A importância dos alunos elaborarem perguntas complexas

Dicas práticas para incentivar os alunos a fazerem perguntas complexas

Você já parou para se perguntar sobre o nível de complexidade das perguntas dos seus alunos? Estruturar perguntas mais elaboradas requer diversas habilidades: capacidade de articular ideias, facilidade de comunicação, curiosidade, e de certa forma, extroversão ou confiança. É comum existir na sala de aula aquele aluno que assume o papel do questionador. Aquele que pergunta diversas coisas sobre o assunto trabalhado, e que o professor acha interessante e estimulante, mas tem vezes que não queria que ele estivesse perguntando (porque vai atrasar o conteúdo e porque você pode não saber a resposta). Os outros alunos, por sua vez, podem admirá-lo ou se incomodarem como ele – “Para que tantas perguntas? De novo?”. Mas por mais que dê um friozinho na barriga de vez enquanto, estimular todos os alunos da sala a elaborarem perguntas mais complexas é muito importante, pois desenvolve diversas habilidades.

Para isso, a primeira coisa que o professor deve fazer é: aceitar que não sabe tudo. Nenhum professor é o Google, mesmo aqueles com anos de experiência. Os alunos podem pegá-lo desprevenido. E o que você deve fazer? Assumir o desconhecimento! “Nossa que pergunta interessante. Não sei respondê-la, vou pesquisar e trago na próxima aula”. Você também pode passar a pergunta para a sala, e poderá se admirar ao ver que um dos alunos talvez saiba responder. Depois de se desfazer desse medo, existem algumas dicas de como incentivar os alunos a questionarem mais:

  • Estimular a curiosidade dos alunos: uma sugestão é começar a aula com uma pergunta sobre o tema. Em uma aula sobre placas tectônicas, por exemplo, o professor pode perguntar no início: “Por que será que no Brasil não tem terremotos?”. Isso não só os instigará a prestar atenção, como pode originar outros questionamentos: “Então na Bolívia também não tem? Nunca teremos um terremoto no Brasil?” etc. Algumas técnicas para trabalhar isso podem ser encontradas aqui.
  • Estimular a escuta ativa: a escuta ativa se baseia em ouvir atentamente o outro, sem tentar interrompê-lo ou sem estar processando mentalmente a sua resposta. Uma sugestão é realizar atividades em grupos ou duplas, na qual um deve expor sua opinião ou seu raciocínio a respeito de um tema, e o outro deve apenas escutar e depois resumi-la. Você pode ler mais sobre isso aqui.
  • Garantir conhecimento sobre o assunto: muitas vezes, fazer perguntas complexas também depende do conhecimento para além da sala de aula que o aluno tem. Uma forma de o professor garantir isso é estimulando pesquisas sobre o tema, além de relacionar o conteúdo com a realidade dos alunos. A técnica 13 da nossa Trilha Formativa trata disso.
  • Reforçar positivamente os alunos que fazem questionamentos: os alunos muitas vezes têm vergonha de perguntar, por acharem que seus pensamentos são bobos, não cabem no contexto. O reforço positivo serve, portanto, como um incentivo para continuarem com a prática. A técnica 5 da nossa Trilha Formativa trata disso.
  • Criar um ambiente acolhedor: seguindo a lógica do item 4, é importante que o ambiente seja acolhedor para que o aluno se sinta confortável para expor suas opiniões e dúvidas. Dessa forma, não apenas o professor, mas os outros alunos, devem se mostrar receptivos uns aos outros. Nesse momento, é importante o professor reforçar para a turma que toda a dúvida e pergunta é válida. É possível ter altas expectativas e ser acolhedor ao mesmo tempo! A técnica 8 da nossa Trilha Formativa trata disso.

Através dessas dicas, espera-se que os alunos consigam se expressar, elaborar perguntas complexas e incentivar os outros a fazerem o mesmo. Para isso, o professor deve investir em atividades que demandem que os alunos exponham suas opiniões, escutem e interajam. Uma vez acostumados com o processo de questionar, a proposta é avançar ainda mais. Que tal promover debates na turma sobre os assuntos do conteúdo? Ou deixá-los decidirem sobre algumas questões da aula?

Ao incentivar a exposição de pensamentos e questionamentos, permite-se que os alunos aprendam a se comunicar de forma efetiva ao apresentar seu ponto de vista e refletir acerca do ponto de vista do outro, algo que é essencial em diversos aspectos das nossas vidas. Depois de tudo isso, nem precisamos falar que, se os alunos estiverem em um debate produtivo sobre o tema da aula, expondo suas opiniões, tudo bem atrasar um pouquinho o conteúdo, né? Pois, sem dúvidas, estimular o questionamento também é uma forma de aprendizado.

Que tal pensar em práticas para engajar ainda mais seus alunos em sala de aula? Nossa Trilha Formativa pode ser a solução que a sua rede precisa. Entre em contato!

Referências:

Tennessee Department of Education. Incorporating Social and Emotional Learning into Classroom Instruction and Educator Effectiveness: A Toolkit for Tennessee Teachers and Administrator. June, 2015.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!