Como os professores usam o tempo de aula?

Uma comparação internacional sobre a forma como os professores usam seu tempo de aula

De acordo com a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (TALIS)¹ realizada pela OCDE em 2013, existem três principais tipos de atividade realizadas durante o tempo de aula:

  • Ensino e aprendizagem,
  • Tarefas administrativas e 
  • Gestão comportamental.

Professores do Ensino Fundamental reportam gastar, em média, a maior parte de seu tempo de aula (79%) em atividades de ensino e aprendizagem. Apesar de ser positivo que a maior parte do tempo seja dedicada a isso, essa proporção varia muito entre os países. 

Na Bulgária, por exemplo, o tempo de ensino e aprendizagem chega a 87%, enquanto no Brasil esse número é de apenas 67%. Manter a turma focada em sala de aula costuma ser uma grande preocupação para professores, com a gestão comportamental ocupando em média 13% do tempo dos novos professores nos países pesquisados. Porém, assim como a proporção de ensino e aprendizagem, essa também varia entre países, indo de apenas 8% na Polônia até 20% no Brasil.

As tarefas administrativas supostamente exigem o mínimo de tempo dos professores (8%) em comparação com as outras duas categorias anteriores. Os professores na Bulgária e na Estônia relataram gastar 5% do seu tempo de aula em tarefas administrativas, enquanto os professores no Brasil relataram que 12% do tempo de aula deles foi dedicado a tais tarefas.

Não há dúvida de que o ensino e o aprendizado devem incluir a maior parcela do tempo de aula dos professores todos os dias. O tempo gasto em tarefas administrativas e gestão comportamental reduz a quantidade de tempo disponível para instrução. No entanto, não está claro se as outras duas tarefas interferem na instrução de alta qualidade ou se os professores e, dessa forma, os estudantes, se beneficiariam da reduções de tempo gasto em tarefas administrativas e gestão de sala para que possam se dedicar mais tempo ao ensino.

Você sabia que a Curiós também trabalha com consultorias às secretarias de educação? Entendemos que, às vezes, os processos burocráticos podem impedir o andamento de algumas iniciativas, mas não precisa ser assim! Quer saber mais sobre como ajudar seus professores a gerenciarem melhor suas salas de aula? Entre em contato!


1 Sigla em inglês para “Teaching and Learning International Survey”

2 Esses dados são relatados pelos professores e referem-se a uma aula escolhida aleatoriamente que eles atualmente ensinam a partir de seu horário semanal. Os países são classificados em ordem decrescente, com base na proporção média de tempo em que os professores do ensino médio relaram gastar com atividades de Ensino e Aprendizagem.

Referências:

OCDE (2014), TALIS 2013 Resultados: Uma Perspectiva Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, TALIS, OECD Publicação. Disponível em http://dx.doi.org/10.1787/888933042124

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!