escreverem.

2. Listar seus objetivos e o passo a passo para alcançá-los

Outra atividade é fazer com que os alunos anotem o que desejam alcançar e tracem metas. Essa atividade, por sua vez, pode ser feita em formato de mapa mental, texto, poema, ilustrações… São várias as possibilidades.

A atividade pode ser feita, por exemplo, no início e no final de cada bimestre. Nela, os alunos devem identificar o que querem alcançar dentro de dois meses, e depois analisam o que atingiram. É importante que os exercícios se repitam para que os alunos internalizem e acreditem no que estão imaginando para si.

3. Enviar mensagens motivacionais aos alunos ao longo do ano

O envio de mensagens também foi comprovado por pesquisas como algo eficaz na melhoria do rendimento dos alunos e inclusive na adesão à universidade. Hoje inclusive já existem empresas que atuam enviando mensagens robotizadas para incentivar determinado comportamento!

Nesse caso, as mensagens podem ser para estimular os alunos a estudarem, desejar boa sorte nas provas, entre outros, criando um clima escolar positivo e estimulando a mentalidade de crescimento nos alunos.

E aí, o que achou da Teoria do Incentivo? Esperamos que tenha se interessado! Caso aplique na sua escola, conte para nós como foi, vamos adorar saber! Estamos aguardando a sua mensagem.

Pensando nos desafios da implementação da BNCC, disponibilizamos de modo gratuito um acervo de pílulas de conteúdo prontas para serem usadas.

Você pode encaminhar para seus alunos seja no ensino remoto, híbrido ou presencial! Elas são de fácil acesso, podendo ser enviadas pelo Whatsapp sem o consumo de dados para baixar no celular. Que tal utilizá-las como uma forma de mobilização dos familiares?

Não fique de fora e aproveite!

Referências:

OREOPOULOS, Philip. Nudging and Shoving Students Toward Success. Education Next. 15 de setembro de 2020. Disponivel em: https://www.educationnext.org/nudging-shoving-students-toward-success-what-research-shows-promise-limitations-behavioral-science-education/

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!