4 dicas para ir além de sua formação acadêmica e reconhecer a importância da função social do professor
A prática docente impõe uma série de desafios, os quais podem englobar, por exemplo: gestão e controle de turmas agitadas, resolução de conflitos entre estudantes, engajamento de turmas apáticas, alunos com doenças de saúde mental e cobranças por resultados em avaliações externas. A formação acadêmica, por vezes, pode até antecipar essas questões de maneira teórica, mas só as conhecemos de fato quando as vivenciamos no dia a dia da sala de aula.
De acordo com uma pesquisa realizada com professores pelo Todos pela educação, 71% dos entrevistados avaliam os cursos de licenciatura como insuficientes. A questão é que a formação acadêmica acaba por apresentar, na maior parte das vezes, uma carga teórica mais expressiva, em detrimento de uma formação prática que permita ao professor acompanhar aulas, refletir sobre as práticas docentes, trocar experiências pedagógicas e ser mentorado. Assim, o professor precisa aprender a lidar com os desafios da sala de aula quando já está dentro dela (Fundação Telefônica Vivo, 2019).
Nesse sentido, a formação acadêmica enquanto formação inicial necessita ser complementada por uma formação continuada. Depois que o professor concluiu seu curso de graduação, ele não pode deixar de continuar se aperfeiçoando. O cenário educacional não é estável, pelo contrário, o perfil e as demandas dos estudantes mudam e a própria sociedade muda, acarretando a necessidade de transformações constantes no processo de ensino e aprendizagem.
Sabemos e reconhecemos que a carreira docente é caracterizada pela desvalorização e pela precarização das condições de trabalho, marcadas por carga horária excessiva e alta cobrança por resultados, sem oferecimento de recursos e infraestrutura adequada para tanto. Ocorre que o professor não pode perder de vista a função social que ele exerce. Ele é como um mediador capaz de traduzir e difundir uma gama de conhecimentos para seus estudantes para que eles possam não só aprender conceitos, definições e regras, mas também compreender o mundo e se entender como parte dele de modo a ter uma atitude ativa e crítica frente aos mais diferentes acontecimentos e questões (CRUZ, 2007).
Isso não quer dizer que o professor precisa realizar uma série de cursos o tempo todo, ou que deve realizar mais de uma pós-graduação ou especialização, se não for do seu interesse. Algumas dicas simples podem te ajudar a refletir sobre sua prática para que você reconheça seu próprio valor e o valor da sua função, e para que busque sempre se aperfeiçoar para melhorar a qualidade do ensino entregue aos seus alunos, que, no fim, são o foco do seu trabalho.
1) Converse com professores e coordenadores da sua rede
A sala dos professores e as reuniões pedagógicas, geralmente, já são momentos em que se comenta e discute sobre as turmas e os alunos, se há algum problema ou algum potencial a ser reconhecido. Mas, se tiver abertura e confiança, aproveite esses espaços para trocar experiências e perspectivas com os professores e coordenadores. Veja se eles têm enfrentando os mesmos desafios que você, se conhecem as suas razões e como têm buscado enfrentá-los. Isso pode te trazer uma maior clareza da sua atuação em sala de aula e te dar ideias para lidar com imprevistos e problemas que podem surgir durante as aulas.
2) Busque formação continuada
Quando estamos na sala de aula, por vezes, sentimos a necessidade de entender com maior profundidade sobre um determinado tema, pode ser desde de como trabalhar com habilidades socioemocionais até como inserir metodologias ativas nas aulas. Assim, busque cursos que atendam a essas demandas. Algumas redes de ensino oferecem formações periódicas e/ou cursos online, mas, se não for o caso da sua rede, existem uma série de plataformas de formação gratuita oferecidas, por exemplo, pelo Instituto Ayrton Senna, pelo Escrevendo o Futuro, pela Vivescer e pelo Itaú Social. Alguns são de curta duração e podem ser conciliados com a rotina do professor. Além disso, algumas instituições divulgam periodicamente formações ao vivo pelo Youtube, como é o caso do Ciclo Aprender e Reaprender ofertado pelo Ensina Brasil. Geralmente, são abordados temas sensíveis do contexto educacional atual, como planejamento de aulas e motivação dos estudantes.
3) Busque materiais que ofereçam dicas práticas para a sala de aula
Uma boa opção de material para aprender a lidar com os mais diferentes desafios da sala de aula é o livro “ Aula Nota 10”, do Doug Lemov. Ele apresenta técnicas, por exemplo, para confirmar se os alunos compreenderam os conceitos ensinados, para criar cultura e rotina com os estudantes, para estruturar a aula, para aumentar a participação dos estudantes e os níveis de discussão de forma oral e escrita, entre outros pontos.
4) Ouça seus estudantes
Se o aluno está no centro do processo de ensino e aprendizagem e o foco das nossas ações está voltado para ele, ele não pode ser desconsiderado no momento de tomar decisões e criar propostas de trabalho dentro da sala de aula. Então, estabeleça maneiras formais de seus estudantes exporem suas opiniões sobre as aulas. Para tanto pode ser fornecido um formulário para eles responderem ao fim de cada bimestre, por exemplo. Isso é uma forma de ouvi-los e entender se as aulas fazem sentido para eles, se eles estão conseguindo acompanhar e compreender o conteúdo e se possuem ideias e sugestões. A percepção dos estudantes é uma boa forma para entendermos se devemos manter ou mudar certas práticas que apresentamos em aula e para continuarmos estimulados a buscar cada vez mais aperfeiçoar nossas aulas. Os alunos são o combustível para o nosso trabalho.
A formação acadêmica é apenas o primeiro passo para nos construirmos como professores. Tal profissão nos exige refletir constantemente sobre nossa prática para aprender com ela e ajustar o que for necessário, pois não podemos esquecer que exercemos como função formar pessoas, e essa não é uma tarefa fácil. É preciso buscar aperfeiçoamento, e esse processo é contínuo.
As formações da Curiós te ajudam na caminhada pelo desenvolvimento contínuo de forma prática e que, de fato, mudam a realidade da sua sala de aula. Quer saber como isso é possível? Mande uma mensagem! Vamos adorar conversar com você 🙂
Referências:
CRUZ, Gisele Barreto da. A prática docente no contexto da sala de aula frente às reformas curriculares. Educar em Revista, Curitiba, n. 29, 2007. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/er/a/xtdbph9XCmYhbVVXnYv7bNp/?lang=pt#>. Acesso em: 19 jan. 2023.
O desafio para a formação de professores no Brasil. Fundação Telefônica Vivo, São Paulo, 06 jun. 2019. Disponível em: <https://www.fundacaotelefonicavivo.org.br/noticias/os-desafios-para-a-formacao-de-professores-no-brasil/>. Acesso em: 19 jan. 2023.
PIROS, Grant. Sparking Change in Teaching Practices. Edutopia, 2019. Disponível em: <https://www.edutopia.org/article/sparking-change-teaching-practices>. Acesso em: 19 jan. 2023.
