Enfrentando desafios educacionais: combate à evasão e ao déficit de aprendizagem

Estratégias para fortalecer a permanência dos alunos e melhorar a qualidade da aprendizagem nas Instituições de ensino, por Juliana Ferro

Que a educação é um pilar fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade justa e igualitária não é uma novidade. No entanto, para garantir nossa caminhada para alcançar isso precisamos superar a evasão escolar e o déficit de aprendizagem.

Esses são problemas que afetam milhares de estudantes, comprometendo não apenas o seu futuro, mas também o progresso educacional e social do país. 

Neste texto, quero sensibilizar e informar sobre algumas causas dessas questões, além disso, apresentar estratégias que podem ser implementadas para combatê-las.

Começa no desafio da permanência

Vamos começar pelo desafio da permanência. Primeiro, é importante diferenciar abandono escolar de evasão escolar. Apesar de parecidos, o abandono caracteriza a saída do estudante da rede, ou seja, não se tem notícias sobre esse estudante por um longo período. Já a evasão escolar é quando o estudante permanece vinculado, porém, está mais ausente do que presente. O famoso “aluno turista”.

A evasão e o abandono podem acontecer por diversos motivos, falta de motivação, falta de apoio educacional, dificuldade de aprendizagem, desafios no relacionamentos dentro e fora da escola, dificuldades de acesso às dependências da escola, necessidade de trabalhar, entre tantos outros. O que resulta, portanto, no estudante afastado da escola o que se traduz na diminuição de suas possibilidades de desenvolvimento dentro da sociedade em que vivemos.

Sabemos também, que nosso sistema educacional apresenta dificuldade de avançar em relação ao aprendizado dos estudantes que permanecem na escola. Ou seja, alguns estudantes que frequentam a escola regularmente enfrentam altos índices de déficit de aprendizagem. Além dos dados quantitativos disponíveis atualmente através do SAEB, com base na minha experiência pessoal, já encontrei estudantes no 8º ano que não haviam sido alfabetizados, no 6º ano já era considerado comum.

Minha pergunta era sempre: Como chegaram até aqui? Mas esse é assunto para outro texto.

Assim como a evasão, o déficit de aprendizagem também pode ter muitos motivos, a motivação é um deles, falta de sentido no conteúdo apresentado, dificuldade de entender a linguagem que está sendo comunicada, também podem haver fatores cognitivos envolvidos, além de fatores emocionais e sociais.

Estratégias de combate à evasão:

Pensando, então, em mitigar esses problemas, o Instituto Ayrton Senna mapeou algumas estratégias de retenção, que podem ser adotadas a nível professor, coordenador e secretarias e algumas delas estão sendo adotadas pelo governo federal:

Programas de apoio financeiro: Bolsas para alunos de baixa renda no ensino médio, conforme sugerido pelo Ministério da Educação. O pé de meia é um exemplo dessa estratégia, você pode ler mais a respeito aqui mesmo no blog no texto Pé de meia: dinheiro na conta para quem fica na escola.

Pactos estaduais: O Pacto Estadual pelo Enfrentamento à Infrequência, ao Abandono e à Evasão Escolar (PEEIAE) é um acordo entre estados para diagnosticar e planejar ações contra a evasão escolar, já adotado por Rio de Janeiro e Minas Gerais. Que prevê o engajamento da comunidade e da família para mitigar esse problema.

Programas de suporte: Oferecimento de mentoria e tutoria para acompanhamento personalizado de estudantes em risco. As mentorias podem envolver agentes da própria comunidade escolar e as tutorias podem contar com a participação de outros estudantes.

Conscientização da comunidade: Sensibilização da comunidade sobre a importância da educação para apoiar a permanência dos alunos. O engajamento está intimamente ligado à compreensão da importância de algo, por esse motivo o diálogo com a comunidade é tão necessário.

Parcerias locais: Colaboração com empresas para oferecer estágios e oportunidades de aprendizado, incentivando a continuidade dos estudos. As parcerias são importantes tanto para o incentivo na entrada dos estudantes no mercado de trabalho, quanto para enriquecer a experiência dos estudantes durante seu percurso escolar. Você pode ler sobre esse assunto aqui no blog no texto: Desenvolvendo parcerias: Engajamento da comunidade para fortalecer o ambiente escolar

Outras estratégias:

Conexão Escola-Jovem: Promoção de temas que interessem os estudantes, conectando a educação com suas vidas para aumentar o engajamento. É fundamental, portanto, conhecer seus estudantes para compreender seus pontos de interesse e procurar trazer esses interesses para dentro da escola. No texto Estratégias para seleção de conteúdos educacionais você vai encontrar dicas de como planejar uma aula que engaje seus estudantes.

Educação integral: Abordagem que busca desenvolver os estudantes além do intelectual, considerando também os aspectos físico, emocional, social e cultural, por fim, acaba tornando a escola mais atraente e relevante.

Aprendizagem adequada: Garantir alfabetização e aprendizado nos primeiros anos do Ensino Fundamental para facilitar a continuidade dos estudos. Garantir o aprendizado dos estudantes, do básico ao mais complexo, de acordo com o tempo previsto, é também assegurar o desenvolvimento contínuo desse aluno ao longo de seu percurso formativo.

Busca ativa: Esse poderia dizer que é a ferramenta mais conhecida quando falamos de evasão/abandono. Monitoramento para identificar estudantes em risco de abandono e atuação preventiva. Esse acompanhamento contínuo do comportamento dos estudantes em relação a frequência pode contribuir para medidas que impeça o abandono antes mesmo que ele aconteça, bem como resgatar aqueles que já estão em situação de abandono. No texto Busca ativa escolar: como garantir a permanência dos estudantes na escola? Você pode ler alguns exemplos da aplicação dessa estratégia.

Considerando o déficit de aprendizagem:

As estratégias acima mapeadas também contribuem para diminuir os problemas de aprendizagem, à medida que a garantia da frequência permite que os estudantes tenham acesso aos seus direitos. Mas tem um ponto específico em relação ao déficit de aprendizagem que não diz respeito aos estudantes, e sim, aos professores.

A garantia de uma formação adequada aos professores, em que possam desenvolver suas técnicas de ensino e se manter atualizado sobre tendências e recursos educacionais, então é um ponto central para assegurar a aprendizagem.

Junte-se a nós nessa missão de transformar a educação! Compartilhe suas ideias e experiências sobre como podemos juntos combater a evasão escolar e promover um aprendizado mais eficaz. Você pode começar compartilhando esse texto com outras pessoas.

Referência bibliográfica:

INSTITUTO AYRTON SENNA. Abandono escolar. Disponível em: https://institutoayrtonsenna.org.br/abandono-escolar/ . Acesso em: 29 abr. 2025.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!