Preocupações ambientais e estudo sobre crise climática para além das ciências da natureza
Incêndios. Inundações. Ondas de calor. Secas. Furacões. Do ponto de vista das ciências da natureza, a crise climática já é uma realidade. Basta olharmos as manchetes dos jornais para termos essa certeza!
Em meio a notícias detalhando inundações e ondas de calor, o Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas divulgou seu primeiro relatório climático desde 2013, endossado por todos os 195 países membros, que leva em consideração mais de 14.000 estudos científicos. Foi um lembrete firme e um tanto sombrio de que não estamos mais nos preparando para a crise climática, mas a vivendo ativamente, e, sem mudanças e medidas de mitigação, podemos ser incapazes de reverter alguns de seus efeitos mais graves.
Essa mudança provavelmente virá dos estudantes, um grupo descrito pelo ex-prefeito de Seattle (EUA), Mike McGinn, como “a primeira geração a sentir os efeitos da crise climática e a última que pode fazer algo a respeito”. Este ano, os alunos sem dúvida terão muitas perguntas resultantes da procissão constante de manchetes documentando nossa realidade climática, e eles dependerão de educadores como você para apoiá-los enquanto buscam as respostas que podem um dia ajudá-los a se tornar os solucionadores de problemas do mundo que precisamos que eles sejam. Aliás, sobre isso, temos esse outro texto que pode lhe dar ideias interessantes sobre como engajar seus alunos nessa ação.
Para apoiar essa iniciativa, precisamos que todos os professores percebam que não precisam ser especialistas em ciências naturais para desenvolver pensadores críticos conscientes do clima. Na verdade, você nem precisa ser professor de ciências, pois há muitas, muitas maneiras de integrar o tema em qualquer componente curricular.
Se você deseja criar espaço para que os alunos pensem criticamente sobre os desafios e tópicos ambientais, aqui estão algumas maneiras simples de transformar os eventos importantes que estão ocorrendo agora em oportunidades de aprendizado.
Artes
Visuais e cartazes bem desenhados e atraentes são associados a causas sociais e ativismo de todos os tipos, mas especialmente aos movimentos ambientais.
Os alunos nas aulas de arte podem aprender a fazer imagens que podem inspirar ações ou articular os pensamentos e sentimentos das pessoas em relação a diferentes aspectos da crise climática. Essas aulas também podem ajudar os alunos a desenvolver sua compreensão dos princípios da arte e do design. Você pode usar como exemplo a crise hídrica que tivemos em São Paulo há uns anos para inspirá-los a se expressarem com relação ao tema.
Língua Portuguesa
Sempre que um aluno lê, escreve ou fala em voz alta, aborda os padrões e regras gramaticais, portanto, incorporar temas que giram em torno do ambiente que também atendam determinadas regras é relativamente simples. Os alunos podem escrever artigos persuasivos ou informativos sobre questões ambientais em sua própria comunidade ou escrever ensaios narrativos que explorem suas próprias reflexões sobre o aquecimento global na sua geração. Eles podem ler literatura ou poemas que descrevem o mundo natural e criar suas próprias obras poéticas sobre a importância das áreas naturais que valorizam ou desejam preservar.
Ciências Humanas
Desde que os humanos chegaram a este planeta, nós, como muitas outras formas de vida, alteramos o meio ambiente para atender às nossas necessidades. Muitos estudos sociais e estruturas de geografia exigem a investigação de como todas as pessoas, desde as primeiras sociedades indígenas até as civilizações modernas, foram moldadas e ajudaram a moldar o ambiente ao seu redor. Um exemplo é o estudo de cidades em regiões litorâneas, em que a ocupação humana tanto avança que invade espaços não propícios à moradia, mas que, pela necessidade, acabam sendo refúgio de muitas pessoas. São as conhecidas palafitas, tema comum no estudo dos tipos de moradia. Por outro lado, a fauna e flora locais passam por fortes transformações, geralmente negativas, dando espaço ao professor para abordar sobre a importância da preservação e a relação com o desenvolvimento dos espaços urbanos.
Matemática
A matemática está profundamente relacionada com os métodos usados pelos cientistas para ajudar a investigar, entender e prever como nosso mundo e seu povo serão afetados pelas mudanças climáticas. Muitas das ferramentas e processos que eles usam para compartilhar e publicar essas previsões críticas são englobadas em estruturas usadas por professores de matemática. A representação gráfica das desigualdades ajuda a prever o aumento da temperatura global e fornece modelos precisos dos tipos de efeitos que podemos esperar. As equações polinomiais são essenciais para entender e descrever os fatores que causam o aquecimento global.
As ferramentas que os silvicultores usam para combater incêndios florestais também contam com conceitos matemáticos, como calcular a circunferência da base de uma árvore ou usar análises estatísticas para medir a densidade das árvores. Esses cálculos ajudam a informar as equipes de resposta a incêndios florestais à medida que combatem incêndios exacerbados pelas mudanças climáticas.
Esses exemplos comprovam mais uma vez que, com um pouco de criatividade, educadores podem, de fato, transformar o mundo. Como você tem abordado esse tema com seus alunos? Conta pra gente!
Referências:
Edutopia, por James Fester. “Exploring Environmental Issues Outside of Science Classes”. Outubro de 2021. Disponível em https://www.edutopia.org/article/exploring-environmental-issues-outside-science-classes
