Competências socioemocionais como política curricular

A importância de pensar as competências socioemocionais como política curricular na formação do aluno, antes mesmo de chegar na sala de aula

por Juliana Ferro

“Os currículos do ensino médio deverão considerar a formação integral do aluno, de maneira a adotar um trabalho voltado para a construção de seu projeto de vida e para sua formação nos aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais.” (BRASIL, 2018)

Esse parece um bom caminho para começar a entender o porquê é importante tratar o assunto das competências socioemocionais como política curricular. Com a atualização do artigo 35 § 7º da LDB são adicionados à concepção de educação os aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais como sendo importantes para o desenvolvimentos dos estudantes nessa fase do ensino.

Especificamente o aspecto socioemocional aparece em forma de lei, como um fruto de discussões que começaram nacional e internacionalmente por organizações educacionais e pelo mundo do trabalho.

Essas discussões abrem margem para um questionamento importante: De quem é a responsabilidade pelo desenvolvimentos das competências socioemocionais? 

Segundo Magalhães (2021), essa é uma resposta que muda de acordo com a perspectiva dos autores. Porém, aqui nesse texto vamos discutir as competências socioemocionais como política curricular, ou seja, não significando que essa é uma responsabilidade exclusiva da escola, mas partindo do princípio que essa é uma responsabilidade compartilhada.

Entendendo que a política está para o benefício do povo, ou seja, são propostas que visam melhorar a vida em sociedade, fica clara a importância de se pensar as competências socioemocionais para além da vaga citação de que ela deve ser trabalhada em sala de aula. E é justamente essa compreensão que vai garantir que essas competências sejam desenvolvidas de forma democrática.

É dessa forma que expandimos a necessidade de tratar um determinado assunto, saindo da posição de sugestão ou demanda seletiva e começando um movimento de internalização de demanda, até que ela seja incorporada dentro da prática curricular.

Por exemplo, para que um assunto como o bullying tivesse força para ser um assunto recorrente nas escolas, foi preciso uma série de demandas para que fosse internalizado na escola. Esse processo de internalização pode ter se dado tanto pelo aumento do incentivo às denúncias dos casos entre estudantes, quanto pela demanda da secretaria para que houvesse ações que abrissem espaços para que essa discussão fosse presente na escola.

Da mesma forma, para que seja cumprido o que está na LDB sobre o desenvolvimento de competências socioemocionais, essa demanda precisa ser entendida como política curricular, garantindo, assim, a entrada dessa competência nas salas de aula de forma efetiva. Entendendo que essa é uma necessidade dentro e fora da escola, não seria eficiente deixar esse assunto flutuante dentro de tantas outras demandas que já atravessam o cotidiano da comunidade escolar.

Visando uma aplicação real e mensurável, é imprescindível que sejam abertos espaços no currículo para que o desenvolvimento de competências socioemocionais sejam efetivadas, dando direcionamento para o desenvolvimento dessa competência e garantindo o direito dos estudantes assegurado por lei.

Você concorda com as colocações trazidas no texto de hoje? De que forma você tem intencionalmente incluído as competências socioemocionais na sua sala de aula? 

A Curiós leva a sério o desenvolvimento de habilidades que vão além do currículo. Se a sua rede precisa de uma “ajudinha”, mande uma mensagem pra gente!

Referência bibliográfica: 

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Brasília. 2018.

MAGALHÃES, Jonas Emanuel Pinto. COMPETÊNCIAS SOCIOEMOCIONAIS: GÊNESE E INCORPORAÇÃO DE UMA NOÇÃO NA POLÍTICA CURRICULAR E NO ENSINO MÉDIO. e-Mosaicos, v. 10, n. 23, p. 62-84, 2021.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!