Eu Ensino de Casa!

Relatos de um professor em seu ensino de casa durante a pandemia

Por João Paulo Campos

No cenário de suspensão das aulas presenciais em todo o país e em boa parte do mundo, tornou-se inevitável o uso de tecnologias e de novas modalidades de ensino-aprendizagem nesse período de distanciamento social. No Brasil não foi diferente! No início das medidas de restrição, boa parte das redes públicas e privadas do país adotaram a estratégia de antecipar o recesso escolar do meio do ano para as primeiras semanas de suspensão. Entretanto, com a manutenção da suspensão das atividades escolares presenciais, pouco a pouco, redes voltam às aulas, mas com diversas atividades sendo oferecidas remotamente, fazendo do ensino de casa uma realidade.

São Paulo, Pernambuco e até mesmo Paraná já adotam vídeo aulas pelas internet e vários professores estão sendo estimulados a gravar aulas e transmitir lives. Um ponto em comum é que boa parte dessas aulas está sendo feita de modo expositivo. Algumas iniciativas até tentam reproduzir a ideia de sala de aula e a visão do aluno, ou seja o professor aparece como se estivesse na sala com o estudante sentado e observando a aula.

Todas são iniciativas louváveis, mas como professor, eu sabia que aulas expositivas têm um baixo nível de atenção para meus estudantes presencialmente e a situação à distância piora, com todas as distrações que o ambiente muitas vezes pouco ideal de casa proporciona para a aprendizagem. Até mesmo agora, com farta oferta, os cursos online quando seguem o modelo expositivo têm uma baixa taxa de finalização e de concentração e dedicação por parte dos estudantes.

Por isso, minha iniciativa como professor antes de propor aulas foi tentar entender os sentimentos dos estudantes. E eu descobri que eles gostariam, neste período, de atividades dinâmicas. Toda essa suspensão de aulas tem sido um convite à reinvenção da escola e da educação como um todo e, para suprir essa demanda, propus a minhas turmas de nono ano a utilização de uma plataforma para estudos da Khan Academy.

Baseada na pedagogia para o domínio, a Khan Academy tem uma plataforma de auxílio ao professor com conteúdo das disciplinas de ciências, matemática e língua portuguesa, totalmente alinhado à BNCC. A plataforma permite acompanhar o desempenho dos estudantes de maneira individual e até mesmo sugerir atividades personalizadas de acordo com o domínio dos assuntos estudados, tudo isso em uma plataforma gamificada que explora múltiplas atividades e de uso intuitivo.

Nesse piloto que estamos executando, os estudantes estão competindo com pontos e estudando os assuntos de forma autônoma, mas sempre interagindo no grupo de Whatsapp com os colegas e comigo, como professor da turma, para a resolução de dúvidas e aprofundamento de temas de interesse. Os estudantes aprendem, se divertem e se desenvolvem numa rotina de estudar por conta própria ajudando uns aos outros e consolidando uma cultura de aprendizagem própria.

Quanto a mim, como professor, há uma reinvenção! Ao invés de brigar pela atenção dos estudantes e competir com a tecnologia e as informações rápidas conseguidas através da internet, posso inovar. Então deixo o papel de ser produtor e construtor de conteúdo, que ocorre em momentos mais expositivos em sala de aula ou em lives que simulam uma sala de aula tradicional, e posso atuar como mediador da aprendizagem, aprofundando temas, supervisionando defasagens, tirando dúvidas e fazendo curadoria de conteúdo para os estudantes.

O próprio criador da Khan Academy, o matemático Salman Khan em recente entrevista destacou que um ponto positivo que pode ser construído nesse período de aulas remotas é a construção de hábitos de aprendizagem, o que também chamamos de cultura de aprendizagem, tendo efeitos positivos na volta das aulas presenciais e em todo o desenvolvimento do estudante.

Nossa experiência tem gerado grandes aprendizados e começamos a ter evidências de que esses hábitos começam a ser desenvolvidos, dia após dia. Não precisamos reinventar a roda e criarmos mais conteúdo para podemos avançar mais! Ainda podemos contemplar várias habilidades da BNCC como a comunicação, a cultura digital entre outras.

Vamos juntos nessa oportunidade? E o que você está fazendo nesse período de pandemia com seus estudantes? Conte com a Curiós para ajudar nesse processo! Vai passar!

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!