Escola das Adolescências como resposta aos desafios dos anos finais

Uma iniciativa para criar ambientes escolares acolhedores e engajadores, alinhada às necessidades dos adolescentes.

por Juliana Ferro

Quando pensamos na trajetória escolar dos nossos jovens, é impossível não notar as diferenças entre o desenvolvimento dos estudantes do Ensino Fundamental I e II. No início da vida escolar, as crianças estão em um estágio de desenvolvimento caracterizado pela curiosidade e descoberta. Já no Fundamental II, entramos em uma fase onde as mudanças são mais complexas, tanto cognitivas quanto emocionais. Os anos iniciais do ensino fundamental têm mostrado, em sua maioria, bons resultados. Atingindo em avaliações como o IDEB, metas de qualidade, porém essa tendência não se mantém nos anos finais, onde os desafios aumentam significativamente (Oliveira, 2024).

Considerando isso, surgiu a necessidade de olhar para os anos finais do fundamental com mais atenção e criar medidas que possibilitem o avanço desses estudantes. Para que eles, também, alcancem metas de qualidade como tem ocorrido nos anos iniciais. Dando início, em dezembro de 2023, a jornada de conversas e desenho de uma política voltada a atender esse público: a Escola das Adolescências.

Como a política da Escola das Adolescências está organizada:

Ainda é um pouco abstrato como essa política será manifestada na escola e o tamanho das mudanças necessárias no âmbito curricular e estrutural, mas temos algumas informações que nos dão possíveis caminhos.

A Escola das Adolescências foi lançada em junho de 2024 pelo governo com o objetivo de transformar as escolas em lugares que realmente atendam às necessidades dos estudantes na faixa etária dos 11 aos 15 anos. Segundo o Ministério da Educação, essa política propõe a criação de espaços de aprendizado que respeitem e valorizem as características únicas desta fase da vida, promovendo, portanto, um ambiente de pertencimento e identificação. 

O programa é dividido em três partes principais:

  1. Governança: Aqui, o foco é criar uma boa comunicação entre diferentes níveis de governo e fortalecer a colaboração. Dois grupos principais ajudam a guiar esse processo: o Comitê Gestor Nacional (Conapea) e a Rede Nacional de Articuladores (Renapea).
  2. Desenvolvimento Profissional: Este eixo é sobre capacitar os profissionais da educação. A ideia é oferecer formação contínua para que professores e gestores possam melhorar o desempenho escolar e garantir que todos tenham as mesmas oportunidades. Além disso, reconhecer e premiar práticas pedagógicas inovadoras e incentivar a criação de grupos que compartilham ideias e experiências.
  3. Organização Curricular e Pedagógica: Aqui, o objetivo é repensar como o currículo e as aulas são organizados para melhorar o aprendizado nos anos finais do Ensino Fundamental. Eles oferecem ferramentas para diagnosticar e planejar mudanças no currículo e dão suporte técnico para inovar nas práticas de ensino.

Em fase de adesão, a política está sendo implementada com o apoio da Secretaria de Educação Básica, da Diretoria de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica e da Coordenação Geral de Ensino Fundamental. Desde seu início, a iniciativa busca integrar práticas pedagógicas inovadoras, fomentar a participação ativa dos alunos e promover o apoio técnico necessário para que as escolas possam se adaptar às novas diretrizes. Com a meta de adesão de 100% das redes estaduais e 69,1% das redes municipais, além de 17.639 escolas já envolvidas, o governo empenhou R$ 107.776.500 para apoiar a organização curricular e pedagógica nos anos finais, sublinhando o compromisso de criar um ambiente escolar que realmente faça a diferença na vida dos adolescentes.

Dessa forma, dois pontos devem ser considerados em relação a essa política: a aproximação dos estudantes em relação à escola e a importância do apoio técnico nesse processo.

A adolescência é um período de busca por identidade e autonomia, além disso, muitas vezes, os jovens não se veem refletidos no ambiente escolar tradicional, levando a uma desconexão com a escola. A Escola das Adolescências tem o potencial de reverter esse cenário, criando um espaço onde os estudantes se sintam ouvidos e valorizados. Ao adaptar o currículo e a estrutura escolar para se alinhar com os interesses e desafios enfrentados pelos adolescentes, promovemos um ambiente de engajamento e pertencimento.

Para que essa política tenha sucesso, o apoio técnico é fundamental. Isso inclui formação contínua para os professores, desenvolvimento de materiais didáticos apropriados e a criação de parcerias com a comunidade. Essas medidas garantem que as escolas tenham os recursos necessários para implementar as mudanças de maneira eficaz.

A transformação proposta pela Escola das Adolescências é essencial para enfrentar os desafios específicos dos anos finais do ensino fundamental. 

O documento “Guia de apoio às transições e alocações de matrículas” destaca a importância de construir uma escola que valorize o desenvolvimento físico, emocional, intelectual, social e cultural dos adolescentes. Ao focar em governança, organização curricular e desenvolvimento profissional, a política busca criar um ambiente escolar mais acolhedor e equitativo, que respeite a diversidade e promova o protagonismo dos estudantes. Essa abordagem não só melhora o engajamento e a aprendizagem, mas também prepara os jovens para uma transição mais suave para o ensino médio, contribuindo para a redução da evasão escolar e o fortalecimento das identidades dos alunos.

Considerando que, como educadores, temos a responsabilidade de preparar nossos jovens para o futuro, a “Escola das Adolescências” representa um passo significativo nessa direção. O que também nos faz um convite a refletir: estamos realmente prontos para ouvir e integrar as vozes dos nossos adolescentes na construção de um ambiente escolar que os acolha e os inspire?

Para que a “Escola das Adolescências” prospere, é crucial que os educadores se sintam apoiados e capacitados. A jornada começa com você. Conheça o programa Florescer e descubra como as estratégias de bem-estar podem transformar sua vida pessoal e profissional e, consequentemente, a vida de seus estudantes.

Compartilhe suas reflexões sobre como apoiar os educadores e os adolescentes nas nossas redes sociais. Vamos juntos construir um ambiente escolar que acolha, inspire e prepare nossos jovens e professores para um futuro mais saudável e acolhedor.

Referência bibliográfica:

Ministério da Educação. (2024). Escola das Adolescências. Governo do Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escola-das-adolescencias . Acesso em: 31 de maio de 2025.

Oliveira, R. (2024). Ensino fundamental: por que os avanços dos anos iniciais não se repetem nos anos finais? Porvir. Disponível em: https://porvir.org/ensino-fundamental-por-que-os-avancos-dos-anos-iniciais-nao-se-repetem-nos-anos-finais/. Acesso em: 31 de maio de 2025.

compartilhar

Relacionados

Metodologias ativas e inovadoras: uma ruptura do foco no ensino para o foco na aprendizagem

Como as metodologias ativas podem ser utilizadas para garantir um processo de ensino-aprendizagem mais engajante e significativo? por Joice Andrade       Quadro e giz, (…)

Educação no campo: saberes da terra, vozes do Serrote

Por Lucas Sobreira  No Serrote do Urubu, uma comunidade rural nos arredores de Petrolina, sertão do São Francisco, a educação pulsa entre as pedras, (…)

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS:

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS: O QUE ISSO REVELA SOBRE A REALIDADE BRASILEIRA? por Lucas Kauan N. De Santana No Brasil, a atuação docente (…)

Encontrou o que precisava?

Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!