Desvendando o Ensino Fundamental

Estratégias para professores enfrentarem desafios e aprimorarem a prática – por Júnia Bicalho

Hoje, vamos explorar o universo do Ensino Fundamental, suas complexidades e como nós, professores e professoras, podemos nos preparar, nos reinventar e nos apoiar durante a docência nessa etapa de ensino. Se esse tema te interessa, vem com a gente!

O Ensino Fundamental compreende os anos iniciais e finais da educação básica e é a etapa mais longa da educação obrigatória brasileira. São 9 anos de ensino-aprendizagem, no qual recebemos uma criança de 6 anos e damos adeus a um adolescente de 14. Não importa qual seja o ano, é um período crucial para o desenvolvimento social e acadêmico dos estudantes, mas, também, cheio de desafios e oportunidades para os educadores. Quem trabalha nessa etapa de ensino já está cansado – literalmente – de saber quais são os desafios enfrentados no dia a dia, no entanto, discutir esses desafios traz à tona algumas dificuldades que muitas vezes achamos estar enfrentando sozinhos. Então, antes de falarmos sobre as oportunidades, vamos começar colocando os desafios na mesa.

  1. Desafios no Ensino Fundamental
  • Diversidade de aprendizado e inclusão: cada estudante tem um modo e um ritmo de aprender. Há de se considerar também a diversidade de habilidades e necessidades, o que requer abordagens inclusivas, que garantam que todos tenham acesso igualitário às oportunidades de aprendizado. Simples falar, porém extremamente complexo de se executar em uma sala de aula com vários estudantes.
  • Cumprimento da grade curricular: o currículo extenso definido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) pode ser desafiador, especialmente ao se considerar defasagens. Decidir entre avançar com o conteúdo ou progredir mais lentamente, garantindo que todos estejam no mesmo nível de aprendizagem, torna-se uma tarefa angustiante. Em outros textos do blog, falamos mais sobre esse tema, especificamente nos anos iniciais e finais. Não deixe de conferir!
  • Estímulo ao engajamento e participação: manter os estudantes engajados e participativos é um desafio constante. O fluxo de informações aos quais são expostos parece tornar tudo desinteressante. Estratégias inovadoras são essenciais para estimular o interesse pelos conteúdos e abordaremos isso mais adiante. 
  • Indisciplina: desde a agitação da infância até a rebeldia da adolescência, os alunos passam por diversas fases. Bagunça, conversas paralelas e respostas atravessadas incomodam e podem frustrar qualquer plano de aula bem elaborado. O aluno, ainda muito imaturo, não percebe que o maior prejudicado é seu próprio desenvolvimento e cabe a nós estabelecer a cultura que queremos em nossa sala de aula, isso, claro, com uma enorme pitada de paciência.    
  1. Oportunidades: avaliação e aprimoramento da prática
  • Autoavaliação: método importante para avaliar o próprio desempenho e traçar metas de desenvolvimento. De acordo com a pesquisa de autoavaliação realizada por Silva et al (2018) sobre eficácia docente, a maioria dos professores entrevistados considera-se eficaz em sala de aula, tanto em relação ao conteúdo, quanto às estratégias pedagógicas adotadas, o que pode ter dois lados: um positivo, já que os professores consideram-se competentes, e outro de alerta, pois pode levar a uma zona de conforto. Segundo os autores, a autoconfiança constante pode estagnar o professor, deixando-o sem perspectiva na busca de novos conhecimentos e estratégias diferenciadas de ensino. A reflexão e a autocrítica devem ser constantes, mas como fazê-las? Reserve um tempo para colocar no papel o que tem e o que não tem funcionado tão bem nos últimos tempos. Convide colegas para observarem suas aulas, observadores externos podem fornecer uma perspectiva interessante. Analise avaliações anteriores, identifique áreas de melhor desempenho e maior dificuldade dos alunos. Crie metas. Essas práticas, quando incluídas na rotina docente, incentivam melhorias que trarão benefícios não apenas para nós mesmos, professores, como também para os alunos. 
  • Feedback dos estudantes: ouvir os estudantes faz parte de uma autoavaliação constante. Não importa a idade, eles sempre serão capazes de contribuir com suas opiniões. Crie oportunidades para receber feedback dos estudantes sobre suas práticas. Isso não apenas os capacita, mas também fornece informações valiosas para aprimoramento. Que tal criar rodas de conversas para que eles expressem o que mais e o que menos gostam na rotina da sala de aula? Outra possibilidade é deixar acessível uma “caixinha de sugestões” na qual eles podem depositar seus pensamentos de forma anônima.  
  • Desenvolvimento profissional: mais do que importante, é essencial manter-se atualizado sobre conteúdos, práticas pedagógicas e pesquisas educacionais. Inclua formações à sua rotina, mas não de maneira automática, pois, segundo pesquisa realizada sobre a influência da formação continuada na prática docente por Mororó (2017), para ser efetivo, esse desenvolvimento profissional precisa partir não de uma mera atividade de formação continuada, mas sim de uma atividade de estudo consciente, intencional e relacionada com a finalidade social de educar.
  • Colaboração: compartilhe experiências e estratégias com colegas. Converse sobre suas dificuldades, é possível que alguém já tenha passado pelo mesmo e tenha boas dicas de como superar tal situação. Falar sobre algo interessante e eficaz que você está fazendo em sua sala de aula também pode ser muito importante para o colega. Quem sabe uma ação que começou pequena pode vir a ser uma prática adotada por toda a escola? A colaboração entre professores é uma fonte valiosa de insights.
  • Estratégias inovadoras e uso de tecnologia: estratégias centradas no aluno, como aprendizagem baseada em projetos e metodologias ativas, incentivam a participação e a aplicação prática do conhecimento. Além disso, o uso inteligente da tecnologia no ensino oferece oportunidades inigualáveis de engajamento e personalização da aprendizagem. Plataformas educacionais (Google Classroom, Moodle), recursos digitais interativos (Kahoot!, Khan Academy) e ferramentas de colaboração online (Padlet, Mentimeter) ampliam o alcance da educação, possibilitando experiências mais dinâmicas e inclusivas.

As oportunidades apresentadas neste texto são sugestões para que cada professor se aproprie do que faz sentido para sua realidade e momento profissional. Embora os desafios no Ensino Fundamental sejam muitos e particulares, a docência não precisa ser solitária. Nós, professores, devemos e temos as ferramentas necessárias para nos apoiar.

Quer continuar essa conversa e entender como melhorar a prática docente no Ensino Fundamental? Estamos à disposição! Vamos adorar falar com você e te ajudar a desenvolver suas potencialidades enquanto professor(a).  

Referências

MORORÓ, L. P. A influência da formação continuada na prática docente. Educação Formação, v. 2, n. 4 jan/abr, p. 36–51, 2 jan. 2017.

SILVA et al. Eficácia Docente: Autoavaliação de Professores da Educação Básica. Revista de Ensino, Educação e Ciências Humanas, v. 19, n. 3, p. 277–277, 30 nov. 2018.

compartilhar

Relacionados

Dia dos povos indígenas

Dia dos povos indígenas: Como fomentar reflexões e atividades evitando estereótipos no dia dos povos indígenas? – Por Marina Queiroz (…)

Revisitando o Ensino Híbrido

Perspectivas e reflexões sobre o ensino híbrido no cenário pós-pandêmico – Por Júnia Bicalho (…)

Gestores na educação

Gestores na educação: como alcançar bons resultados com uma gestão humana e democrática? – por Marina Queiroz (…)

Encontrou o que precisava?