Como o professor pode auxiliar o aluno a desenvolver habilidades necessárias para o futuro

Quais mudanças posso fazer no meu dia a dia para desenvolver as habilidades necessárias para o futuro em meus alunos?

Não há dúvidas que o mundo de hoje é completamente diferente do de 10 anos atrás. Com a difusão da internet, estamos acompanhando as notícias em tempo real e acontecimentos do outro lado do globo podem impactar nossas vidas. Além disso, a tecnologia permitiu não só o desenvolvimento da internet, mas também de softwares e robôs capazes de fazer diversas atividades operacionais, o que vem transformando o cenário do mercado de trabalho. Essas mudanças ocorrem cada vez mais rapidamente, sendo difícil acompanhar quais são as habilidades necessárias para o futuro e se adaptar a elas.

A escola, por sua vez, não está alheia a essas mudanças no mundo, sendo necessário mais do que nunca se refazer para se adequar. Com as informações a um clique e sotfwares que já fazem o cálculo sem você precisar saber a fórmula, a educação ganha uma nova conotação que vai muito além do ensino dos conteúdos. É claro que a formação básica continua sendo essencial, mas ela não é suficiente para o futuro incerto que nos espera.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, por exemplo, 75% das profissões de 2030 ainda não existem, o que quer dizer que o que estamos ensinando na escola poderá não servir para o futuro profissional desses jovens. Além disso, com um mundo cada vez mais interdependente, questões globais como o aquecimento global, por exemplo, têm se tornado assuntos importantes na vida de cada indivíduo. Relacionado a isso, é cada vez mais relevante a busca por uma relação de respeito entre diferentes povos, culturas, religiões e orientações.

Desse modo, tem sido discutido em organizações como a UNESCO uma mudança no papel do propósito das escolas, sugerindo que elas tenham como principal objetivo contribuir para o desenvolvimento de cidadãos ativos que busquem promover sociedades mais justas, pacíficas, tolerantes e inclusivas. Diante disso, argumenta-se que o foco das escolas deve ser trabalhar as habilidades do século XXI, que são um conjunto de habilidades necessárias para o futuro que seriam essenciais para esse objetivo e para que os jovens alcancem seu melhor potencial não apenas na vida profissional, mas também na pessoal.

Essas habilidades são:

  • Habilidades de Aprendizagem em Inovação (4C’s):
  • Criatividade e inovação
  • Pensamento crítico e resolução de problemas;
  • Comunicação
  • Colaboração.
  • Habilidades com Informação, Mídia e Tecnologia:
  • Conhecimento e gestão da informação
  • Conhecimento e gestão de mídias
  • Alfabetização Digital (ICT- Informação, Comunicação e Tecnologia).
  • Habilidades para a Vida e Carreira:
  • Flexibilidade e adaptabilidade
  • Iniciativa e autodireção;
  • Habilidades sociais e culturais
  • Produtividade e responsabilidade
  • Liderança e responsabilidade

E como trabalhamos isso na escola?

Essa resposta implica em uma mudança para um currículo que esteja alinhado a essas competências e proposta de educação – a BNCC vem, além de garantir que todos os alunos do país tenham acesso aos mesmos conteúdos básicos, também alinhar o ensino básico às habilidades do século XXI. Além disso, é necessário que professores e gestores estejam abertos a essas alterações para que sejam realmente implementadas de maneira eficaz. Para tal, é necessário o investimento no desenvolvimento de formações continuadas e licenciaturas que abordem o assunto de maneira teórica e prática.

Legal, mas eu sou professor… E aí?

Além dessas mudanças mais estruturais, é possível que o professor, no seu dia a dia, contribua para o desenvolvimento dessas habilidades através do trabalho com metodologias ativas, busca pelo o protagonismo do aluno e incentivo às competências socioemocionais. Elas, por sua vez têm um papel muito importante, pois servem como base para o desenvolvimento das habilidades necessárias para o futuro.

Isso porque, para você ser capaz de ter uma boa comunicação, se portar como liderança e demonstrar adaptabilidade, primeiro você deve aprender resiliência emocional (tolerância ao estresse e à frustração), deve desenvolver a autogestão (responsabilidade, foco, persistência) e seu engajamento com outros, além da empatia e respeito.

Diante disso, ao trabalhar as competências socioemocionais e utilizar metodologias ativas, você já está contribuindo para que seu aluno desenvolva as habilidades necessárias para o futuro.

Assim, pouco a pouco, vai se colaborando para a formação de cidadãos ativos, que conseguem alcançar seu melhor potencial pessoal e profissionalmente e que busquem promover sociedades mais justas, pacíficas, tolerantes e inclusivas.

Falamos nesse post sobre a importância da BNCC nesse processo de desenvolvimento de habilidades para o futuro.

Pensando nos desafios da sua implementação, seja no ensino remoto, híbrido ou presencial, disponibilizamos de modo gratuito um acervo de pílulas de conteúdo prontas para serem usadas em sua prática diária 🙂

Não fique de fora e aproveite! E caso precise de alguma ajuda, entre em contato com a gente.

Referências:

GRAESSER, Arthur C. “Emotions are the experiential glue of learning environments in the 21st century”. Science Direct. 2019. Disponível em https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0959475219303640

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!