Currículo escolar: como cumprir, dicas para professores

Estratégias para enfrentar as demandas e pressões do currículo escolar – por Júnia Bicalho

Professores, preparem seus escudos e espadas! A missão de cumprir o currículo escolar pode parecer um dragão feroz, cuspindo fogo e exigindo sacrifícios épicos. O volume de conteúdos a ser abordado, as metas de desempenho e a pressão por resultados podem gerar uma grande ansiedade. Mas, como em toda boa aventura, a chave para o sucesso reside na estratégia e na visão além do óbvio. Para dicas de como conseguir vencer essa batalha e atingir esse objetivo que muitas vezes parece inalcançável, vem comigo!

O currículo escolar, em sua forma bruta, pode parecer um labirinto de conteúdos e disciplinas, mas tomando como referência a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as competências gerais são um convite para pensar além do currículo padrão. Elas nos convidam a cultivar nos alunos habilidades que vão além do usual e alcançam setores como comunicação, pensamento crítico, cultura digital, autoconhecimento e autocuidado, empatia, cidadania, entre outros aspectos. Além disso, é necessário que o currículo discuta a sociedade na qual os alunos estão inseridos [1], pois não podemos nos esquecer que estamos não apenas garantindo aprendizagens essenciais, mas também, formando cidadãos conscientes para enfrentar os desafios da sociedade contemporânea. 

Na prática, no entanto, tudo se torna mais complexo, afinal, estamos lidando com dezenas, centenas de estudantes, cada qual com suas particularidades. Essa tarefa se torna ainda mais desafiadora quando temos uma grande porção de estudantes com defasagens no aprendizado, o que não é raro de ser visto, principalmente no contexto pós-pandêmico [2]. Por isso, preparei algumas estratégias para auxiliá-lo nesse processo, mas desde já, saliento que não são soluções e muito menos definitivas, pois eu, professora de escola pública, também estou lutando essa batalha e descobrindo dia após dia a melhor forma de vencê-la. 

Estratégias práticas:

  1. Planejamento estratégico e flexível: comece, portanto, definindo os objetivos de aprendizagem para cada período, destacando os conhecimentos essenciais e a(s) competência(s) geral(is) que podem ser desenvolvidas junto ao conteúdo. Tenha clareza sobre os resultados esperados, mas esteja preparado para ajustar seu plano de ensino de acordo com o progresso e o ritmo de cada turma ou, ainda, de cada aluno. Além do mais, a flexibilização do currículo é fundamental, pois o currículo formal serve como um guia para as práticas cotidianas que acontecem em cada escola e em cada turma [2].
  2. Aprendizagem ativa: abrace metodologias que coloquem os alunos no centro do processo, como projetos, debates e jogos. Pois essas atividades vão auxiliar no desenvolvimento das competências sócio-emocionais ao mesmo tempo em que podem trabalhar o conteúdo de forma bastante significativa, promovendo o aumento da participação e engajamento. Aprendizagens ativas tornam o processo mais dinâmico e envolvente para os alunos.
  3. Ensino interdisciplinar: em seguida, aproveite a abordagem interdisciplinar para conectar diferentes áreas do conhecimento. Projetos que integrem várias disciplinas podem tornar o aprendizado mais significativo e contextualizado, além de estimular o pensamento crítico e a criatividade dos alunos. Para isso, conte com colegas que estejam abertos e buscando atingir objetivos semelhantes,  promovendo um ensino colaborativo e integrado.
  4. Tecnologia como aliada: além disso, utilize as ferramentas tecnológicas a seu favor. Plataformas digitais, aplicativos educativos e recursos online podem enriquecer o ensino, tornando-o mais dinâmico e acessível. A tecnologia também pode facilitar a personalização do aprendizado, atendendo às necessidades individuais dos alunos.

Avaliar e colaborar

Avaliação formativa: invista em práticas de avaliação formativa, que acompanham o progresso dos alunos de forma contínua. Feedbacks regulares e construtivos são fundamentais para identificar dificuldades e ajustar o ensino, garantindo que todos os alunos alcancem os objetivos propostos. A avaliação formativa permite um acompanhamento mais preciso, um ensino mais direcionado às necessidades de cada aluno e um acompanhamento mais próximo e eficaz do desenvolvimento de cada um.

    Trabalho em equipe: por fim, una-se também aos pais e comunidade para fortalecer a jornada de aprendizagem. Compartilhando ideias, desafios e conquistas criando uma rede de apoio que beneficia a todos. O trabalho colaborativo promove um ambiente mais rico e diversificado de aprendizado, onde todos contribuem para o sucesso educacional dos alunos.

      Considerações finais

      Cumprir o currículo escolar é, sem dúvidas, um desafio, mas ao lembrar que fazemos parte do processo de formação de indivíduos, a jornada se torna mais significativa e gratificante. Ao integrar práticas que valorizam as competências socioemocionais e interpessoais, podemos criar um ambiente de aprendizagem mais equilibrado e enriquecedor para todos. Lembre-se, portanto, a educação vai além dos conteúdos acadêmicos; trata-se de preparar os alunos para a vida.

      E agora, convido você a refletir: como podemos transformar os desafios do currículo em oportunidades de crescimento e desenvolvimento para nossos alunos? Compartilhe conosco suas experiências e, por que não, seus anseios. Juntos vamos mais longe!

      Referências

      [1] FREITAS, Aline Zorzi Schultheis de; PINTO, Alline Penha; PIMENTA, Jussara Santos. A construção do currículo e os desafios da escola na sociedade contemporânea. Revista Educação Pública, v. 21, nº 17, 11 de maio de 2021. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/21/17/a-construcao-do-curriculo-e-os-desafios-da-escola-na-sociedade-contemporanea. Acesso em: 03/07/2024.

      [2] GUIA DE IMPLEMENTAÇÃO DOS CURRÍCULOS ALINHADOS À BNCC PARA EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL. [s.l: s.n.]. Disponível em: <https://observatorio.movimentopelabase.org.br/wp-content/uploads/2022/02/guia-de-implementacao-final.pdf>. Acesso em: 04/07/2024.

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      Laura Marsiaj Ribeiro

      Fundadora e CEO

      Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!