Professores e alunos podem usar uma estratégia do teatro para cultivar a curiosidade em trabalhos em grupo
Se você está procurando uma maneira de engajar seus alunos e ajudá-los a se inserirem com facilidade em uma comunidade de aprendizado com trabalhos em grupo, as três frases a seguir podem oferecer uma ferramenta maravilhosa para começar o dia ou o período de aula:
- “Eu observo…” (o que pode ser visto)
- “Percebo…” (lendo além do que pode ser visto)
- “Eu me pergunto…” (com curiosidade)
Adaptado de uma das abordagens de atuação de Eric Morris, Observar, Perceber, Perguntar é uma experiência de trabalhos em grupo que pode ser utilizada na sala de aula com vários objetivos de aprendizagem, bem como para reduzir o estresse, focar a atenção, ajudar os alunos a se conectarem com os outros, e criar um ambiente de aprendizagem positivo.
O exercício pode ser usado no início da aula, talvez após uma técnica simples de relaxamento, como essa trilha meditativa disponível no nosso canal, para permitir que os alunos abandonem suas distrações, se autorregulem e entrem no momento presente.
A melhor maneira de apresentar essa atividade aos alunos é mostrando o exemplo. Convide um aluno para ser seu parceiro e peça-lhe que fique na sua frente. Enquanto os alunos estão de frente um para o outro, o professor começa primeiro e diz uma coisa que eles observam sobre o aluno (“Observo que você tem olhos castanhos”), depois algo que eles percebem sobre o aluno (“Percebo que você está pensativo sobre o sentimentos dos outros”) e termina com algo que eles se perguntam sobre o aluno (“Eu me pergunto qual será o foco de sua próxima tarefa da nossa aula de português”).
O aluno então repete a atividade sobre o professor. Pode ser útil lembrar aos alunos que os comentários devem considerar os outros e seus sentimentos (nada de julgamentos e comentários maldosos, por favor). Para saber mais detalhes sobre o engajamento e respeito em trabalhos em grupo, confira esse outro post!
Ao pensar sobre coisas que imaginam, é muito importante que os alunos se sintam seguros para serem curiosos, porque a curiosidade nos leva à autoconsciência. Como você forma os pares depende do seu julgamento profissional. Você pode pedir aos alunos que selecionem um parceiro, voltem-se para a pessoa ao lado deles ou escolham os pares. É recomendado variar nos métodos, assim o professor permite que os alunos se conheçam mais, saiam de sua zona de conforto e abram esse diálogo com outra pessoa nos trabalhos em grupo. O clima da aula muda para um ambiente mais calmo, o que incentiva a prontidão dos alunos para se envolverem no aprendizado que se segue.
Essa estratégia também pode ser aplicada em aulas de português, geografia e história. Os alunos podem usar as perguntas para simular a vida de personagens fictícios e históricos e explorar uma variedade de textos, o que proporciona aos alunos a prática de apresentar o conhecimento de textos escritos em uma variedade de formas. Um exemplo é trabalhar o contexto dos portugueses chegando ao Brasil e encontrando pela primeira vez os povos indígenas. Um estudante pode simular o português e outro um indígena, criando um diálogo como esse:
- Estudante “português”:
- Eu observo que você não tem roupas
- Eu percebo que você vive de modo diferente de mim.
- Eu me pergunto sobre como você se alimenta
- Estudante “indígena”:
- Eu observo um grande objeto que você usou para andar sobre o mar.
- Eu percebo que você está curioso.
- Eu me pergunto se você é amigo ou inimigo.
Os alunos podem compartilhar suas observações verbalmente com um parceiro em trabalhos em grupo ou em uma resposta individual por escrito. As ideias também podem ser discutidas como uma atividade de grupo para construir conhecimento e desenvolver a compreensão. As perguntas também são um ótimo ponto de partida para avaliar fontes históricas, como discursos, textos de diário, imagens e vídeos.
A estrutura das declarações pode servir como degraus e fornecer aos alunos um conjunto de frases para adicionar às suas observações enquanto trabalham com diferentes parceiros. Os parceiros podem aprender mais um sobre o outro, ver as coisas que têm em comum e descobrir e celebrar suas diferenças. Para uma sala de aula, essa pode ser uma abordagem muito importante para construir um espaço seguro e um senso de comunidade, especialmente em tempos de muitos desafios sociais no pós-pandemia. Os professores podem obter informações sobre seus alunos e seu pensamento à medida que os alunos se envolvem neste exercício.
Os professores também podem compartilhar seus pensamentos e fornecer feedback aos alunos por meio dessa abordagem. É uma maneira interessante de identificar pontos fortes no trabalho do aluno:
- “Observo que você leu o texto com atenção e consegue identificar informações detalhadas sobre os personagens.”
- “Percebo que você é capaz de interpretar as ações dos personagens e como elas se conectam aos possíveis temas da peça.”
- “Eu me pergunto se você pode estender suas ideias ainda mais e descrevê-las com o uso de vocabulário mais amplo e linguagem descritiva.”
Estudantes também podem fornecer feedback de colegas ou refletir sobre suas próprias tarefas de avaliação. Adicione uma rubrica para orientar sua avaliação e ajudá-los a observar onde eles atenderam aos critérios, perceber lugares em que eles poderiam estender sua resposta e se perguntar sobre como eles podem abordar as tarefas de maneira diferente no futuro.
É sempre tempo de ir além na sua prática pedagógica. Que tal incorporar essa estratégia ao seu dia a dia?
Referências:
Edutopia, por Olivia Karaolis. “A Discussion Protocol for Group Learning Experiences”. Janeiro de 2022. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/discussion-protocol-group-learning-experiences
