É possível ficar mais inteligente?

Efeitos da mentalidade de crescimento na sala de aula para ficar mais inteligente

Uma pessoa pode ficar mais inteligente? Seriam alguns grupos sociais ou raciais mais inteligentes que outros? Apesar de tantos indícios do contrário, muitos acreditam que a inteligência é algo fixo, e, ainda por cima, que certos grupos sociais e raciais são inerentemente mais inteligentes que outros. A simples menção desses estereótipos sobre a inferioridade intelectual desses grupos (como mulheres e pessoas negras, por exemplo) é o bastante para prejudicar o desempenho acadêmico de membros desses grupos. Esse fenômeno foi nomeado pelo psicólogo social Claude Steele de “ameaça do estereótipo”.

Buscando contribuir positivamente para essa discussão, os psicólogos sociais Aronson, Fried, e Good desenvolveram um possível antídoto para a ameaça do estereótipo. Eles ensinaram alunos universitários negros e brancos a pensarem na inteligência como algo mutável, ao invés de algo fixo – o que muitos estudos psicológicos sugerem ser verdade – enquanto um grupo de controle não foram introduzidos a essa idéia.

Os estudantes que aprenderam sobre a maleabilidade do “QI” melhoraram suas notas significativamente mais e consideravam os estudos mais importantes do que os alunos no grupo de controle. Mais animadora ainda foi a descoberta de que estudantes negros beneficiaram-se mais de aprender que a inteligência era mutável do que os estudantes brancos, mostrando que essa intervenção de introduzir o conceito de mentalidade do crescimento pode combater com sucesso a ameaça do estereótipo.

Recentemente, os professores Blackwell, Dweck, e Trzesniewski replicaram e adotaram essa pesquisa a estudantes do sétimo ano em Nova Iorque. Durante as primeiras semanas do ano, esses estudantes aprenderam sobre a maleabilidade da inteligência lendo e conversando sobre artigos embasados na ciência que descrevem como a inteligência se desenvolve. Já um grupo de controle, também de alunos do sétimo ano, aprenderam sobre a mutabilidade da inteligência, sobre memória e estratégias mnemônicas.

Em comparação ao grupo de controle, os alunos que não viam mais a inteligência como fixa apresentaram maior motivação para aprender e estudar, melhor comportamento em sala de aula e notas melhores principalmente em matemática.

Além disso, alunos que faziam parte de grupos vulneráveis (aqueles que acreditavam que sua inteligência não poderia mudar, os que anteriormente tinham baixo desempenho em matemática e estudantes meninas) tiveram notas maiores em matemática depois da intervenção sobre como a inteligência é maleável, enquanto as notas de estudantes similares no grupo de controle caíram.

Na verdade, meninas que receberam a intervenção alcançaram e ainda superaram as notas dos meninos em matemáticas, ao passo que as meninas do grupo de controle tiveram um desempenho muito abaixo do desempenho dos meninos.

Essas descobertas são especialmente importantes pois o tempo de instrução para essa intervenção não passou de três horas. Assim, esse é um método com um excelente custo-benefício para melhorar a motivação e desempenho dos estudantes e muito fácil de ser implementado! Você já pensou em trabalhar mentalidade do crescimento com seus alunos? A Curiós pode te ajudar nesse processo! Entre em contato com a gente 🙂

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!