Gestão democrática nas escolas

Práticas para incentivo a uma comunidade de aprendizagem profissional por meio da gestão democrática

2020 e 2021 foram anos de muita reflexão. Desafios surgiram, uns permanecem, outros foram superados, e um ensinamento ficou: quando agimos coletivamente, o trabalho é mais fácil e efetivo! Não é diferente quando pensamos na gestão escolar. A resiliência demonstrada por todos os profissionais da educação ao longo do tempo é uma marca registrada, mas nem sempre isso se deu do modo mais tranquilo possível. Nesse post, vamos trazer alguns dados e técnicas que ajudam na prática diária por meio da construção coletiva e da gestão democrática.

Em primeiro lugar, quando a gestão se propõe a ouvir as partes envolvidas na comunidade escolar, muito se descobre acerca das suas várias características. Apenas os pais conseguem dizer como têm sido o comportamento dos alunos fora dos muros da escola. Apenas os profissionais da cozinha conseguem dizer quais alimentos têm sido mais bem recebidos. Do mesmo modo, apenas os professores conseguem informar sobre o desempenho diário dos estudantes. A gestão, por sua vez, ouvindo cada um dos atores, pode ter uma visão geral do que se passa na escola sob sua liderança.

Apesar de esse ser um ponto importante, é fundamental também lembrar que, de fato, a gestão tem um papel de muita responsabilidade. Por isso, o segundo passo é ponderar tudo que foi dito. Se duas vozes tocam em pontos semelhantes, é importante proporcionar um ambiente de escuta de todas as partes envolvidas, a fim de gerar novas ideias de solução de problemas e discutir inovações. O foco aqui está na colaboração!

Mas, para a colaboração acontecer, é preciso um passo atrás: objetivos. É importante reforçar com frequência qual o propósito comum da comunidade escolar em questão, sempre atrelando ao ponto focal da conversa. Com certeza, opiniões e perfis diferentes vão estar presentes nas conversas que o gestor promover, mas a ênfase deve estar naquilo que os une. Exploramos um pouco mais sobre esse assunto neste post, vale a pena conferir!

Falando nisso, um outro ponto de atenção é com relação à trajetória do próprio gestor escolar. No Brasil, os municípios têm liberdade para escolher o método de seleção dos gestores. Atualmente, em mais de 60% das redes, esse processo é feito por indicação, o que exige que esse profissional se atente para o desenvolvimento de habilidades necessárias ao seu papel. Algumas delas são a mediação, administração (de pessoas e recursos), a comunicação e, o mais importante, a capacidade de manter-se aberto às possibilidades de aprendizado, inclusive por meio de feedbacks dos próprios membros da sua comunidade escolar.

Para se aprofundar sobre o tema, a leitura dos estudos de Políticas Públicas em Educação pode ajudar! O primeiro, lançado em maio de 2021, se chama “Liderança escolar para a melhoria da educação”, e o segundo, lançado em dezembro, “Seleção de diretores escolares: desafios e oportunidades”.

Tendo todos no mesmo barco, unidos a um propósito, podemos partir ao próximo passo: a responsabilização coletiva. A figura do gestor frequentemente está associada a uma pessoa super atarefada, que mal tem tempo para uma conversa de 5 minutos. De fato, são muitos afazeres, mas nem por isso é necessário arcar com tudo sozinho! De forma balanceada, respeitando limitações e afinidades, conhecendo os atores da escola, o gestor pode tomar a iniciativa de incluí-los em processos decisórios relevantes para eles, além de designar projetos ou mesmo incentivá-los a criar novas atividades.

O princípio da gestão democrática faz parte da nossa Constituição e deve ser uma prioridade no dia a dia da escola. Apesar disso, não é de um dia para o outro que se faz uma mudança profunda, é preciso muita reflexão e paciência para colher os frutos! Vamos juntos 🙂

Referências:

Edutopia, por Cecilia Cabrera Martirena. “Fostering an Effective Professional Learning Community at Your School”. Dezembro de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/fostering-effective-professional-learning-community-your-school

Porvir, por Ana Luísa D’Maschio. “O que é ser diretor escolar no Brasil?”. Dezembro de 2021. Disponível em: https://porvir.org/o-que-e-ser-diretor-escolar-no-brasil

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!