Nem sempre temos clareza do quão essencial é a coordenação pedagógica para o bom funcionamento da escola
Por Juliana Ferro
Falamos muito sobre educação de qualidade, sobre aprendizagem, e agora quero expandir essa conversa falando sobre a coordenação pedagógica. A coordenação ainda é uma função com algumas lacunas no que seria de fato sua responsabilidade, e nesse post vamos conversar sobre algumas delas e ver possibilidades para uma boa aplicação.
Antes de discutir o papel da coordenação, é necessário pensar no papel da gestão como um todo. Ferro e Oliveira (2018) trazem que a gestão é fundamental para gerir os recursos disponíveis na escola, referindo-se aos recursos materiais e de pessoas. Ou seja, a gestão funciona como um coração da escola, responsável por direcionar ações que proporcionem a chegada aos objetivos da escola.
Dentro da gestão temos a coordenação pedagógica. Não há na legislação informações objetivas sobre essa função. Por exemplo, em diversas redes existe a exigência desse profissional ter a licenciatura em Pedagogia, em outros são os próprios professores que assumem essa função, o que traz uma diversidade de formações para o cargo.
Temos também os termos supervisão e orientação pedagógica, e, no caso de redes que utilizam essas nomenclaturas, são essas as funções que representam a coordenação pedagógica. A forma de entrada nessa função é diversa, podendo ser por concurso, por indicação ou eleição. Isso tudo você já deve saber, a pergunta que não quer calar é: O que é uma boa gestão pedagógica?
Libâneo nos traz o seguinte norteador:
“O coordenador pedagógico ou professor coordenador supervisiona, acompanha, assessora, avalia as atividades pedagógico-curriculares. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógico-didática aos professores em suas respectivas disciplinas, no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos.”
Há também a perspectiva de que o contato com os responsáveis também é função do coordenador pedagógico. Tendo essas atividades como referência, podemos traçar caminhos para responder a pergunta em questão.
Primeiro é fundamental que haja uma relação de cooperação entre a coordenação e a equipe docente. Sem uma relação de trabalho saudável todas as contribuições e apoio que são de responsabilidade do coordenador ficam comprometidas. Uma forma de construir uma boa relação é abrindo espaços de escuta, proporcionando momentos de interação entre os professores, um espaço seguro em que o coordenador consiga entender as demandas dos professores e propor formas de atender as necessidades postas por eles.
Segundo ponto: no dia a dia da escola pode não ser tão simples exigir que todos os planejamentos e toda a parte burocrática da docência seja atualizada diariamente. Nesse caso, é importante estabelecer com os professores espaços de tempo que sejam de comum acordo para que os planos de aula estejam disponíveis para que a coordenação consiga acompanhar o que tem sido trabalhado. Uma forma muito legal de organizar o material é pedir para que disponibilizem um link da pasta do Drive em que estão salvando o material, assim, no período marcado o coordenador pode acessar sem precisar solicitar o envio do link. Essa prática favorece tanto o seu trabalho quanto o de quem, eventualmente, atualiza com mais frequência os planejamentos.
Terceiro ponto: as formações são muito importantes para manter os professores atualizados, e quando trago aqui que essa é considerada uma responsabilidade do coordenador pedagógico, não quer dizer que ele tenha que necessariamente facilitar as formações, e sim, que deve ser o promotor desse espaço. Fazer parcerias é essencial, para promover formações voltadas para necessidades identificadas na escola podem ser cruciais para um bom desenvolvimento das aulas. Algumas vezes, algum professor terá esse conhecimento, outras alguém de outros espaços fora da escola, o importante é fazer parcerias para trazer o conhecimento necessário para oferecer uma educação de qualidade para os estudantes. Para isso, tenha certeza que a Curiós pode ajudar! Nossa trilha formativa foi criada justamente para apoiar os coordenadores pedagógicos no exercício da sua função como facilitadores de formações à sua equipe, tendo sempre em vista a praticidade e a rotina de cada um.
O quarto ponto que quero trazer é: tenha os responsáveis dos estudantes como aliados. Em alguns espaços, a relação responsáveis-escola é conturbada e acaba sendo violenta, mas é de suma importância que a coordenação pedagógica tenha sempre em mente que os responsáveis são aliados. Essa percepção é importante para que, aos poucos, a comunidade abrace essa ideia e as relações possam ir se transformando em uma relação de respeito e cooperação.
Esses são alguns pontos que podem contribuir para a construção de uma boa gestão pedagógica, tendo como base as funções que são atribuídas para a coordenação. Você já aplicou alguma dessas ideias?
Por último, vou compartilhar algo que percebi em minha prática como docente. Por vezes, acompanhei coordenadores que agiam como se precisassem ter todas as respostas sempre e que não pediam ajuda. A coordenação assume muitas responsabilidades e demandas, e não precisam seguir sozinhos. Peçam ajuda, digam que não sabem ainda como resolver ou ajudar, vocês podem ser vulneráveis. A escola é muito plural em conhecimento e formas diversas de ver as situações, desse modo a construção coletiva sempre vai ser mais rica do que uma mente só tentando resolver tudo. Liderança também tem relação com delegar, distribuir e desenvolver o melhor da sua equipe. Não precisa seguir o caminho sozinho/sozinha, conte com a sua equipe!
Me conta, quais outras dicas você acrescentaria aqui? Estamos aguardando seu contato pra expandir esses conhecimentos 😉
Referências:
FERRO, Juliana; OLIVEIRA, A. C. P. . Coordenador Pedagógico: Dando voz á sua prática nas escolas públicas cariocas. In: XI Seminário Regional Sudeste da ANPAE e XI Encontro Regional da ANFOPE, 2018, Rio de Janeiro. Anais XI Seminário Regional Sudeste da ANPAE e XI Encontro Regional da ANFOPE, 2018.
LIBÂNEO, José Carlos. O sistema de organização e gestão da escola. LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola-teoria e prática. 4ª ed. Goiânia: Alternativa, 2001.
