Gestão de pessoas e a educação

O início e foco de toda conversa: a gestão de pessoas

Olá, educador. Oi, educadora! Hoje começamos mais uma série especial no nosso blog. Nela, conversaremos sobre as principais temáticas que englobam o trabalho das Secretarias Municipais de Educação (SMEs), como organização e comunicação interna, desafios, gestão democrática, dicas para bom controle de dados, entre outros. Seja você parte de uma equipe de secretaria, gestor, professor ou alguém que almeja um espaço nessas instâncias para trabalhar, esperamos que sejam leituras proveitosas!

Para começar, não poderia ser diferente: falaremos de pessoas! Uma das atribuições mais importantes das secretarias de educação é a gestão de pessoas e a contratação de professores. Afinal, são esses os profissionais que estão envolvidos diretamente no processo de aprendizagem dos alunos que, por sua vez, é o objetivo final do trabalho de toda SME. Se antes essa seleção e contratação já era uma tarefa desafiadora, o contexto de pandemia trouxe novas peculiaridades e perspectivas de como elaborar esses processos.

Atualmente, existem 2 principais modelos de contratação: concurso público e contrato temporário, que diferenciam professores efetivos e não efetivos, respectivamente. O contexto de cada secretaria é o que vai determinar qual das alternativas será mais viável.

Nesse sentido, vale ressaltar que existem 4 metas do Plano Nacional da Educação (PNE) que cabem aqui: valorização profissional, plano de carreira, formação inicial e formação continuada dos professores até 2024. Ao pensar no modelo de contratação escolhido, é necessário ter atenção a esses pilares. Ambas formas de contração geralmente necessitam de requisitos de análise de currículo e realização de provas referentes a conhecimentos técnicos gerais e específicos, mas existem diferenciações importantes de cada formato.

As diferentes formas de contratação interferem diretamente no trabalho pedagógico. Contratos temporários otimizam o tempo e a burocracia da realização de um concurso público, trazem praticidade ao processo, dando oportunidade para que diferentes perfis de professores atuem diretamente na sala de aula e impactem os alunos com novas metodologias, visões e técnicas dos conteúdos ensinados.

Por outro lado, professores contratados não possuem continuidade no processo de ensino dos alunos, devido ao curto período de vigência dos contratos. Isso dificulta o atendimento personalizado às necessidades dos alunos e da escola, além de potencialmente interferir no planejamento de início do ano letivo. Os contratos também afetam a valorização dos profissionais, já que o salário é menor e eles não possuem os mesmos benefícios dos concursados, ainda que tenham as mesmas atribuições.

Já os concursos públicos trazem mais efetividade ao trabalho dos professores, uma vez que é possível realizar um acompanhamento contínuo com os estudantes. Isso se torna possível devido ao fato de os profissionais permanecerem mais tempo envolvidos no desenvolvimento de cada etapa, mantendo os projetos e práticas da escola funcionando.

Além disso, já que não existe um período de adaptação frequente, esses educadores costumam participar ativamente do planejamento e das formações continuadas, agregando suas opiniões e conhecimentos ao planejamento anual dos gestores e coordenadores. Pensando ainda na política de valorização profissional, estes profissionais possuem mais benefícios e direitos.

Entretanto, existe uma preocupação com a capacidade dessa modalidade de contratação de atender demandas urgentes da rede. O tempo de realização do concurso até a nomeação dos cargos é mais demorado e isso interfere diretamente nas escolas que precisam e estão em déficit de pessoal, já que, normalmente, o número de concursados é menor do que a demanda de professores que as escolas precisam.

Independente das particularidades de cada modalidade, é necessário equilibrá-las de acordo com as necessidades da rede de ensino, os planos do PNE e as demandas das escolas, pensando sempre no produto final: melhorar a qualidade da educação para os alunos e manter os profissionais em um patamar alinhado de direitos e valorização. A gestão de pessoas anda de mãos dadas com os avanços na educação!

Esse é apenas o início de uma discussão bem mais ampla que iremos desenvolver ao longo das próximas semanas. Fique ligado(a) aqui no blog e, para continuar essa conversa, estamos sempre disponíveis pelo Whatsapp 🙂

Referências:

Brasil. Plano Nacional de Educação. Disponível em http://pne.mec.gov.br/

Todos Pela Educação. “Dados da Educação”. Disponível em: https://todospelaeducacao.org.br/dados-da-educacao/

Brasil. “MEC divulga reajuste do piso salarial de professores da educação básica para 2020”. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/piso-salarial-do-professor

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!