Escola do professor

Estratégias para promover o senso de pertencimento e a motivação dos docentes – Por Leonardo Holanda

Os professores são peças fundamentais para a qualidade da educação e para o desenvolvimento dos estudantes. No entanto, para que eles possam exercer essa função com qualidade, é necessário que eles contem com condições adequadas de trabalho, formação continuada e autonomia profissional. Isso passa pelo reconhecimento de cada um, bem como pela democratização da gestão e da garantia de fazer a escola, de fato, do professor. A escola é também do professor. Nesse texto, queremos valorizar esse papel e mostrar como ele pode ser fortalecido.

Como criar um ambiente de aprendizagem que valorize a identidade e a diversidade dos educadores?

Para além da valorização dos professores, outro aspecto fundamental para a qualidade da educação é a autonomia docente. Os professores devem ter liberdade para planejar, executar e avaliar suas práticas pedagógicas de acordo com as necessidades e os interesses dos seus alunos. A autonomia docente também implica na participação ativa dos educadores na gestão democrática da escola, na elaboração do projeto político-pedagógico, na definição do currículo e na organização do trabalho escolar. Nesse sentido, é essencial que os educadores tenham o espaço para se expressarem e usarem ao máximo suas habilidades na escola. Leia o que já escrevemos sobre a valorização dos professores em nosso blog.

A escola é também do professor, e ele deve ter voz e vez nas decisões que afetam o seu fazer pedagógico. A escola é o lugar onde o professor pode expressar sua criatividade, sua sensibilidade e sua competência profissional, contribuindo para a formação integral dos seus estudantes. Sendo assim, uma das formas de valorizar os professores é reconhecer suas competências e saberes, respeitando sua identidade profissional e sua diversidade. Cada professor tem uma história, uma formação, uma experiência e uma forma de ensinar que são únicas e devem ser consideradas na organização do trabalho pedagógico. Eles devem ser ouvidos e consultados sobre as questões que afetam seu trabalho e sua carreira.

Outra forma de valorizar a identidade e a diversidade dos professores é garantir sua autonomia profissional, ou seja, sua capacidade de tomar decisões sobre sua prática pedagógica, de acordo com os objetivos educacionais e as necessidades dos alunos. Os professores devem ter autonomia para escolher os conteúdos, as metodologias e os recursos didáticos mais adequados para cada situação de ensino-aprendizagem, sempre de olho nos documentos e marcos regulatórios. Eles também devem ter o direito de inovar, experimentar e criar soluções pedagógicas que atendam às demandas da sociedade contemporânea.

O papel docente na elevação da qualidade do ensino.

O professor é um dos principais agentes da educação. É ele que planeja, executa e avalia as atividades pedagógicas, orienta os alunos e interage com a comunidade escolar. Ele está na ponta, no chão da sala de aula, sendo o principal elo entre o educando e a educação. O professor tem, portanto, o papel de contribuir para a formação integral dos seus alunos.

“No Brasil se tem observado, recentemente, reflexos desse movimento mundial que coloca o professor como agente primordial para a melhoria da qualidade de ensino, devendo, portanto, ter seu trabalho e sua formação avaliados” (GATTI, 2021). O professor tem um papel fundamental para a elevação da qualidade da educação. Por isso, é preciso avaliar os docentes de forma constante, levando em conta os critérios de qualidade do trabalho pedagógico, que vão muito além da simples realização de tarefas. O objetivo é incentivar a formação e o aperfeiçoamento das práticas educativas, tanto individuais quanto coletivas. Avaliar é atribuir valor, portanto, valorizar é atribuir qualidade, importância, reconhecimento para o trabalho docente.

Oferecer oportunidades de formação continuada, que possibilitem a atualização dos conhecimentos, o aperfeiçoamento das habilidades e o desenvolvimento das competências necessárias para o exercício da docência são formas de potencializar o impacto na educação. A formação continuada deve ser vista como um processo permanente de aprendizagem profissional, que envolve reflexão sobre a prática, troca de experiências com outros educadores, pesquisa sobre temas relevantes para a educação e participação em cursos, oficinas, seminários e outros eventos formativos.

Motivação, valorização e um olhar para o docente.

Professores valorizados se sentem motivados, professores motivados promovem ainda mais a diferença na aprendizagem dos seus alunos. Dar valor ao professor é dar valor à educação, tudo está interligado. A escola do professor é também a sua casa, não só o seu local de trabalho, nela ele cria vínculos, motiva, escuta, orienta, ajuda, ensina. Um olhar diferenciado para o docente é um aspecto fundamental para o desenvolvimento do seu trabalho e, por consequência, da educação. O professor é o agente que promove o aprendizado, a interação e a transformação dos alunos. Por isso, é preciso reconhecer o seu papel, as suas dificuldades e as suas necessidades. Um docente motivado, capacitado e valorizado pode fazer a diferença na qualidade do ensino e na formação dos cidadãos.

Em suma, os professores são agentes fundamentais para a transformação da educação e da sociedade. Para que eles possam cumprir essa missão com qualidade e eficiência, é preciso que eles sejam valorizados em todos os aspectos: salarial, profissional e pessoal. Isso implica em garantir que eles tenham o espaço para se expressarem e usarem ao máximo suas habilidades na escola. Isso implica em fazer da escola um lugar do professor.

Como essa reflexão gera transformações no seu dia a dia? Compartilhe com a gente!

Referências 

GATTI, B. A. O trabalho docente: avaliação, valorização, controvérsias. [s.l.] Autores Associados, 2021.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!