Google pesquisar: texto sobre educação

O ser docente pode ser exaustivo, mas não precisa ser sempre assim. Leia mais nesse texto sobre educação!

Por Juliana Ferro

Fiquei pensando nas vezes em que, angustiada, procurei no Google: texto sobre educação. Angustiada porque demorei a me entender como docente. Docente. Professora. Mediadora, ou qualquer outra forma de referenciar a essa profissão tão importante para a sociedade.

Foram muitos questionamentos: será que vou saber ensinar? Esse é o conteúdo mais importante? O que faço com meu estudante que tem mais dificuldade? Como tornar as aulas mais atrativas com tão pouco recurso?

Não que depois de quase dois anos eu tenha encontrado respostas, mas já consigo elencar, para cada turma que tenho, quais habilidades podem contribuir mais para o desenvolvimento delas. Definitivamente isso não quer dizer que tomo as melhores decisões ou que estou indo pelo melhor caminho, só me permitindo levar para os meus estudantes um misto do que devo, o interesse deles e o que acredito.

Por vezes, o que acredito e o que devo não são a mesma coisa. Considero aqui o que devo ensinar como o que vem no cronograma que recebo todos os bimestres, contando um tempo determinado para cada assunto. Valorizo a importância do currículo e valorizo também minha autonomia para adaptá-lo às demandas dos meus estudantes.

A BNCC traz uma flexibilidade interessante quando foca em habilidades, que me parece uma forma muito coerente de garantir uniformidade no ensino sem comprometer suas particularidades.

Por exemplo, vamos observar uma habilidade na íntegra para o 7º ano em língua portuguesa:

(EF07LP07) Identificar, em textos lidos ou de produção própria, a estrutura básica da oração: sujeito, predicado, complemento (objetos direto e indireto).

Uma habilidade simples de encontrar estrutura básica, deixando em aberto o gênero a ser trabalhado ou até mesmo o assunto.

Agora vamos observar o que recebi no cronograma:

(EF07LP07XX) Identificar, em textos lidos e/ou de produção própria, a estrutura básica da oração: sujeito, predicado, complemento (objetos direto e indireto) ou a quebra desse padrão, considerando as intencionalidades do autor na escolha de uma ou outra estrutura e refletindo sobre o papel da organização sintática na textualização e a na produção de sentido.

A sensação que tive nas primeiras semanas era de que precisaria fazer um intensivão com meus estudantes para ensinar em uma semana o que eles, vindo de uma pandemia, não tinham aprendido até chegar no conteúdo que precisava ensinar naquela semana.

Desespero. Como vou fazer essa conta fechar?

Google pesquisar: texto sobre educação.

Não era uma busca precisa, só precisava saber que eu não estava sozinha. O que eu estava procurando era acalentar meu coração agitado.

Penso que o que me ajudou a encarar essa jornada de forma um pouco mais leve foi ter certeza sobre o que acredito para a educação. Eu, como fruto da escola pública, tenho ocupado espaços que antes não imaginava ocupar e acredito que meus estudantes também podem ocupar.

Entender o que a sociedade espera dessas novas gerações, entender o que eles trazem de perspectiva, é entender que a prática docente está intimamente ligada a alinhar teoria e prática, teoria e vida, realidade. Talvez não seja sobre “dar conta” de tudo que nos é pedido, e sim sobre como dar sentido para tudo isso, ou para parte que for possível de toda a demanda.

Cortella escreve: “A democratização do saber deve revelar-se, então, como objetivo último da Educação Pública, na educação da classe trabalhadora (agora a frequentando em maior número) com uma sólida base científica, formação crítica de cidadania e solidariedade de classe social”. 

Por vezes, o currículo não abrange todas as necessidades, é preciso ir além dele. Ir além não no sentido de agregar mais conteúdo, e sim no sentido de agregar valor ao que é ensinado.

Que o currículo seja nosso aliado e que a gente aproveite o processo ensino-aprendizado. Quer ler sobre algum assunto específico? Escreve para gente, vamos adorar contribuir com a sua jornada.

Referências:

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.

CORTELLA, Mário Sérgio. A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos. Cortez Editora, 2017.

compartilhar

Relacionados

Metodologias ativas e inovadoras: uma ruptura do foco no ensino para o foco na aprendizagem

Como as metodologias ativas podem ser utilizadas para garantir um processo de ensino-aprendizagem mais engajante e significativo? por Joice Andrade       Quadro e giz, (…)

Educação no campo: saberes da terra, vozes do Serrote

Por Lucas Sobreira  No Serrote do Urubu, uma comunidade rural nos arredores de Petrolina, sertão do São Francisco, a educação pulsa entre as pedras, (…)

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS:

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS: O QUE ISSO REVELA SOBRE A REALIDADE BRASILEIRA? por Lucas Kauan N. De Santana No Brasil, a atuação docente (…)

Encontrou o que precisava?

Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!