Ensino Híbrido: Quais metodologias aplicar?

Dicas práticas de implementação do modelo de ensino híbrido acordo com cada realidade

Com a melhora dos números de casos de COVID-19 no Brasil, o país vivenciou em grande parte dos estados o retorno presencial dos alunos, porém de maneira alternada. Escolas que nunca tinham vivenciado o ensino híbrido necessitaram colocá-lo em prática de maneira emergencial. Devido a isso, muitos professores ainda não se sentem confiantes para como trabalhar com esse modelo: quais técnicas podem ser aplicadas pensando nos alunos presenciais e remotos? Como podemos garantir a interação? A fim de auxiliar nesse desafio, propomos duas metodologias interessantes para o momento.

Para as escolas que optaram pelo revezamento presencial sem transmissão síncrona para os alunos que estão remoto:

Sugerimos a aplicação da Sala de Aula invertida. Esse conceito não é novo e já vêm sendo implementado em alguns lugares, mesmo antes da pandemia. Mas, com a proposta da alternância entre os alunos, essa metodologia se torna ainda mais interessante.

Para quem não conhece, a sala de aula invertida consiste em o aluno estudar por conta própria um conceito e depois aprofundá-lo em sala de aula. Assim, no encontro presencial, o professor inicia a aula partindo do pressuposto que os alunos já têm um conhecimento prévio, com o intuito de aproveitar melhor o encontro presencial.

Para essa metodologia, o grupo que está em casa não se articula com o presencial e vice versa, pois eles estarão em momentos de aprendizagem diferenciados. Sendo assim, o professor deverá repetir o conteúdo com cada grupo quando eles forem à escola. Nesse formato, é interessante que o momento de interação entre os alunos seja no presencial, em que a troca acaba sendo mais proveitosa.

Já para as escolas que optaram por ter uma transmissão síncrona aos alunos que estão remotos:

Sugerimos a Aprendizagem Baseada em Problemas. Essa é uma técnica voltada para a aquisição do conhecimento por meio da resolução de situações. Nessa metodologia, a proposta é que o aluno tenha a base teórica e teste-a ao mesmo tempo.

Um exemplo simples seria levantar para os alunos em uma aula de geografia sobre hidrografia a seguinte questão: um rio, em determinada cidade, encontra-se poluído. Quais desafios a cidade pode enfrentar por causa disso e como podemos solucionar esse problema?

Na prática, pensando no modelo de ensino híbrido, o ideal é que o professor, antes de apresentar o caso aos alunos, dê um contexto geral para todos. Depois, apresente o problema e permita que, em grupos virtuais e presenciais, pensem nas soluções.

Dessa forma, o professor garante que os alunos em casa ou na escola tenham o mesmo conteúdo de maneira síncrona, ao mesmo tempo que reduz as chances de dificultar o aprendizado dos alunos que estão remotos e que tenham problemas de conectividade, por exemplo. Além disso, esse método permite a interação, mesmo que dividida entre os alunos que estão presenciais e os que estão remotos.

O que você achou das propostas? Ficou interessado em testá-las em sala? Caso o faça, compartilhe conosco o resultado, vamos adorar saber! Estamos aguardando o seu contato 🙂

Referências:

Edutopia. “Making Project-Based Learning Inclusive in a Hybrid Setting”. Março de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/making-project-based-learning-inclusive-hybrid-setting

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!