Conceito de educação: caminhos possíveis

Reflexões acerca do fazer docente e o conceito de educação

Por Juliana Ferro

Poderíamos começar este texto retomando que faz anos que discutimos o conceito de educação e ele ainda não parece evidente, mas dessa vez quero propor uma reflexão: Qual é a necessidade de se ter manifesto o conceito de educação?

Por que é importante saber o objetivo do seu dia, ou até suas metas para o ano vigente? Você pode estar se perguntando: o que isso tem de relação com a educação? Vou explicar.

Conceituar nos faz refletir quais caminhos são aceitáveis, quais são práticas adequadas e quais objetivos teremos a partir desse ponto de partida. O clássico “se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve” pode afetar nossa vida e nossa prática docente.

O que significa educação? Recorrendo ao dicionário encontramos a seguinte definição: (1) Ato ou processo de educar(-se). (2) Processo que visa ao desenvolvimento físico, intelectual e moral do ser humano, através da aplicação de métodos próprios, com o intuito de assegurar-lhe a integração social e a formação da cidadania. Note que observamos no dicionário uma relação do próprio indivíduo com a sua aprendizagem e a integração dele com o meio em que está.

É interessante perceber como, quando falamos de educação, logo nos vem a imagem da escola. No entanto, é nas trocas que nos construímos. Nesse sentido, não cabe somente à escola o processo de educar. Nós, como sociedade, devemos entender nosso papel coletivo diante da missão de integrar os novos membros da sociedade. Compreendidas essas diferentes funções, podemos caminhar para a escola em busca de caminhos para o conceito de educação.

Não temos aqui a intenção de trazer uma resposta única e verdadeira, até porque é possível que ela não exista, já que, por mais que a estrutura escolar seja “padrão”, seus agentes são diversos, seus estudantes únicos e toda a dinâmica que permeia a escola vai se dar como um ecossistema diverso e complexo. Partindo desse princípio, é simplesmente impossível trazer uma verdade sobre o conceito de educação, mas podemos acrescentar mais reflexões sobre a educação e a partir das trocas no ambiente escolar, percebendo o que é o conceito de educação para cada espaço.

Para essa conversa podemos trazer também a LDB/96 em seu primeiro capítulo, que diz: “A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. O documento mais completo que temos até hoje em nosso país entende a educação como processos, processos esses que acontecem no coletivo.

Acredito que seja importante pensar que processos levam tempo, planejamento e colaboração. Entender que eles não acontecem sozinhos pode aliviar um pouco a pressão de ser professor e ter que lidar com tantas demandas. Não fazemos educação sozinhos, somos agentes de promoção. Saber que somos uma parte do todo pode tornar nossa prática mais leve e trazer os estudantes a refletirem sobre seu papel no próprio aprendizado pode ser um caminho necessário.

Pensando na educação escolar, temos diversos entendimentos sobre qual é propósito dessa educação. Como falamos no começo dessa conversa, existe a necessidade de alinhamento para propor práticas que caminhem para o alcance dos objetivos em comum. 

O projeto político pedagógico (PPP) da escola é um grande aliado para fazer esse direcionamento, porém, a rotina da escola acaba não permitindo tantas trocas quanto necessárias e, por vezes, os momentos de planejamento também não são bem estruturados. Não podemos negar a necessidade de pausas bem planejadas para que assim o trabalho docente se torne menos árduo. Trocando entenderemos o porquê, e sabendo o porquê organizamos melhor o que fazer (MCKEOWN, 2015).

Desse modo, precisamos nos perguntar: O que queremos alcançar com a educação escolar?

Parece que passamos tantos anos como estudantes e só nos damos conta da importância dela quando somos cobrados pelas circunstâncias da vida. Principalmente quando olhamos a escola pública, o sentido de se estar ali não parece evidente.

“Por que você vem para a escola, Vitor?”

“Porque minha mãe me obriga”

Esse foi o diálogo que tive com meu estudante do 7º ano. Vitor foi só mais um estudante que respondeu trazendo um claro desinteresse pela escola, e outros poucos responderam que foram estudar. Retomando o conceito do dicionário de que a educação é também responsabilidade do próprio indivíduo, por que tantas vezes não trazemos essa conversa para as salas? 

Não venho aqui trazer a ideia de responsabilização dos estudantes como um peso. Longe disso, acredito que para chegar em um conceito de educação que direcione práticas que façam sentido precisamos trazer os estudantes à construção do que é educação para aquele espaço, aquele público, aquela comunidade.

Talvez vocês estejam agora com mais perguntas do que respostas. Se isso aconteceu, o objetivo desse texto foi alcançado! Fiquem atentos às próximas postagem do blog para conferir mais inquietações e possíveis caminhos. Agora me conta, vocês já perguntaram para os seus estudantes o que é educação para eles? Mande uma mensagem pra gente e vamos continuar essa conversa!

Referências:

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB. 9394/1996. BRASIL.

EDUCAÇÃO. In: Michaelis, Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa. 2022. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/busca?id=QX0y#:~:text=1%20Ato%20ou%20processo%20de,e%20a%20forma%C3%A7%C3%A3o%20da%20cidadania. Acesso em: 02/10/2022.

MCKEOWN, Greg – Essencialismo – A disciplinada busca por menos – Rio de Janeiro: Sextante, 2015 – Direitos reservados no Brasil à GMT Editores Ltda.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!