Como criar uma cultura colaborativa

Dicas para iniciar ou aperfeiçoar a troca entre os professores e construir uma cultura colaborativa

O aprendizado colaborativo entre professores é uma ferramenta muito positiva, mas ainda pouco utilizada e que causa certo desconforto em muitos educadores. Isso porque, diferente da maior parte dos ambientes profissionais, a sala de aula é um dos poucos em que não há, no geral, o costume de haver avaliações sobre o desempenho do profissional e, consequentemente, não há uma verdadeira cultura colaborativa. Nós falamos sobre 5 pontos para o desenvolvimento de um ambiente acolhedor e de desenvolvimento aqui nesse outro post, e recomendamos fortemente que você dê uma olhada antes de seguir na leitura desse artigo, assim sua compreensão será completa!

Talvez em algumas escolas privadas coordenadores e diretores entrem para assistir a algumas aulas, mas tal ação, por ser incomum, tende a ser vista como negativa. A “avaliação” entre pares, por sua vez, também passa essa impressão. Imagine ter um colega seu observando a sua aula?

Entretanto, diversas pesquisas mostram que o aprendizado colaborativo – seja entre o professor e o coordenador/diretor, que já esteve nessa função, ou entre a própria equipe docente, traz muitos benefícios, tanto para o desenvolvimento do profissional, e, por sua vez, dos alunos, quanto para a escola como um todo. Isso porque, ao trabalharem em conjunto, cria-se uma visão compartilhada e uma responsabilidade coletiva com o espaço físico e o desempenho escolar.

Contudo, por ser uma prática pouco usual, se não for implementada com cautela, pode ter efeitos negativos. Primeiramente, é importante que o professor se sinta confortável e seguro para compartilhar seus materiais, ideias e sentimentos – e essa sensação deve ser construída aos poucos. Se, de uma hora para a outra, uma escola que não tem uma cultura colaborativa propuser que os professores assistam às aulas uns dos outros para darem sugestões, provável que não dê muito certo. Mas, aos poucos, é possível se chegar nesse modelo com resultados positivos.

Como começar então? A figura da gestão escolar é muito importante. Coordenação e direção devem dar o exemplo, reconhecendo as diferenças entre seus professores e como elas podem ser positivas para o desenvolvimento de todos. Além disso, como uma forma de promover uma maior interação, pode fornecer espaços para que essa colaboração ocorra:

  • criação de salas de planejamento
  • rearranjo dos horários para que pessoas de uma mesma área de conhecimento tenham tempo de planejamento juntas
  • organização de atividades de cooperação nas formações/reuniões de professores

Ademais, o aprendizado colaborativo pode ocorrer desde maneiras mais simples às mais complexas. Dessa forma, escolas que ainda estão engatinhando nessa prática, podem iniciar com uma simples troca de relatos, em que os professores contam uns aos outros experiências que aconteceram com eles e como lidaram. Tal ação pode ser uma maneira de começar a criar empatia e confiança entre os educadores. Posteriormente, pode avançar para troca de dicas entre os docentes, até o compartilhamento de materiais, e, quem sabe, a elaboração de aulas conjuntas e a avaliação da prática pedagógica uns dos outros. Dessa forma, constrói-se pouco a pouco uma cultura colaborativa na escola, permitindo assim que todos – alunos, professores e gestão – se desenvolvam ainda mais.

E na sua escola? Há um esforço para criar uma cultura colaborativa? Conta pra gente a sua experiência e/ou o que achou das dicas de hoje! Estamos aguardando o seu contato!

Referências:

DE JONG, Loes; MEIRINK, Jacobine; ADMIRAAL, Wilfred. School-based teacher collaboration: Different learning opportunities across various contexts. Teacher and Training, Elsevier. 2019. Disponível em https://reader.elsevier.com/reader/sd/pii/S0742051X18315579?token=EEFD06F3FEE71729F01A98CB2FD706B2829CE7F20856DA1D2562E5CC9CA20EB1CD18492128C24BE5ED208A99CD235B8A.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!