Círculo da Coragem: 4 valores que auxiliam no comportamento e desempenho dos alunos

O ensino intencional de princípios na sala de aula e os resultados obtidos por meio do círculo da coragem

Você já ouviu falar no Círculo da Coragem? Ele é um modelo que propõe o desenvolvimento positivo dos jovens através de 4 pilares, que são considerados como necessidades universais de todas as crianças: pertencimento, maestria, independência e generosidade.

Essa filosofia se baseia nos valores utilizados pelas tribos indígenas para a criação de suas crianças, e, de acordo com ela, os jovens que não possuem um desses 4 valores do círculo da coragem acabam apresentando distúrbios comportamentais. Uma pesquisa, que buscou analisar como isso poderia impactar alunos em sala de aula, mostrou que quando os professores trabalham esses pilares, os estudantes apresentam melhoria no comportamento e desempenho.

Então por que não tentar desenvolver esses valores na sua escola? Seguem algumas sugestões!

Pertencimento: Crianças que não vivenciam o pertencimento costumam se sentir rejeitadas e muitas vezes procuram métodos artificiais de compensação, os quais podem ser negativos (busca excessiva por atenção, levando a comportamentos agressivos, filiação a gangues, entre outros). O ideal seria que ela estabelecesse relações afetivas positivas com adultos e pares.

Na escola e na sala de aula, é possível incentivar isso de diversas maneiras:

  • Estimulando que os alunos realizem trocas entre si e se conheçam.
  • Estruturando regras de comportamento positivo entre os alunos – proibindo comentários desrespeitosos, honrando a diversidade, por exemplo.
  • Estabelecendo conexão entre professor e aluno – cumprimentando-os, sabendo seus nomes, permitindo que se sintam à vontade para se expressar e tendo uma relação positiva de respeito mútuo.

Maestria: consiste em estimular que o aluno se sinta capaz de alcançar feitos. Quando o estudante não se enxerga como competente, ele tende a se desestimular e se ver como inferior aos demais, inadequado. Diante disso, é comum que ele não respeite o espaço escolar e possa tomar atitudes inadequadas e desrespeitosas.

Para que isso não aconteça, a escola e os professores devem:

  • Evidenciar sua crença nos alunos, incentivando-os a se desafiarem positivamente, mas criando objetivos possíveis.
  • Recompensar bons comportamentos (em sala de aula, por exemplo, o professor pode elogiar quando o aluno acertar um exercício ou quando ele se portar da forma esperada – por exemplo, o aluno que, assim que o professor chegar na sala, já guardar o celular e abrir o caderno para fazer as anotações).
  • Promover oportunidades para os estudantes descobrirem/desenvolverem talentos: criar clubes, atividades no contraturno, show de talentos e até mesmo atividades diferenciadas em sala de aula, como elaboração de um vídeo, desenho ou música com o conteúdo.

Independência: Alunos que não sentem que possuem autonomia podem se tornar rebeldes, desafiando a autoridade e tornando-se agressivos. Logo, é importante incentivar que eles adquiram independência de maneira consciente. Algumas formas de garantir isso na escola são:

  • Acreditar na capacidade dos alunos de tomarem decisões responsáveis e demonstrar isso a eles.
  • Oportunizar espaços para que eles deem sugestões e expressem suas opiniões sobre as atividades, sobre a dinâmica da sala de aula, entre outros.
  • Envolvê-los na criação de regras para a sala.
  • Encorajar que eles assumam a liderança através de projetos.
  • Estabelecer a prática que os alunos reflitam sobre suas ações e seus impactos. Por exemplo: Quando um aluno tiver um mal comportamento, pedir que ele escreva porque agiu assim, e qual a consequência dessa ação para ele e seus colegas. Outra maneira é, quando fizerem trabalho, solicitar que façam uma autoavaliação do quanto se desempenharam e estudaram.
  • Resolver problemas com eles, e não por eles. Quando houver uma discussão em sala, por exemplo, propor um círculo de resolução de problemas com os alunos, no qual eles deverão expor seus pontos de vista de maneira respeitosa, devendo chegar a um acordo ao final.

Generosidade: uma pessoa generosa normalmente é empática e altruísta. Quando não apresenta esse valor, por sua vez, tende a ser desonesta, egoísta, desleal e anti-social. Como desenvolver isso na escola?

  • Trabalhando a empatia em sala de aula.
  • Sendo um modelo positivo em sala de aula – demonstrando respeito e afetividade pelos alunos sempre, independente da situação.
  • Oportunizando experiências em sala em que um aluno ajude o outro. Um exemplo é o uso de uma metodologia ativa chamada de “Quebra Cabeça”, na qual os estudantes são divididos em grupos e cada um recebe um conceito diferente, que deverão estudar individualmente. Em um segundo momento, caso mais de um aluno tenha recebido o mesmo tópico, eles podem se unir e compartilhar o que compreenderam e dúvidas. Por fim, retornam aos seus grupos de origem e devem explicar aos colegas que aprenderam. Para saber mais sobre essa técnica, confira o post que fizemos sobre ela aqui!

O que acharam? Alguma dessas práticas já é comum na sua escola? Quais gostariam de tentar? Conta pra gente, vamos adorar saber!

Referências:

Reyneke, R. (2020). Increasing resilience, lowering risk: Teachers’ use of the Circle of Courage in the classroom. Perspectives in Education, 38(1), 144-162. https://doi.org/10.18820/2519593X/pie.v38i1.11

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!