São tantas histórias na nossa história… Vamos conhecer algumas delas neste artigo sobre o resumo da história da educação?
Por Juliana Ferro
“Bom, para resumir…” Parece estranho começar um texto sobre o resumo da história da educação assim, então vamos voltar um pouquinho.
É sabido que a educação não “nasceu ontem” e que ainda hoje discutindo seus objetivos, mas para esse artigo o que vamos discorrer é sobre as algumas tendências educacionais que tivemos ao longo dos anos. Demerval Saviani (2005) será nosso guia para esse breve resumo da história da educação brasileira.
Saviani dividiu as concepções de educação em duas grandes categorias: “o que ensinar?” e “como ensinar?”.
Segundo a primeira, “pensavam a escola como uma agência centrada no professor, cuja tarefa é transmitir os conhecimentos acumulados pela humanidade segundo uma gradação lógica, cabendo aos alunos assimilar os conteúdos que lhes são transmitidos”.
Desse modo, não é possível falar de resumo da história da educação brasileira sem falar da educação jesuítica, essa que chegou junto com a colônia portuguesa em 1549. O foco inicial foi em ensinar as crianças e nesse processo a educação jesuítica foi catequizando os indígenas brasileiros, interferindo em seu vocabulário, seus costumes e suas crenças.
Conforme os anos foram passando começa a ocorrer uma coexistência entre as educação religiosa advinda dos jesuítas e a leiga, que ganha espaço com a estruturação do que conhecemos hoje como Estado, por volta de 1759. As ideias de educação laica surgem nesse período com influência das ideias Iluministas.
Por volta de 1808 surge, por meio de documentos oficiais, o entendimento de que o professor era responsável por entregar o conhecimento e os estudantes avançados seriam colocados para auxiliar seus colegas de turma. Assim nasce o que conhecemos hoje como monitoria. E a gente se acha inovador quando implementa essa prática, não é?!
Com o passar dos anos, a igreja católica vai perdendo, de maneira lenta, poder de influência sobre o que é ensinado nas escolas, principalmente quando o entendimento sobre a escola pública vai se popularizando.
Contudo, foi só no século XIX que o cenário educacional brasileiro passou por mudanças significativas, com o chamado movimento Escola Nova.
O que Saviani coloca no que separamos aqui como a segunda grande categoria, “pautando-se na centralidade do educando, concebem a escola como um espaço aberto à iniciativa dos alunos que, interagindo entre si e com o professor, realizam a própria aprendizagem, construindo seus conhecimentos”.
Por volta de 1920, surgiu o movimento Escola Nova, que tem Lourenço Filho e Anísio Teixeira como grandes nomes, ganhou forma com a criação da ABE (Associação Brasileira de Educação), em que traz palavras chaves para a discussão de educação. Como o aluno como central na escola, democracia no ambiente escolar, reorganização dos componentes curriculares, o pensar a escola como ponte para a construção do indivíduo e do indivíduo na sociedade, discussão sobre liberdade na contramão do autoritarismo vigente.
Porém, não se engane pensando que essas duas grandes categorias são lineares em nossa história. Passamos por diversas “idas e vindas”, e um exemplo disso é o que ocorreu no período do golpe militar de 1964. Nesse momento, a escola se volta ao viés produtivo e estreita laços com a educação voltada ao trabalho, se afastando da ideia de educação para o desenvolvimento integral que ganhou força com o pensamento escolanovista.
Ao longo dos anos, demandas de educação popular, como o Movimento de Educação de Base (MEB) e o Movimento Paulo Freire de Educação de Adultos, que conversam como muitas ideias do Escolanovismo, foram surgindo e deixando sua influência nas concepções de educação. Bem como, a educação inclusiva, educação sexual, educação para a diversidade, dentre tantas outras tendências educacionais.
Esses são marcos da história recente, e vamos deixar essa conversa para outro artigo.
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Referências:
SAVIANI, D. As concepções pedagógicas na história da educação brasileira. Campinas, UNICAMP, Projeto “20 anos do HISTEDBR”, 2005.
