Como trabalhar as competências socioemocionais?

Dicas simples de como usar as competências socioemocionais para melhorar a qualidade do ensino na sua escola

Embora muitos estudos utilizem o rendimento dos alunos em testes para demonstrar a qualidade do ensino de uma escola, esse não é o único fator relevante. Cada vez mais novas pesquisas mostram a importância de trabalhar as competências socioemocionais como um outro aspecto extremamente importante para medir a qualidade do ensino.

Um estudo recente mostrou que alunos de escolas que buscam desenvolver tais habilidades acabam tendo melhores resultados a longo prazo que os demais. Segundo a pesquisa, nessas escolas o número de estudantes que evadem é menor, e a quantidade que completa os estudos e ingressa na faculdade, por sua vez, é maior, especialmente entre os mais vulneráveis.

Dessa forma, fica evidente que focar apenas no aprendizado acadêmico dos alunos não é suficiente. Investir nas competências socioemocionais também é essencial. Devido a isso, elencamos aqui algumas dicas para desenvolver tais competências nos estudantes, indicando quem pode contribuir para essas ações:

  • Ter altas expectativas nos alunos e apoiá-los em suas buscas pelo sucesso acadêmico

Ao acreditar no outro (ter altas expectativas), muitas vezes acabamos incentivando-o a desenvolver uma mentalidade de crescimento. Para quem não conhece o conceito, de acordo com Carol Dweck, pesquisadora sobre o desenvolvimento pessoal e personalidade, aqueles que têm esse tipo de mentalidade entendem que seus talentos e habilidades podem ser desenvolvidas através do esforço, de um bom ensino e da persistência, de maneira que, no geral, acabam se dedicando mais. Dessa forma, a longo prazo, o rendimento dos alunos acaba tendo melhores resultados.

Essa prática, por sua vez, pode ser aplicada tanto pela comunidade escolar, quanto pelos responsáveis e outros alunos. Para tal, é importante que a gestão escolar incentive que as altas expectativas sejam aplicadas, reforçando nas reuniões com professores e alunos a crença de que todos são capazes e repassando essa mensagem também nos encontros com os pais.

  • Promover relações atenciosas entre professor e aluno e entre estudantes

De acordo com a neurociência, o aprendizado pode ser estimulado ou reprimido pelas nossas emoções. Isso porque o cérebro tem capacidade de ativar emoções de acordo com o que antecipamos para o futuro. Emoções positivas liberam serotonina e/ou dopamina no corpo, logo, quando fazemos algo que tem bons resultados ou que nos sentimos bem, liberamos o hormônio e ficamos satisfeitos e felizes.

Dessa forma, uma boa relação entre o professor e o estudante, assim como entre pares, faz com que o aluno fique mais estimulado a aprender, além de fomentar uma relação positiva com a escola, de maneira que ele se sinta confortável no ambiente escolar.

  • Abordagens de ensino envolventes, como gerenciamento proativo de sala de aula e aprendizagem cooperativa

Esse ponto, mais focado no docente, aborda a importância de trabalhar em sala metodologias ativas e o protagonismo do estudante. Trabalhar com abordagens de ensino atraentes em que o aluno seja ator do seu processo de aprendizado é muito importante para que o aluno sinta-se motivado a tentar, se expondo mais ao conteúdo e desenvolvendo diversas competências socioemocionais como sociabilidade, comunicação, curiosidade e responsabilidade.

  • Ambientes seguros e ordenados que incentivam e reforçam o comportamento positivo

Reforçar o comportamento positivo é muito importante para desenvolver diversas competências socioemocionais. A longo prazo, essa ação resulta em um desempenho acadêmico melhor. Para tal, algumas atitudes básicas podem ser implementadas por parte dos professores e gestão escolar.

No caso dos professores, um exemplo é em sala de aula, ao invés de apontar o erro do aluno, valorizar aquele estudante que está agindo da maneira esperada/correta.

Ex: Em sala o professor gostaria que, assim que chegasse, todos os alunos estivessem sentados, com o caderno aberto, em silêncio e aguardando orientações. Ao invés de chegar na sala e apontar os alunos que não estão com o comportamento desejado, o professor pode dizer: Parabéns, João, pela postura, muito bem / Turma, por favor, quero que vocês façam o mesmo que a Maria. Isso aí, Maria!

Por parte da gestão escolar, é possível também replicar o reforço ao comportamento positivo ao conversar com alunos. Além disso, o fato de garantir uma escola segura e ordenada é essencial. Quando o estudante tem medo de ir a escola e ser agredido/sofrer bullying/ter objetos roubados, é difícil que ele aja de maneira positiva no ambiente, pois tende a estar em estado de alerta e preocupação.

Dessa forma, garantir ordens claras e que os alunos se sintam confortáveis e protegidos é muito importante, para que eles consigam direcionar sua atenção ao que realmente importa, que é o aprendizado.

O que você achou das dicas? Esperamos que tenha gostado!! Caso implemente na sua escola, conte para nós o resultado, vamos adorar saber! Estamos aguardando a sua mensagem 🙂

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Referências:

DURLACK, Joseph; et a. The Impact of Enhancing Students’ Social and Emotional Learning: A Meta Analysis of School-Based Universal Interventions. CASEL. Fevereiro de 2011.

TERADA, Youki. A Fuller Picture of What a ‘Good’ School Is. Edutopia. 29 de janeiro de 2021.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!