A razão mágica de 5 para 1

Elogios como estratégia para combater a indisciplina: a razão de 5 para 1

Você já parou para pensar em quantas vezes você elogia uma aluna ou um aluno em sua sala? E já reparou quantas vezes chama a atenção de uma aluna ou um aluno durante o dia? Uma pesquisa mostrou que os professores que conseguem, em uma razão de 5 para 1, elogiar mais do que reclamar dos alunos na aula conseguem aumentar em até 22% o engajamento deles na aula e diminuir em cerca de 10% os comportamentos indesejados.

Sabemos que muitas vezes acabamos reclamando ou brigando mais do que elogiando os alunos que conseguiram realizar parcialmente ou toda a tarefa, que prestaram atenção na aula, que tiraram uma dúvida, etc. Mas pense nisso! Professores que elogiam, apreciam ou parabenizam os alunos/turma 5 vezes mais do que brigam, chamam a atenção ou criticam conseguem ter esse ganho no desempenho dos seus alunos.

Parece até simples demais, não?

A metodologia de “Gestão proativa de sala de aula” se baseia em três pontos:

  • Otimizar o rendimento acadêmico dos alunos, prevenindo comportamentos indesejáveis em sala de aula;
  • Trabalhar a gestão da turma juntamente com a aula, não tratando as duas coisas como partes separadas;
  • Focar no grupo ao invés do individual;

Ou seja, durante a própria aula o professor é capaz de, proativamente, fazer a gestão de sua atenção, focando em elogiar/parabenizar os comportamentos positivos do seu aluno ou da turma ao invés de brigar com os alunos que não estão realizando as atividades, ou prestando atenção na aula, por exemplo.

Ah, então pronto! Só preciso elogiar mais meus alunos?

Quase isso! Só elogiar mais não é suficiente – o ponto central desta pesquisa é a proporção de interações positivas com interações negativas. Ela precisa ser uma razão de 5 para 1!

Essa proporção já apareceu historicamente em outras áreas de conhecimento como na psicologia de relacionamentos, onde casais que se elogiam, apoiam, fazem comentários positivos entre si 5 vezes mais do que comentários negativos, reclamações, etc. acabam declarando que possuem um casamento mais feliz.

Na escola não é diferente. Para que a aplicação dessa metodologia seja eficaz na escola, essa proporção de 5 positivos para 1 negativo também precisa se manter. Mas acha que é fácil fazer isso? Na verdade, o desafio está na implementação.

Estudos apontam que nosso cérebro foca mais facilmente nos pontos negativos do que em pontos positivos. Por isso, naturalmente ressaltamos as críticas ao invés dos elogios. Mas nada impede de nós treinarmos o foco no elogio! No caso da pesquisa, eles utilizaram um aparelho que vibrava no bolso do professor para lembrá-lo de elogiar algum comportamento benéfico da turma ou de algum aluno. Você também pode adotar essa técnica ou colocar algum lembrete visual na sala para te lembrar de elogiar seus alunos.

Então vamos praticar um pouco o elogio? Pode ser mais difícil no início mas é uma prática que se aperfeiçoa com o tempo. Ficou com dúvida? Está com alguma dificuldade? Mande uma mensagem pra gente! Estamos prontos pra ajudar você e a sua rede a inovar na sua sala de aula 😉

Referências:

COOK, C. R. GRADY, A. E. LONG, A. C. RENSHAW, T. CODDING, R. S. FIAT, A. LARSON, M. Evaluating the Impact of Increasing General Education Teachers’ Ratio of Positive-to-Negative Interactions on Students’ Classroom Behavior. Journal of Positive Behavior Interventions, 2017, Vol 19(2) 67-77.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!