Inovação e educação

7 habilidades que podem ser desenvolvidas para a geração de inovação na educação – por Marina Queiroz 

O carro, o computador, a criação de um modelo pedagógico. Inovação é oriunda das palavras mudança e renovação. A mudança do sistema de comunicação, de transporte, e até mesmo do sistema de educação ocorreu através de pessoas que pensaram fora da caixa e que inovaram o modo de fazer alguma coisa. A inovação é disruptiva. 

As inovações estão no nosso cotidiano em uma relação passado, presente e futuro. Se pensarmos que há 20 anos a velocidade da internet, a usabilidade do celular e do computador eram totalmente diferentes do que é hoje, no presente, e que provavelmente em 10 anos a tecnologia proporcionará muitos outros instrumentos e formas de se relacionar com o meio virtual, podemos compreender a inovação em uma relação temporal. 

Na era da informação em que vivemos, da indústria 4.0, da inovação, rapidez e da urgência, as incertezas nos rondam e tateamos o desconhecido. Tudo muda muito rapidamente e em todas as áreas profissionais, algumas mais, outras menos. Para viver nesse mundo, precisamos de adaptabilidade e de muita resiliência para lidar com o novo constantemente. 

Não é apenas na tecnologia que as inovações são pensadas e produzidas, na educação comumente observamos profissionais que inovam a forma de dar aula, de gerir, de coordenar uma escola ou mesmo uma rede de escolas que conseguem produzir resultados diferenciados por agir de maneira disruptiva. 

Para produzir inovação você não precisa a todo momento criar um novo chip ultramoderno. Agir com humanidade e com sensibilidade em um contexto hostil, em que a tendência é a ação com frieza e por impulso, pode ser inovador em dado local ou conjuntura. Atualmente, a inovação é ampla, aberta, e pode ter inúmeros significados e adotar diferentes formas a depender do contexto. 

A inovação, principalmente, quando pensamos na inovação em sistemas sociais, depende de muitas pessoas pensando juntas. Olhares e ouvidos atentos, escutar diferentes propostas, construir coletivamente e quanto mais diversidade está presente em um grupo, melhor fica. 

A criatividade caminha lado a lado com a inovação. Quando temos diferentes olhares sobre o mesmo ponto, a chance de identificarmos as perspectivas de todos esses pontos e propormos soluções mais eficientes e criativas aumenta consideravelmente. 

Se você está em uma posição de liderança na educação e identifica alguns problemas que precisam ser resolvidos, você pode utilizar todo o seu potencial e dos seus liderados, para juntos proporcionar soluções eficientes. Inovação é fazer algo de forma diferente e, se o resultado é positivo e esse problema não é apenas seu ou de um grupo, pode ter efeitos transformadores para a sociedade. E, fique tranquilo, você não precisa fazer isso sozinho. Você e o seu time podem ter habilidades e competências desenvolvidas para essa tarefa de produzir inovação. Abaixo temos 7 habilidades que podem ser trabalhadas para isso: 

– Adaptabilidade: É aprender a se adaptar a diferentes ambientes, conjunturas, pessoas. Como exemplo: no período de pandemia, a conjuntura mudou e foi preciso muita adaptabilidade para superar os desafios oriundos desse momento histórico.

– Resiliência: É a capacidade de se adequar e adaptar às mudanças que ocorrem no ambiente externo (ou interno) e que saem do controle. Vivemos em uma era em que as mudanças são rápidas e constantes. 

– Criatividade: Criar, inovar, inventar formas diferentes de fazer algo. A criatividade pode ser utilizada em qualquer área, não apenas no campo artístico. A criatividade e a inovação caminham lado a lado. 

– Escuta ativa: Escutar o outro, de verdade, sem internamente já preparar respostas e contestações. É estar presente para escutar ativamente o que o outro diz. Quanto mais escutar ativamente diversas opiniões sobre um tema, mais você consegue trabalhar soluções amplas, criativas e inovadoras. 

– Empatia: Sensibilidade para se colocar no lugar do outro para considerar o que ele sente e ter respeito por essas diversas formas de sentir e ser. 

– Conhecimento: A busca por conhecimento precisa ser constante. Manter-se atualizado/a sobre novos estudos, pesquisas, metodologias auxilia e muito no processo de inovação. 

– Pensamento à frente: Em 20 anos, como serão as escolas? Com conhecimento, criatividade, resiliência, empatia, escuta ativa é possível prever ou mesmo criar uma nova forma de educar? Ou de gerir as escolas? Você não precisa pensar em mudar o mundo ou o Brasil. Pode, simplesmente, mudar o que está ao seu alcance. Percebe um ou vários problemas que são passíveis de solução? Ao invés de somente esperar a mudança e a inovação chegar até você, você também pode ser produtor/a dessas transformações. 

Todas essas habilidades (técnicas e socioemocionais) podem ser desenvolvidas e aprimoradas com cursos, formações, acompanhamento de profissionais especialistas e através de leituras e estudos. Para além do desenvolvimento dessas habilidades uma dica importante para a produção de inovação na educação é realizar a gestão da mudança em conjunto com os seus liderados, ter planos A, B, C e D, mas, estar preparado para caso as externalidades mudarem a conjuntura e for necessário alterar a rota. 

Precisa de uma ajudinha? Entre em contato, a Curiós pode te ajudar!

Referências:

MESSINA, Graciela. Mudança e inovação educacional: notas para reflexão. Cadernos de pesquisa, p. 225-233, 2001.

MEIRA, Luciano; PINHEIRO, Marina. Inovação na escola. Proceedings of SBGames, p. 42-47, 2012.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!