Conversando sobre Educação Financeira na sala de aula

Traçando caminhos para tornar possível a conversa sobre educação financeira nas escolas

Por Juliana Ferro

Só de ouvir “Educação financeira” boa parte das pessoas já se arrepia. Algumas vezes, por achar algo distante, outras por achar que vai dar trabalho. Bom, mesmo sem saber, a educação financeira permeia toda a nossa vida, principalmente quando falamos da falta desse conhecimento. Desde a sua ida à padaria, até algo maior, como uma viagem, tudo perpassa a questão financeira.

É verdade que o Brasil tem inúmeras questões com a organização financeira de sua população. Ainda temos situações de miséria e inúmeros casos de endividamento por falta de organização. Esses dois extremos trazem à tona a necessidade de uma organização financeira mais eficiente e também de políticas públicas que favoreçam a distribuição de renda.

No entanto, aqui queremos tratar de como a educação financeira pode ser um assunto tratado em sala de aula e pensar em formas de trazer esse assunto para a nossa rotina.

O advento da Pandemia trouxe de forma abrupta o que é um imprevisto, e você pode ler mais a respeito nesse texto: Lição aprendida com a pandemia: Reserva de emergência, é preciso começar!. E quem ganhou popularidade nesse momento foi ela, a tal reserva de emergência. Essa modalidade se apresentou como uma forma de proteção para momentos adversos, mas é apenas um dos diversos conceitos que podem ser trabalhados em sala de aula visando promover uma transformação social.

Mas como colocar essa temática nas aulas?

Primeiro podemos começar pelo exercício de visualizar no nosso dia a dia o quanto precisamos tomar decisões financeiras. Um café de R$5 de 200ml ou um de 300ml por R$5,50? À primeira vista parece simples, mas isso vai depender do quanto você precisa de mais café, ou se você tem mais R $0,50, ou ainda se você decidir ir à próxima padaria e encontrar um de 350ml por R$5,00. Daí já podemos entrar em uma discussão de quanto tempo você dispõe para pensar nessa economia. E por aí vai… 

Viu só, educação financeira não está só no âmbito das exatas, a matemática não é a única disciplina que conversa com a educação financeira.

Vou dar um exemplo. Em português temos a habilidade EF69LP04 (Identificar e analisar os efeitos de sentido que fortalecem a persuasão nos textos publicitários, relacionando as estratégias de persuasão e apelo ao consumo com os recursos linguístico-discursivos utilizados, como imagens, tempo verbal, jogos de palavras, figuras de linguagem etc., com vistas a fomentar práticas de consumo conscientes). Nesse caso podemos incentivar a leitura de textos publicitários em que o consumo é incentivado e desmistificar as estratégias usadas que levam muitas famílias ao endividamento. É possível também trazer a discussão sobre as propagandas em redes sociais, trabalhando a leitura de imagens, vídeos e textos, trabalhando linguísticos diversos.

Mas isso é educação financeira? Sim, a educação financeira está diretamente ligada à administração de recursos. Desse modo, desenvolver uma leitura crítica de todo o processo de consumo é fundamental para fazer um uso adequado dos recursos que se tem. Esses recursos não se limitam a dinheiro, também é sobre tempo, disposições, network, entre outros

Educação financeira é sobre usar da melhor forma possível o que se tem à disposição para se alcançar objetivos e metas.

Nesse mesmo sentido, também podemos trabalhar as habilidades EF67LP14 e EF89LP21, por exemplo, com a produção de entrevistas e pesquisas visando mapear sonhos e influências. É possível trabalhar conceitos de construção de instrumentos de pesquisa e validação de dados, bem como a produção de textos baseados nesses dados.

Dentro das ciências humanas, discussões como o desenvolvimento econômico do município e movimentos migratórios relacionados à região em que se localiza a escola (EF08GE02) ou mesmo as transformações ocorridas com as novas formas de organização econômica (EF07GE05) podem ser caminhos interessantes. Tais habilidades conversam com o presente, contribuindo para o entendimento e apropriação de conhecimento, dois pontos cruciais para incentivar a mudança.

Essas são algumas possibilidades de desenvolver habilidades em nossos estudantes que fazem parte do “mundo” da educação financeira. É possível fazer relação com objetos de conhecimento que não conversem diretamente com a temática, trazendo de forma primária ou secundária essas informações.

Alerta de dica: O Instituto XP em parceria com a B³, Barkus e Instituto Cactus promove anualmente o Torneio de Educação Financeira, e o incentivo é que professores e estudantes participem. A trilha dos estudantes trabalha conceitos de educação financeira atrelados às habilidades da BNCC e a trilha de professores ensina como é possível trazer para a sala de aula essa temática, atravessando as habilidades que devem ser trabalhadas.

A gente sabe que ser professor traz consigo um monte de responsabilidades e muito trabalho, mas saiba que você não está sozinho(a) nessa. Juntos podemos construir aprendizados significativos e contribuir com a transformação social. Esperamos ter ajudado e conte com a gente.

Gostou do conteúdo? Não deixe de compartilhar com alguém para expandir o conhecimento dela também. Ah, e se quiser continuar essa conversa ou tirar dúvidas sobre o tema, entre em contato com a gente 😉

Referências: 

TORNEIO DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA. Disponível em: https://torneiodeeducacaofinanceira.com/

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!