Como trabalhar a diversidade etnocultural na educação infantil

Dicas para trabalhar a diversidade etnocultural em sala de aula

A diversidade cultural e étnica está presente em todo o país. Entretanto, poucas vezes isso é discutido em sala de aula. Porém, pesquisas mostram que quando é trabalhada a diversidade etnocultural e sua aceitação em sala, os alunos se sentem acolhidos e pertencentes, apesar de suas diferenças, e conquistam melhores resultados acadêmicos.

Isso porque é inegável que o emocional impacta no desempenho. Ao não se sentir bem no espaço escolar ou ainda consigo mesmo por se ver como “diferente”, o aluno acaba se desinteressando por tudo que envolve a escola. Com isso, a tendência é que se torne menos propenso a se dedicar aos estudos.

Essa não aceitação das diferenças, por sua vez, se passa muitas vezes despercebida na educação infantil, até porque é uma época em que os indivíduos tendem a focar menos nestas questões. Entretanto, se o assunto não for trabalhado desde a primeira infância, os comportamentos podem ser intensificados durante a adolescência, período em que os jovens não medem tanto as consequências de seus atos e falas para com os demais, além de, por questões biológicas, se sentirem mais vulneráveis, o que pode intensificar a forma como reagem e internalizam os comportamentos dos colegas.

Dessa forma, é muito importante trabalhar a aceitação e a valorização da diversidade etnocultural ainda na educação infantil. Para isso, propomos aqui algumas maneiras de abordar o assunto com os alunos.

1. Conhecer quem são seus alunos e permitir que eles se conheçam também

Para começar a abordar o assunto em sala, é importante que o docente saiba quem são seus estudantes: onde moram? Como é sua estrutura familiar? Qual sua religião? Como é sua árvore genealógica?

Para isso, é interessante que o professor busque informações, mantendo contato com os responsáveis através de ações elaboradas pela escola, e incentive os alunos a descobrirem e levarem para sala de aula, por meio de atividades como trazer fotos de seus familiares, desenhar uma imagem que demonstre quem são.

2. Identificar se as identidades dos alunos estão representadas em sala

  • Quais aspectos da identidade de seus alunos estão visivelmente presentes e honrados em seu ambiente de sala de aula (livros, materiais de instrução, fotografias)? Quais estão faltando?
  • As representações das identidades de seus alunos são autênticas e variadas? Existem materiais que honram explicitamente identidades diversas, bem como textos nos quais personagens com vários tipos de identidade são representadas, sem que sejam centrais para a trama?
  • Existem identidades que seus alunos não compartilham e que estão representadas demais na sala de aula?
  • Sobre quem e o que seus alunos estão aprendendo a valorizar em sua sala de aula?
  • A linguagem usada na sala de aula inclui a identidade de todos os alunos? Há preconceitos sendo normalizados por meio da linguagem da sala de aula,por exemplo, “famílias” versus “responsaveis”?

O exemplo acima é um tema bem importante de ser questionado, considerando-se que podem haver alunos que são órfãos, ou moram com um responsável legal que não seja da sua família por algum outro motivo. É comum falarmos “família” ao nos referirmos ao responsável dos estudantes, mas isso pode gerar um desconforto para alguns alunos, sendo recomendado o uso da palavra “responsáveis” para que todos se sintam contemplados.

Essas perguntas são um norte muito importante para reflexão e autoavaliação do professor e dos conteúdos que está expondo seus alunos.

3. Trabalhar a diversidade em sala

Para garantir que a diversidade etnocultural seja aceita, é importante não só trazer essas diferenças nas aulas (expondo e trazendo personagens com diferenças etnoculturais, por exemplo) mas também falar sobre elas. O professor deve mencionar que as pessoas possuem particularidades, e exaltá-las. Seguem aqui algumas sugestões de como fazer isso na prática:

  • Escolha materiais que mostrem personagens com quem seus alunos compartilham identidades e representem esses personagens de maneiras autênticas e variadas.
  • Remova aqueles que representam desproporcionalmente identidades não compartilhadas pelos alunos ou que reforçam os estereótipos sobre quaisquer grupos de identidade.
  • Planeje aulas que ampliem a voz do aluno e que os convide a usar suas experiências, comunidades culturais e histórias como fontes válidas de informação.
  • Convide consistentemente a família e os membros da comunidade para ministrar instrução em sala de aula para posicionar as comunidades como fundos válidos de conhecimento.

Pensando nos desafios da implementação da BNCC, disponibilizamos de modo gratuito um acervo de pílulas de conteúdo prontas para serem usadas.

A boa notícia é que a Educação Infantil também está presente no nosso Acervo! Elas são de fácil acesso, podendo ser enviadas pelo Whatsapp sem o consumo de dados para baixar no celular. Que tal utilizá-las como uma forma de mobilização dos familiares?

Pronto para começar ter uma sala de aula mais diversa e acolhedora? Esperamos que as dicas do post de hoje tenham sido úteis! Ah, e se precisar de alguma coisa, entre em contato! Vamos adorar te ouvir e apoiar.

Referências:

Edutopia. “Creating a Culturally Responsive Early Childhood Classroom”. Fevereiro de 2021. Disponível em https://www.edutopia.org/article/creating-culturally-responsive-early-childhood-classroom

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!