O desafio de construir um espaço escolar em que todos aprendam e participem por meio de uma autêntica educação inclusiva
Você já deve ter ouvido falar de Educação Especial e Educação Inclusiva, mas será que você realmente sabe a diferença entre esses dois conceitos? E, mais importante, será que você sabe como garantir esses direitos? Para te ajudar nessa tarefa desafiadora de construir um espaço escolar para todos, apresentamos algumas reflexões sobre inclusão e algumas dicas para transformar essa ideia em realidade.
1. A educação inclusiva é para todos
Antes de mais nada é importante compreender a educação inclusiva como um movimento mundial que defende o direito de todos estudantes estarem juntos, em condições equânimes de aprendizagem e participação. Ou seja, ao se falar de inclusão, é essencial que todas as formas de discriminação sejam superadas, enquanto as diferenças são valorizadas. E você pode estar se perguntando “Todos mesmo?”, e a resposta é que sim: uma educação só é verdadeiramente inclusiva se for capaz de acolher as particularidades de todos os professores e estudantes, sem impor limitações pedagógicas ou atitudinais.
Entretanto, sabemos que historicamente a escola tem reproduzido padrões de exclusão e que, justamente por essa tradição, não é fácil oferecer uma educação de qualidade para todos. Contudo, mais que um simples conceito, a inclusão é um direito e a escola é fundamentalmente um espaço de cidadania, onde diferentes educandos formam suas visões de respeito e colaboração. Eu sei, não é fácil para o professor e a coordenação escolar garantirem a inclusão plena dentro da escola, mas cada barreira derrubada deve ser motivo de festa. Então, celebre as pequenas vitórias na busca por uma escola inclusiva!
2. Educação especial na perspectiva da inclusão
À medida que o movimento pela educação inclusiva foi ganhando força nos sistemas educacionais, as escolas começaram a fazer mudanças para atender as especificidades de estudantes cada vez mais diversos. Turmas e escolas especiais, feitas exclusivamente para públicos específicos (em geral, para pessoas com deficiência) passaram a ser repensadas e, em alguns casos, foram deixando de existir.
Atualmente, o Conselho Nacional de Educação define que estudantes com deficiências, transtornos ou outras condições atípicas (como altas habilidades/superdotação) devem receber um atendimento especializado na escola regular para que possam se desenvolver plenamente e acompanhar com equidade as atividades curriculares. Ou seja, esses estudantes devem ser incluídos na escola, junto com os demais, mas recebendo o apoio necessário para que possam aprender e participar da vida escolar como qualquer outro educando. É esse modelo que chamamos de educação especial numa perspectiva inclusiva.
3. É possível ser verdadeiramente inclusivo?
Você deve estar aí se perguntando: “Mas isso existe mesmo?”. Bom, muita gente tem se esforçado para criar alternativas eficazes de inclusão. Muitas escolas oferecem atendimento educacional especializado para estudantes com deficiência no contraturno das aulas regulares e alguns estudantes contam com profissionais de apoio, intérpretes ou tecnologias assistivas em sala de aula. Mas uma ideia ainda não tão difundida e que está plenamente alinhada com a perspectiva de uma educação inclusiva é o Desenho Universal para Aprendizagem (DUA).
O conceito de “Desenho Universal” surgiu na área do design de ambientes e produtos e vem sendo usado por professores para buscar soluções para o desafio de lecionar em turmas heterogêneas. A ideia consiste num modelo de planejamento pedagógico inclusivo, voltado para educar o maior número possível de pessoas. Mas afinal, o que ele propõe? A chave principal é flexibilidade! Ou seja, para garantir um ensino inclusivo é importante que os profissionais da educação diversifiquem os formatos dos materiais didáticos, as estratégias pedagógicas e as inter-relações entre o conteúdo e o cotidiano do estudante.
Por exemplo, em uma turma com estudantes surdos e ouvintes, você pode permitir que um trabalho seja entregue em formato escrito ou de vídeo. Nesse caso, o estudante surdo pode optar por apresentar o seu trabalho em língua de sinais ou em língua portuguesa, sem qualquer prejuízo. Além disso, ao abrir essa possibilidade para toda a turma, você acaba beneficiando estudantes com outras características, como aqueles que se comunicam melhor oralmente do que por escrito, ao mesmo tempo que não obriga estudantes mais tímidos a se exporem. Enfim, com uma ação simples você acaba criando uma avaliação mais inclusiva, sem precisar fazer adaptações pontuais para estudantes específicos.
Apesar dos muitos desafios para garantir a educação inclusiva, o empenho dos profissionais da educação para criar estratégias e atender às demandas de todos os estudantes é fundamental. Se quiser, leia um pouco mais sobre o Desenho Universal para Aprendizagem nesse link, ou converse com seus colegas sobre qual seria a melhor estratégia para a sua escola. Além desse conceito, também vale explorar um pouco mais sobre a Pedagogia Inclusiva, que apresentamos nesse post. No fim das contas, o mais importante é dar o primeiro passo. E se precisar de uma mãozinha pra ajudar nesse início, conte com a Curiós! Mande uma mensagem, vamos adorar conversar com você 🙂
Referências:
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CEB n. 1, de 11 de setembro de 2001, que institui as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf>. Acesso em: 20 nov. de 2022.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva. Revista de Educação Especial, Brasília-DF: MEC-SEESP, v. 4, n. 1, jan./jun. 2008.
MENDES, Rodrigo Hubner. O que é desenho universal para aprendizagem?. Diversa, 2017. Disponível em: <https://diversa.org.br/artigos/o-que-e-desenho-universal-para-aprendizagem/>. Acesso em: 20 nov. 2022.
