Educação para a cidadania global

Entenda de que forma a educação para a cidadania global pode (e deve) fazer parte da sua sala de aula

Embora aumentar o acesso à educação continue a ser um importante desafio em muitos países, a melhoria da qualidade e da relevância da educação atualmente vêm recebendo mais atenção do que nunca, com a devida ênfase na importância de valores, atitudes e habilidades que promovam o respeito mútuo e a coexistência pacífica. A UNESCO, em resposta à crescente demanda de seus Estados-membros por apoio para empoderar alunos e torná-los cidadãos globais responsáveis, fez da Educação para a Cidadania Global (ECG) um de seus principais objetivos educacionais entre 2014 e 2021. Logo em seguida, publicou um relatório que oferece orientações sobre como traduzir a ECG na prática, com exemplos de boas práticas e de abordagens da ECG em diferentes contextos, ao mesmo tempo que salienta elementos prioritários para a futura agenda.

A ECG sintetiza o modo como a educação pode desenvolver conhecimentos, habilidades, valores e atitudes de que os alunos precisam para assegurar um mundo mais justo, pacífico, tolerante, inclusivo, seguro e sustentável. Também reconhece o papel da educação em ir além do desenvolvimento do conhecimento e de habilidades cognitivas e passar a construir valores, habilidades socioemocionais e atitudes entre alunos que possam facilitar a cooperação internacional e promover a transformação social.

Embora a ECG tenha sido aplicada de diferentes maneiras em diferentes contextos, regiões e comunidades, ela possui vários elementos comuns, que incluem fomentar nos alunos:

  • um entendimento de múltiplos níveis de identidade e o potencial para uma identidade coletiva que transcenda diferenças individuais culturais, religiosas, étnicas ou outras;
  • um conhecimento profundo de questões globais e valores universais como justiça,
  • igualdade, dignidade e respeito;
  • o pensamento crítico e o criativo, além da habilidade de reconhecer múltiplas perspectivas sobre uma única questão;
  • habilidades sociais, como empatia e resolução de conflitos, habilidades de comunicação e aptidões de construção de redes (networking) e de interação com pessoas com diferentes experiências, origens, culturas e perspectivas;
  • capacidades comportamentais para agir de forma colaborativa e responsável a fim de encontrar soluções para desafios globais, bem como para lutar pelo bem coletivo.

Abordagens holísticas para a Educação para a Cidadania Global exigem abordagens formais e informais, intervenções curriculares e extracurriculares e vias convencionais e não convencionais para a participação. Em contextos formais, a ECG pode ser oferecida como parte integral de uma matéria existente (como educação cívica ou para a cidadania, estudos sociais, estudos ambientais, geografia ou cultura), ou como uma matéria independente. Modelos integrados, no entanto, parecem ser mais comuns. Algumas vias menos tradicionais para a ECG, mas igualmente efetivas, incluíram o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) e redes sociais; competições esportivas e o uso de artes e música; bem como iniciativas, sob a liderança de jovens, que empregavam uma ampla gama de abordagens.

A revisão aqui exposta apresenta tanto perfis de horizontes tradicionais quanto novos à Educação para a Cidadania Global. A publicação também explora várias condições que permitem a promoção e a implementação da ECG, incluindo a existência de um ambiente aberto para valores universais, a implementação da pedagogia transformadora e o apoio para iniciativas lideradas por jovens.

Ao preparar alunos para cumprir seu potencial em um mundo cada vez mais globalizado, promovemos sociedades transformadas que também estão mais bem equipadas para lidar com os desafios do século XXI e para aproveitar as oportunidades dessa época.

Que tal aplicar na sua sala de aula? Se precisar de uma ajudinha, estamos à disposição. Entre em contato!

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!