Desenvolvendo parcerias:

Colaborações entre a escola, a comunidade e empresas locais para viabilizar ações de apoio, por Juliana Ferro

A discussão sobre a participação da comunidade no ambiente escolar é uma crescente. É indiscutível que para tornar a escola um ambiente acolhedor e que inspire pertencimento, precisamos abrir espaço para que a comunidade faça parte desse ambiente. E trabalhar desenvolvendo parcerias tem tudo haver com isso.

Nesse texto quero falar sobre a participação dessa comunidade para além do viés de tomada de decisão e participação estética. Porém, quero trazer aqui um olhar para pensar as potencialidades do entorno da escola, sejam os participantes da comunidade local, o comércio, as instituições religiosas, entre outros. 

Desenvolvendo parcerias, um relato pessoal

Vou começar contando uma história, estava desenvolvendo um projeto de revitalização de uma biblioteca escolar. Um espaço com um acervo riquíssimo, adequado para receber alunos, porém, quase não era utilizado por falta de organização. Em conjunto com um colega de trabalho, montamos um projeto para repensar a identidade daquele espaço. Primeiramente, convidamos os estudantes para se inscreverem para participar do projeto, faríamos leituras e organizaríamos a biblioteca. Por fim, um dia recebo uma mensagem, era uma responsável se oferecendo para fazer camisas para o projeto colocando a logo da sua loja na parte de trás. 

Me lembrei que boa parte das camisas de times amadores e profissionais de futebol é feita dessa forma. Com a logo do time e espaço para propaganda, mas confesso que não tinha pensado nesse tipo de parceria para esse projeto (o que seria uma perda).

E a questão da propaganda? Eu sei que esse é um assunto delicado e essa é a forma mais simples de fazer parcerias, mas existem outras, e existe também a possibilidade de parcerias voluntárias, ou seja, uma relação unilateral de ganho.

Calma, que eu tenho outro exemplo que pode facilitar. Sabe aqueles cartazes em que os mercados anunciam os preços dos produtos? 

Aquele material que no geral vai para o lixo pode virar um cartaz de atividades na escola, ao invés da famosa cartolina, utilizar a parte de traz desse cartaz de mercado, por exemplo. Na creche que já citei aqui algumas vezes, essa parceria com o mercado local possibilitou inúmeros murais e atividades sem preocupação com a escassez de recursos.

Outra possibilidade é pensar que lojas com grandes movimentações acabam descartando papelão e até outros materiais que serviam apenas para o transporte de produtos. Nesse sentido, esse material pode virar recursos riquíssimos no espaço escolar, se transformando em  escultura, painel, cenário de contação de história, e por aí vai.

Desenvolvendo parcerias, para além de recursos materiais

Mas as parcerias não se limitam a recursos materiais, elas podem se estender a serviços também. Lembro que quando estava no ensino médio a escola em que eu estudava promoveu um grande mutirão de limpeza e convidou toda a comunidade a participar, era um CIEP (Centros Integrados de Educação Pública) com muitas pichações, portas quebradas e inúmeros reparos a serem realizados. Por causa desse momento, tivemos um responsável que colocou as portas do banheiro do lugar. Que alívio que foi. Esse era um reparo extremamente necessário, porém sempre que nós, estudantes, falávamos sobre ele, sempre ouvíamos que não tínhamos recursos para resolver.

Outra alternativa é a parceria com espaços religiosos. Observando a quantidade desses espaços espalhados pelos territórios, podemos considerar esses potenciais parceiros. Portanto, seria possível pensar em parcerias para o uso do espaço físico dessas organizações. Além disso, dar preferência para estudantes em cursos livres oferecidos por elas, como libras ou corte de cabelo. Ou até mesmo pensar em workshops dentro do espaço escolar fornecidos por essas organizações.

Desenvolvendo parcerias com a comunidade local

Não estou desconsiderando aqui a necessidade de considerar questões de vínculo e segurança, mas ainda sim, é possível contar com o apoio desta comunidade para alavancar as ações da escola. 

Um ponto de partida para estabelecer parcerias é fazer a comunidade local entender a importância da escola. Nesse sentindo, as autoras Reali e Tancredi (2005) trazem a importância de promover espaços de trocas entre a comunidade e a escola. Elas apresentam uma experiência com o dia da família na escola, em que aconteciam dinâmicas e discussões sobre o que era estudado na escola. Esse tipo de evento aproxima a comunidade da escola e cria possibilidades mais concretas para o estabelecimento de parcerias para ações futuras.

Me conta, que outras ações você já conhece ou pensou depois desse texto que podem agregar na entrega de qualidade educacional?

REFERENCIAL TEÓRICO

REALI, A. M. DE M. R.; TANCREDI, R. M. S. P.. A importância do que se aprende na escola: a parceria escola-famílias em perspectiva. Paidéia (Ribeirão Preto), v. 15, n. 31, p. 239–247, maio 2005.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!