Quais competências um bom gestor escolar deve ter?

4 pontos para um bom gestor escolar se manter atento com relação às necessidades da escola

Ser um diretor ou coordenador de escola requer muito mais do que elaborar a grade de horários e acompanhar o dia a dia da escola para garantir que os alunos estão em sala de aula. Entre os desafios estão gerenciar os recursos financeiros, gestão de projetos e habilidades interpessoais. Sendo assim, o que é importante para ser um bom gestor escolar?

1. Facilidade para gestão de equipe e relações interpessoais

Se pensarmos bem, a escola é quase como uma empresa. Sendo assim, o diretor de escola tem uma grande equipe, composta por alunos, professores e demais funcionários para gerir. Diante disso, é necessário que o gestor consiga manter uma boa relação com a sua equipe e garanta que entre eles a convivência também seja positiva. Para tal, é importante criar um ambiente colaborativo, em que haja um ambiente de aprendizado em comunidade. Todos devem ter espaço para expor suas opiniões e trocarem experiências.

Uma proposta para isso é a realização de reuniões para tomada de decisões, em que as escolhas que são possíveis sejam feitas em conjunto, além da criação de reuniões de rotina, que podem acontecer semanal ou quinzenalmente, em que as diferentes frentes exponham seus desafios e conquistas e todos, conjuntamente, pensem em propostas de solução através de uma co-construção.

Outro ponto importante, tanto para a gestão da equipe como para boas relações, é a atenção individual a cada um. É importante que os funcionários da escola se sintam acolhidos e que saibam que podem contar com o gestor. Para isso podem ser realizados momentos de conversa individual, mas um simples bate-papo no corredor já pode ajudar a construir essa relação.

2. Capacidade de comunicação

O diretor e coordenador de escola precisam lidar com diferentes públicos: parceiros, pais, alunos, funcionários e comunidade. Para isso, saber se comunicar bem, e ajustar seu discurso a depender de com quem está conversando, é muito importante. Dessa forma, algumas práticas importantes são a da empatia e escuta ativa.

A empatia consiste em se colocar no lugar do outro, e, nesse caso específico, podemos dizer que se relaciona bastante com a escuta ativa, a qual, por sua vez, consiste em escutar o outro atentamente, sem julgamentos e interrompimentos, sempre agindo de maneira convidativa para que ele continue a falar sem se sentir constrangido.

Diante disso, sugerimos que quando for ter uma conversa, primeiro escute o que a pessoa tem a dizer sem tentar cortá-la ou sem ficar pensando na resposta que irá dar. Tenha foco na conversa. A partir dos insumos que seu parceiro der, tente se colocar no lugar dele. O que ele está sentindo? Porque está reagindo daquela maneira? Através disso, ficará mais fácil compreender o seu ponto de vista e a articular uma conversa que ele esteja mais receptivo e que dê melhores frutos, pois, para saber como reagir e se comunicar em uma determinada situação, é importante que você compreenda o ambiente em que está.

3. Habilidade em gestão de projetos

O que mais tem na escola são projetos, seja para a compra de um novo ar condicionado ou para a festa de final de ano. Dessa forma, é muito importante que o diretor e coordenador tenham capacidade de gerir essas ações. Você não precisa ter uma especialização em gestão de projetos, mas é importante ter uma visão holística e macro sobre a proposta, além de sempre se atentar a alguns pontos para que o projeto seja eficaz. Seguem aqui algumas perguntas norteadoras que valem a pena serem feitas sempre que uma nova ação surgir na escola:

  • qual o objetivo do projeto? Esse objetivo faz sentido para a escola?
  • quais são as metas que devemos alcançar gradativamente para chegar ao objetivo?
  • quando o projeto deve ser implementado?
  • qual o cronograma para essas metas, tendo em vista o prazo do projeto?
  • qual recurso financeiro será utilizado?
  • quem serão os responsáveis?
  • quais podem ser os riscos e como podemos tentar mitigá-los?

4. Compreensão da importância de quais fatores garantem um melhor aprendizado e desempenho dos alunos

O objetivo maior de toda a escola, independente da missão que ela tenha, sempre é de garantir que os alunos aprendam da melhor maneira e que, dado isso, tenham um bom desempenho. Dessa forma, como gestor, é muito importante que se tenha uma visão clara de como isso é alcançado. Quais fatores contribuem e quais atrapalham o aprendizado? O que eu, como gestor, posso fazer para contribuir?

A lista para isso é realmente muito grande. Entre os fatores que contribuem para o aprendizado estão um clima escolar positivo, formação continuada dos professores, criação de altas expectativas nos alunos e, inclusive, uma boa comunicação entre os atores escolares, que se articula com os pontos citados anteriormente no ponto “Capacidade de Comunicação”.

Com certeza existem outros itens que merecem atenção dos gestores além dos quatro acima, entretanto eles já dão bastante “pano para manga”. Entre os que elencamos, quais você acha que já tem desenvolvido e quais ainda precisa aprimorar? Conta pra gente! Estamos aguardando a sua mensagem.

Referências:

Arhipova, Olga; Kokina, Irēna Kokina; Rauckienė-Michaelsson, Alona. SCHOOL PRINCIPAL’S MANAGEMENT COMPETENCES FOR SUCCESSFUL SCHOOL DEVELOPMENT. TILTAI, 2018, 1, 63–75. Acesso em: 22 de novembro de 2020. Disponível em: https://core.ac.uk/download/pdf/233178947.pdf

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!