Ferramentas e considerações para incorporar a cultura digital no ambiente escolar e favorecer o desenvolvimento de competências digitais, por Juliana Ferro
Esse texto é sobre um tema cada vez mais presente em nosso cotidiano: a cultura digital. Atualmente, estamos constantemente conectados e interagindo em ambientes digitais que redefinem como aprendemos e compartilhamos conhecimento. No entanto, precisamos refletir: estamos realmente aproveitando essas oportunidades para enriquecer a educação?
Neste contexto, este artigo explora o conceito de cultura digital e propõe estratégias para que as redes educacionais transformem essa cultura em uma aliada poderosa no processo de aprendizagem. Para isso, precisamos entender o que é, de fato, essa tal cultura digital.
O que é cultura Digital?
De acordo com Melo e Boll (2014), a cultura digital refere-se à circulação do conhecimento na sociedade, e as novas tecnologias facilitam essa circulação. Ou seja, não dependemos mais de mídias que exigem ampla logística para levar uma informação ao outro lado do mundo. Além disso, esse fenômeno permite que crianças de áreas remotas compartilhem gírias e preferências com aquelas de grandes centros urbanos, evidenciando, assim, um processo de descentralização do saber.
Por que a cultura Digital importa?
Essa circulação do conhecimento não apenas democratiza o acesso à informação, mas também promove a criação e a inovação. Consequentemente, isso gera novos saberes que enriquecem o contexto educacional. Pensando nisso, educadores e gestores devem desenvolver competências que possibilitem o uso adequado e eficiente de algo que já está disponível.
Neste sentido, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) inclui a cultura digital como uma competência geral e também um eixo específico, no qual os educadores devem preparar os estudantes para um mundo digitalizado, promovendo o famoso letramento digital. Contudo, para desenvolver essas competências, escolas e professores precisam adotar uma abordagem proativa, integrando tecnologias digitais ao processo de ensino e aprendizagem de forma eficaz e consciente.
Além disso, Melo e Boll (2014) destacam as tecnologias móveis como ferramentas essenciais para a aprendizagem em qualquer lugar e a qualquer momento. Como exemplo, os autores apresentam a plataforma “Fábrica de Aplicativos” como um excelente recurso para integrar essas tecnologias ao currículo escolar. Essa plataforma permite que os usuários criem aplicativos para smartphones (apps) de forma rápida e intuitiva, sem a necessidade de programar em alguma linguagem, o que incentiva não-especialistas a colocar suas ideias em prática e disponibilizá-las no ciberespaço.
Esses são alguns exemplos de aplicativos educacionais que podem ser utilizados integrados ao currículo:
Nutrilegal: Este aplicativo é projetado para proporcionar informações nutricionais de maneira interativa, ajudando na educação sobre alimentação saudável.
E-Cordel: Focado na disseminação de um gênero literário popular, este aplicativo facilita o acesso e o envolvimento com a cultura local.
Khan Academy Kids: Por meio de atividades interativas, esse app propõe que as crianças aprendam de um jeito divertido e incentiva o desenvolvimento da linguagem e leitura, além de ser possível preparar um conteúdo personalizado para cada aluno.
Estratégias que favorecem a disseminação da cultura digital nas redes de educação:
Para implementar de fato a cultura digital nas escolas, podemos adotar algumas estratégias que favorecem sua disseminação nas redes de educação. Abaixo, destacamos três ações importantes:
Capacitação de Educadores: Em primeiro lugar, é essencial investir na formação contínua dos professores para que possam utilizar tecnologias digitais de forma eficaz. Isso inclui treinamentos específicos em ferramentas digitais e pedagogias inovadoras.
Infraestrutura Tecnológica: Além disso, é imprescindível, assegurar que as escolas tenham acesso a equipamentos e conexões de internet adequadas é fundamental. Sem essa infraestrutura, é impossível implementar qualquer estratégia de integração digital.
Parcerias Comunitárias: Por fim, estabelecer parcerias com a comunidade e empresas locais pode fornecer recursos adicionais e apoio técnico, facilitando, assim, a implementação de tecnologias digitais nas escolas.
Portanto, devemos enxergar a cultura digital como uma oportunidade para inovar e enriquecer a educação. Ao integrar efetivamente essa cultura por meio de estratégias adequadas, as escolas não apenas melhoram o ambiente escolar, mas também preparam os alunos para enfrentar os desafios futuros de um mundo cada vez mais digitalizado.
Agora, me conta, o que você enquanto gestor municipal/estadual faria para garantir que a cultura digital seja uma força positiva e inclusiva no processo de aprendizagem dos nossos estudantes?
Referência
Melo, R. S., & Boll, C. I. (2014). Cultura Digital e Educação: Desafios Contemporâneos para a Aprendizagem Escolar em Tempos de Dispositivos Móveis. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
