Receber alunos na porta da sala faz diferença?

Estratégias para cultivar um clima positivo ao receber alunos na porta da sala

Não é novidade que a indisciplina – como comportamentos agressivos, não cooperativos e disruptivos –, além de prejudicar o ambiente de aprendizado, diminui o foco dos alunos e trazem grande preocupação aos educadores. No artigo de hoje, falamos sobre como receber alunos na porta da sala pode fazer a diferença nesse cenário.

Historicamente professores tendem a usar estratégias reativas na gestão comportamental, principalmente quando lidam com a indisciplina. Isso inclui métodos de disciplina através da exclusão, como retirada do aluno da sala de aula, suspensão ou a ameaça de ir à diretoria. Essas estratégias coercitivas, no entanto, além de não alterarem o comportamento dos alunos, podem prejudicar o vínculo aluno-professor. Para piorar a situação, elas também podem acabar afetando o gerenciamento do tempo, fazendo com que ele seja mal aproveitado, já que minutos preciosos são gastos na gestão da indisciplina, ao invés de usados nas instruções de atividades ou em intervenções de alta qualidade pedagógica.

Uma alternativa às estratégias reativas é a estratégia proativa de gestão comportamental. Ela é uma estratégia preventiva feita justamente para diminuir os comportamentos indisciplinados e, assim, melhorar o envolvimento acadêmico dos alunos.

Para alcançar esse objetivo, a estratégia busca unir as instruções acadêmicas com a gestão da sala, tentando ver a sala como um todo, ao invés de focar em um aluno específico.

O ato de receber os alunos na porta da sala é um exemplo de uma estratégia proativa de gestão comportamental multifacetária, que ajuda no processo de transição de outro local ou momento, como o recreio ou educação física, para a sala de aula. Ao receber cada aluno na porta e fazer um contato verbal (ex. demonstrar interesse no aluno) ou não verbal (ex. colocar a mão no ombro em aprovação) acontece uma conexão entre o educando-educador, levando a um clima positivo na sala e uma sensação de pertencimento do aluno. Essa sensação de pertencimento social resulta em uma motivação de realização, levando ao comportamento positivo (e muito desejado pelos professores!).

A implementação dessas estratégias em um ambiente de sala de aula tiveram como resultado uma melhora de 20% na qualidade e tempo de engajamento dos alunos, podendo produzir melhoras significativas no desempenho acadêmico. Conquistas também foram alcançadas na diminuição da indisciplina, reduzidas em 8%.

Na implementação, é importante também estabelecer um contrato sobre o que é esperado dos educandos nesse período de transição para que as atividades acadêmicas, já pré-planejadas, possam começar o mais rápido possível. Além disso se deve pré-corrigir e encorajar os alunos que tiveram questões comportamentais no dia anterior e reforçar positivamente (ex. elogiar) o comportamento desejado realizado pelos alunos.

Um questionário feito com professores ao redor do mundo apontou que esses profissionais desejam mais preparo em gestão comportamental e suporte contínuo em práticas de gerenciamento de sala de aula. A estratégia de receber os alunos na porta de sala de aula é um jeito fácil, rápido e efetivo que, além de reduzir a indisciplina e melhorar o vínculo aluno-professor, diminui o estresse e a insatisfação relacionado ao trabalho entre os professores.

Assim, essa estratégia pode ser o amparo que os professores estavam precisando!

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!