A importância de refletir sobre a luta e também se orgulhar do caminho percorrido – Por Juliana Ferro
Vamos começar essa conversa refletindo sobre o questionamento trazido por De Carvalho Guimarães (2015): Já imaginou um dia sem professor?
É até relativamente comum pensar em um dia sem carro, um dia sem semáforo, um dia sem carne, ou até um dia sem policiais. Mas já parou para pensar no impacto que poderia ter um dia sem professor?
O autor traz uma reflexão que nos leva a pensar em como, por vezes, um dia sem professor pode passar despercebido por estarmos em um fluxo de busca constante por atender demandas de ordem capitalista. No entanto, apesar de uma busca frenética por algo além de nós, um dia sem professor pode ter um impacto de escala mundial, e é impossível mensurar o quanto esse único momento pode impactar a longo prazo.
Vou explicar. Pensando do ponto de vista assistencialista, poderíamos considerar que um dia sem professor impactaria a economia, já que muitos funcionários teriam que assumir integralmente suas funções como responsáveis por um estudante em idade escolar. Por outro lado, um dia sem professor poderia significar uma perda considerável de conteúdo, desenvolvimento de habilidades e um dia a menos no convívio social entre pares. Além de poder significar também um dia a mais de fome, em alguns casos de famílias em situação de vulnerabilidade.
É bem verdade que o professor tem uma posição fundamental para a organização da sociedade e o desenvolvimento de competências para que tenhamos pessoas em plenas capacidades para desempenhar seu papel como cidadão. Além disso, é o docente que também carrega consigo a responsabilidade do desenvolvimento socioemocional de seus estudantes. Ou seja, com as reorganizações da dinâmica social, o professor se tornou ainda mais fundamental para o desenvolvimento integral dos estudantes.
Apesar do papel de suma importância, é bem verdade que o reconhecimento por esse trabalho tão necessário não anda junto com tamanha responsabilidade.
É curioso pensar que desde 1933, momento em que a data de comemoração do Primeiro Mestre surgiu como demanda, esse movimento emerge visando reivindicar maior valorização e melhores remunerações para a categoria (VICENTINI, 2004). Só em 1963 o Dia do professor foi oficialmente considerado feriado. A pressão da imprensa sobre essa data foi grande, e escolas privadas tiveram certa resistência em cumprir com o decreto, até que, por fim, anos depois da sanção do decreto, o feriado foi devidamente respeitado por todas as escolas.
Desde seu início, o dia do professor simbolizou um movimento de luta, e queremos trazer que também é um momento festivo. Apesar do longo caminho a percorrer na busca por reconhecimento, há também o que celebrar.
Celebrar as conquistas da equipe, o “aah, entendi” dos estudantes, a felicidade no sorriso de quem resolveu uma equação, o suspiro aliviado depois de terminar a apresentação de trabalho, a primeira palavra escrita, o abraço de um responsável agradecido pelo seu cuidado. Celebrar o cafezinho na sala dos professores, o desabafo depois de um dia difícil, celebrar o portal atualizado com as notas, o lanchinho surpresa que a gestão organizou, entre tantos outros detalhes que fazem toda a diferença no dia a dia.
Um dia sem vocês é uma perda enorme para a sociedade.
Pensando nisso, no mês em que comemoramos o dia do professor, queremos agradecer!
Agradecer aos profissionais que dedicam seu tempo e afeto ao grande desafio que é ensinar. Desejamos também que não percam o brilho nos olhos de quem aprende no processo de ensinar, e que nós aqui na Curiós somos muito gratos por todo trabalho desenvolvido por vocês, em todo o Brasil e no mundo.
Feliz dia do professor a todos os professores e professoras!
Gostou? Manda esse texto para um professor/professora que merece ser agradecido.
Referências:
DE CARVALHO GUIMARÃES, Jairo. UM DIA SEM PROFESSOR: A SAGA EM BUSCA DO RECONHECIMENTO SOB A METÁFORA DAS IMAGENS. Revista Fundamentos, v. 2, n. 2, 2015.
VICENTINI, Paula Perin. Celebração e visibilidade: o dia do professor e as diferentes imagens da profissão docente no Brasil (1933-1963). Revista Brasileira de História da Educação, v. 4, n. 2 [8], p. 9-41, 2004.
