Está na hora de cuidar da verdadeira casa do professor

Como harmonizar o bem-estar, o cuidado com a casa do professor e as responsabilidades escolares

Durante o ano letivo, muitos professores reclamam da dificuldade em cuidar da própria casa. O tempo é curto para arrumar todos os cômodos e a prioridade acaba sendo corrigir aquela atividade avaliativa ou lançar aquelas notas. Nesse sentido, nós já falamos aqui na Curiós sobre a importância de organizar a sua casa com leveza e consciência. Por sua vez, o problema se repete na escola: salas de aula lotadas, pouco tempo e falta de um espaço específico para o planejamento, ter que dividir os espaços e materiais de trabalho com colegas que nem sempre temos proximidade, etc. E os dias vão passando sem que cada coisa encontre seu lugar. Termina um ano, começa o outro, e o professor já se prepara para enfrentar os desafios do próximo ciclo letivo. Mas será que não é hora de priorizar o cuidado com a verdadeira casa do professor: seu corpo, sua vida?

1. Como anda a sua agenda?

Na correria do dia a dia esquecemos que os momentos de lazer são essenciais para nutrir uma vida saudável e produtiva. Por isso, é essencial estabelecer limites para a nossa prática profissional. Finais de semana, feriados e férias devem ser períodos de descanso e cuidado pessoal e, durante os dias letivos, é importante ter um horário determinado na sua rotina para o trabalho extraclasse, como planejamentos e correções. Além disso, em tempos de mensagens instantâneas, uma boa prática é reservar um momento específico do dia para a leitura e troca de mensagens profissionais. 

Uma outra dica, que pode ser muito valiosa, é estabelecer objetivos pessoais claros e realistas. Muitas vezes deixamos de guardar tempo para alimentar nossos sonhos e planos de vida para além das realizações profissionais e financeiras, o que pode acabar prejudicando a nossa saúde mental. Então, não esqueça de sonhar e correr atrás das suas próprias metas!  

É claro que nada disso é uma receita para uma vida perfeita, mas avaliar sua agenda numa perspectiva de bem-estar é algo que pode contribuir para reduzir o estresse do cotidiano.

2. Priorize seu corpo

Sabemos que o corpo é onde passamos a nossa vida inteira, seja na nossa residência ou na escola, estamos sempre administrando essa que é a verdadeira casa do professor. E por “corpo” eu quero dizer tanto os nossos ossos e músculos, quanto o nosso cérebro e mente. Quando fazemos atividades físicas, como uma caminhada observando a paisagem da cidade, estamos beneficiando a nossa circulação sanguínea ao mesmo tempo em que estimulamos a nossa criatividade. Da mesma forma, quando realizamos uma exposição oral em sala de aula usamos nossa garganta, nossos braços e a nossa memória para fazer com que os estudantes nos entendam da melhor maneira. Portanto, cuidar dessa casa como um todo não deve ser algo secundário, mas uma prioridade pessoal e docente. 

Nos momentos de descanso é importante que cada professor encontre atividades que lhe agradem e que não estejam relacionadas com a prática docente. Alguns vão preferir viajar com a família ou amigos, testar novas receitas, entrar em contato com a natureza, dormir bastante ou jogar jogos e praticar esportes. Contudo, uma boa ideia é tirar um momento para relaxar sem nenhum objetivo ou atividade específica em mente, apenas desfrutar do ócio. Esse descanso pleno pode ser uma oportunidade que damos para o corpo se reorganizar.
Todavia, essa perspectiva de autocuidado não exclui, de forma alguma, uma atenção especializada com a sua saúde física e mental. Se for o caso, buscar acompanhamento médico e psicológico é algo que deve ser feito sem qualquer receio ou tabu.

3. Priorize suas relações

Quando vivemos em uma casa pequena ou movimentada, sair um pouco para passear e arejar as ideias é algo que pode fazer muito bem. Mas muitos docentes gostam de aproveitar o tempo fora da escola para cuidar da casa, enquanto espaço físico, mas também das relações que se desenvolvem nesse lar. Sabemos que muitos professores contam com o afeto dos estudantes e colegas para se fortalecer durante o ano letivo, mas é importante cultivar as relações afetivas para além da sala de aula. Quanto tempo por semana você tem dedicado para aproveitar a presença dos seus amigos e familiares? Essa é uma pergunta que vale a pena se fazer e, a depender da resposta, voltar lá para o começo desse artigo para reavaliar a sua agenda. 

Muitas vezes, por estarem muito ocupados com as responsabilidades do cotidiano escolar, os profissionais da educação tendem a achar que os vínculos sociais vão permanecer saudáveis mesmo sem nenhum reforço. Porém, cultivar os laços afetivos é algo que deve ser priorizado para que as relações sejam significativas e se mantenham como fonte de bem-estar e felicidade.

Por fim, gostaria de propor uma pausa para a autorreflexão: o que acha de tirar um tempinho para arrumar a sua casa de dentro pra fora? Você pode começar anotando seus sonhos pessoais, depois revendo suas prioridades para o ano e, ao final, avaliar o tempo que você reserva para cuidar do seu corpo e das suas relações. Aposto que você vai encontrar muito o que descartar e muita coisa boa para cultivar! Quer ajuda nesse processo? Mande uma mensagem e vamos juntos!
Referências:

Fundação Lemann, entrevista com Wendy Segantim. “Janeiro Branco: como proteger a saúde mental dos professores?”. Janeiro de 2022. Disponível em: <https://fundacaolemann.org.br/noticias/janeiro-branco-como-proteger-a-saude-mental-dos-professores>. Acesso em: 29 dez. 2022.

Porvir, por Ruam Oliveira. “Professor, é hora de descansar e cuidar da saúde mental”. Dezembro de 2022. Disponível em: <https://porvir.org/professor-e-hora-de-descansar-e-cuidar-da-saude-mental/>. Acesso em: 29 dez. 2022.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!