Gestão efetiva de sala de aula

6 Técnicas para ter uma gestão efetiva de sala de aula numa comunidade de aprendizagem

A gestão efetiva de sala de aula envolve gestão de tempo, de espaço, de pessoas e de recursos e é importante que os professores tenham habilidades nesses quesitos para que o ambiente esteja voltado para o aprendizado integral dos alunos. Este artigo traz informações práticas sobre gestão de sala de aula, para que professores tornem-se mais efetivos em seu trabalho, e também alguns aspectos de ensino e aprendizado positivos.

Tudo o que o professor faz influencia na gestão de uma sala de aula. Desde a forma que ele recebe os alunos (como falamos neste post anterior) até os tipos de avaliações que ele propõe. Desde 1968, a disciplina é considerada o maior problema que um professor enfrenta (Wiseman and Hunt, 2008). E no século XXI, podemos observar com mais clareza como o comportamento dos alunos influencia a qualidade de uma aula. Aprender está diretamente ligado à razão e às emoções. Por isso, criar laços com os alunos é muito importante para que atitudes de indisciplina sejam contidas e dêem lugar ao respeito e à vontade de aprender. É importante que os professores conheçam quem são os seus estudantes, seus gostos, interesses e estilos de aprendizagem.

As principais preocupações a respeito da gestão de sala de aula que envolvem os alunos são: motivação, lidar com problemas sociais e emocionais, famílias desestruturadas e violência. E quando eles passam por esses tipos de situações, reagem de maneiras diferentes e opostas ao que se espera dentro de uma sala de aula ideal. A primeira reação do professor tende a ser encontrar uma punição em vez de compreender o que o levou a cometer certas atitudes. Porém, se os professores se tornam bons gestores, é possível que a disciplina passe a ser uma grande aliada e não o maior problema. Para reunir boas práticas de gestão de sala de aula e identificar os gargalos existentes, mesmo que os problemas citados acima aconteçam frequentemente, uma pesquisa foi feita de forma qualitativa. Nagler (2015) fez uma pesquisa bibliográfica, interagiu e observou professores e alunos por 5 meses. Nas observações e nas pesquisas, constatou as seguintes características e atitudes de uma boa gestão de sala de aula:

1. Gerenciamento eficaz do comportamento em sala de aula

Observar o comportamento dos alunos é a única evidência que os professores têm sobre o que outras pessoas podem ou não fazer, pois eles os conhecerão como ninguém dentro de um contexto escolar. Além disso:

  • Aprender envolve mudanças de comportamento
  • O comportamento muda de acordo com as consequências
  • O comportamento também é influenciado por contextos de sala de aula

2. O professor como uma referência Segundo a literatura estudada, quando um professor demonstra:

  • paixão pelo ensino e entusiasmo na hora de explicar um conteúdo,
  • mostra como aquele tópico pode ser interessante,
  • chama os alunos pelo nome

eles se sentem motivados e passam a adotar a mesma atitude.

3. Expectativas de uma sala de aula

Wiseman e Hunt, em sua pesquisa, escrevem que existem 3 questões importantes para ensinar com sucesso:

  • Quem são nossos estudantes?
  • O que queremos que eles aprendam? O que queremos que eles façam quando não aprendem a aprender?

Ter essas perguntas em mente faz com que os professores criem altas expectativas acadêmicas, e mesmo que isso por si só não seja suficiente para gerar tenacidade e persistência, é um importante ponto de partida. Buscando responder as perguntas feitas, os professores podem encontrar caminhos para que essas expectativas sejam alcançadas. Além disso, outra expectativa que deve ser alinhada com os alunos é a de que o processo de aprendizagem nem sempre é divertido ou fácil. Muitas vezes ele pode ser árduo, mas quando o aluno sentir que aprendeu, a sensação será recompensadora.

4. Regras Claras

Regras claras são importantes para o comportamento social e acadêmico dos alunos. Quando as regras são ambíguas e inconsistentes, os alunos não sabem o que é esperado deles e intuitivamente vão testar até descobrir. Por isso, é importante que as expectativas de comportamento sejam definidas no início do ano letivo.

5. Antecipar problemas

Professores que antecipam problemas em uma sala de aula garantem que o ambiente de aprendizado não seja comprometido. Por exemplo, andar pela sala enquanto os alunos fazem uma atividade incentiva que todos comecem a trabalhar e evita ter que chamar atenção daqueles que possivelmente atrapalhariam com conversas paralelas, por exemplo.

6. Lidar com erros

É importante saber que erros são parte natural do processo de aprendizagem. O professor não deve culpar ou envergonhar um aluno por ter errado, mas mostrar para ele como pode aprender a partir dali. Um clima ideal de aprendizagem é aquele em que os alunos entendem que não há problema em cometer erros, pois eles são essenciais para a aprendizagem. Sabendo disso, um ambiente de segurança é gerado. Assim, errar e buscar aprender com o erro se torna natural. Ao final do tempo de observação, Nagler aplicou um questionário para os professores de sua escola buscando entender onde mais sentem necessidade de conhecimento. Observou que as áreas mais defasadas são:

  • Dar em devolutivas e elogios;
  • Lidar com erros e perguntas dos alunos e
  • Ter regras e lições mais claras e estruturadas.

Trouxemos aqui 6 estratégias que podem te ajudar a transformar sua sala de aula numa comunidade de aprendizagem. Todas têm embasamento científico (e fazem parte da nossa Trilha Formativa)! Que tal aplicar na sua sala de aula? Se precisar de uma ajudinha, estamos à disposição. Entre em contato!

Referências:

SIEBERER-NAGLER, K. Effective Classroom-Management & Positive Teaching.Canadian Center of Science and Education, 2015.

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!