Motivação na escola: Perspectivas e estratégias para promover o engajamento

Caminhos para entender a motivação na escola, impacto da motivação da equipe no engajamento escolar e exemplos de estratégias para fortalecê-la – Por Juliana Ferro

Precisamos conversar sobre motivação. Temos muitas ideias do que significa motivação e, no geral, quando falamos de motivação no ambiente escolar nossa mente automaticamente se conecta com os estudantes, mas dessa vez vamos falar sobre a equipe escolar. Hoje nossa conversa vai abordar três eixos. O primeiro, pontos para entender a motivação. Segundo, como a motivação da equipe escolar pode afetar o engajamento deles na rotina escolar e, por fim, também, vamos trazer alguns exemplos para fortalecer a motivação na escola.

Para entender melhor o fator motivação, recorremos à literatura em psicologia. Primeiro é importante pontuar que a motivação, por ser um campo de estudo vasto, tem diversas possibilidades e é uma parte muito subjetiva e pessoal de cada indivíduo. Não pretendemos aqui esgotar o assunto ou trazer “verdades”, temos o objetivo de trazer caminhos que propiciem um entendimento sobre o tema.

Uma das teorias que simplificam esse entendimento é a de Edward L. Deci e Richard M. Ryan (1985), em que os autores trazem a teoria da autodeterminação. Nessa teoria existe uma maior relevância da motivação intrínseca em relação à extrínseca. Sendo a primeira a motivação de questões pessoais, que vem de um interesse próprio do indivíduo, de seus valores e aspirações, enquanto a motivação extrínseca vem do externo, do medo de punições ou com o propósito de recebimento de recompensas. A grosso modo, podemos dizer que a motivação extrínseca é mais frágil e facilmente modulada, enquanto a motivação intrínseca é mais complexa e enraizada no indivíduo.

A motivação intrínseca está diretamente ligada ao engajamento de um indivíduo em alguma atividade. Considerando o ambiente escolar, não podemos esperar engajamento apenas por parte dos estudantes. A equipe escolar precisa estar envolvida em suas atividades para que essas sejam executadas da melhor maneira. Entendo que, para que os objetivos da escola apenas sejam alcançados, todo seu funcionamento deve estar voltado ao cumprimento de processos eleitos como fundamentais para a chegada aos objetivos.

Uma equipe escolar que tem sua motivação intrínseca alta, tende a estar envolvida com maior afinco em suas tarefas, não pelo medo de ser chamado atenção, ou por uma possível promoção e, sim, por acreditar no trabalho que executa e ter visibilidade do impacto que suas ações tem.

Para tanto, considerando a teoria da autodeterminação, é preciso ter atenção com pontos para favorecer o desenvolvimento da motivação intrínseca das equipes. São eles:

  • Autonomia

Diz respeito a como o indivíduo se sente com a tomada de decisão no cotidiano, essas decisões precisam estar alinhadas aos seus valores e com algum grau de independência. 

Esse ponto pode ser desenvolvido pelos gestores dando a sua equipe autonomia para a resolução de problemas, descentralizando a tomada de decisão. Uma boa estratégia é registrar em atas de reunião quem ficou responsável por resolver determinado assunto, assim, toda equipe toma ciência de quem é o responsável por aquela ação e sabe a quem recorrer em caso de alguma dúvida ou necessidade.

  • Competência

Diz respeito à necessidade do indivíduo de se sentir capaz de fazer algo com base em suas competências e habilidades. 

Esse ponto pode ser desenvolvido a partir da sensibilidade dos gestores em perceber as habilidades dos componentes de sua equipe e assim dar a eles tarefas estratégicas considerando essas habilidades. Nesse caso a ata também é um bom aliado e deve ser anotado também um prazo para a execução de tarefas específicas.

  • Relacionamento

Diz respeito às relações desenvolvidas entre os membros da equipe. Esse é um fator crucial para o desenvolvimento de um bom trabalho: uma equipe congruente reforça a sensação de pertencimento e conexão entre o time.

Esse ponto pode ser desenvolvido através de encontros com menor formalidade dentro da escola, um café colaborativo, um almoço entre os turnos escolares, o incentivo de trabalhos conjuntos entre professores. Até experiências extraescolares podem favorecer o relacionamento da equipe.

Lembrando que um ambiente com relações saudáveis são fundamentais para o bem estar e saúde mental da equipe e dos estudantes.

No mais, grandes aliados da motivação dos colaboradores são ações como: comunicar e delegar. Sua equipe precisa saber que você confia nela, cada um precisa desenvolver ou descobrir que já tem habilidades para tomar decisões de forma autônoma e também se sentir parte da comunidade escolar, assim será possível o fortalecimento da motivação na escola.

Agora, conta para a gente se esses pontos fazem sentido para você e quais outras ações você faria para desenvolver a motivação intrínseca da equipe, você pode entrar em contato por aqui

Referência bibliográfica:

Deci, E. L.; Ryan, R. M. Intrinsic Motivation and Self-Determination in Human Behavior. New York: Plenum Press, 1985.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!