O aumento de formados no Ensino superior e os impactos na profissão docente – por Débora Chaves
Qual seu sentimento ao ler a seguinte manchete: “Brasil tem mais alunos que se formam professores que outros países”?
Imagino que algumas expectativas e curiosidades podem ser geradas. “Uau! Nosso futuro está garantido!”, ou talvez algo na linha “Isso deve ser fake news, meus alunos não têm interesse nisso”.
No entanto, o título da manchete continua: “Brasil tem mais alunos que se formam professores que outros países, mas tem menor índice de interesse na profissão”. Essa é uma manchete real da CNN Brasil. Pode parecer meio contraditória, mas na verdade ela reflete bem a realidade.
Enquanto muitos optam pelos cursos de pedagogia no ensino superior por sua facilidade de acesso, são poucos os que, de fato, o fazem pelo desejo de seguir na carreira docente. Esse é um alerta que fica ainda mais evidente quando vemos a pesquisa do Instituto Semesp afirmando que, até 2040, o nosso país pode enfrentar um verdadeiro “apagão” de professores.
Não sei você, mas pra mim várias coisas vêm à mente. O que leva as pessoas a cursarem pedagogia sem, de fato, quererem exercê-la? Por que menos alunos estão interessados na profissão docente? Qual a razão de tudo isso?
Algumas partes dessas respostas nós já conhecemos. A falta de valorização dos professores e condições de trabalho pouco favoráveis em muitos contextos evidencia por que, para alguns alunos, não há atrativos em uma profissão como essa. Além disso, outra parte da compreensão acerca desses pontos negativos pode se relacionar ao aumento da quantidade de cursos de ensino superior oferecidos na modalidade EAD, que nem sempre coloca os graduandos em contato com a essência e a prática educacional.
Apesar de ter muitos desafios, sabemos que a educação não se limita a isso. São muitos os prazeres e alegrias da vida de ser professor! Já falamos algumas vezes aqui no blog (como nesse post) sobre a importância de repensar a forma como os cursos de licenciatura e pedagogia são estruturados. Continuar formando professores que sabem muita teoria, mas pouca prática, não faz sentido e prejudica o fortalecimento da profissão.
Além disso, é fundamental olhar para a rotina dos professores e oferecer soluções que os apoiem diretamente em suas necessidades. Oferecer palestras pontuais para falar de saúde mental já não atende mais! É importante ser acolhedor, exercer escuta ativa e apoiá-lo em tempos tão desafiadores nessa (e em outras) temática tão latente. Fazer um acompanhamento contínuo e estruturado pode transformar o dia a dia dos docentes e estimulá-los em suas atividades.
Tudo isso são sementes a serem plantadas, a fim de colher professores mais inspiradores, engajados e que são exemplos pros seus alunos. É assim que estudantes poderão reconhecer nessa nobre profissão um caminho próspero e possível de futuro, sendo eles mesmos uma nova geração inspiradora de educadores no nosso país.
Nós acreditamos que isso é possível, e você?
Se quiser continuar essa conversa, estamos à disposição por meio deste link.
Referências:
CNN Brasil. “Brasil tem mais alunos que se formam professores que outros países, mas tem menor índice de interesse na profissão”. Março de 2023. Disponível em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil-tem-mais-alunos-que-se-tornam-professores-do-que-outros-paises/
UNDIME Brasil. “Pesquisa revela aumento de escolaridade dos docentes”. Janeiro de 2021. Disponível em https://undime.org.br/noticia/12-03-2021-13-59-pesquisa-revela-aumento-de-escolaridade-dos-docentes
G1. “Brasil pode enfrentar ‘apagão de professores’ em 2040, diz pesquisa”. Setembro de 2022. Disponível em https://g1.globo.com/educacao/noticia/2022/09/29/brasil-pode-enfrentar-apagao-de-professores-em-2040-diz-pesquisa.ghtml
O Tempo. “A cada dez professores formados no país, seis fizeram graduação a distância”. Agosto de 2022. Disponível em https://www.otempo.com.br/brasil/a-cada-dez-professores-formados-no-pais-seis-fizeram-graduacao-a-distancia-1.2702960
