Impactos do bullying e da fofoca

Consequências e ações preventivas nas escolas e salas de aula para contornar os impactos do bullying e da fofoca

O bullying físico e verbal pode ser um problema sério na vida social de crianças, mas psicólogos estão concluindo que outras maneiras mais sutis de maus-tratos vindos de seus colegas podem também causar estragos na adaptação e desenvolvimento social delas. Estudos recentes sobre exclusão social e fofocas mal-intencionadas ajudam a esclarecer não só os impactos prejudiciais de indelicadezas sociais, mas também como esses comportamentos mudam com o amadurecimento das crianças. É importante ter em mente os impactos do bullying e da fofoca na escola e pensar estratégias para contorná-los.

Primeiramente, exclusão social por parte de colegas pode agravar o desempenho tanto social quanto acadêmico de crianças. Um estudo longitudinal de 2006 seguindo 380 estudantes entre 5 e 11 anos de idade verificou que crianças rejeitadas por seus colegas são mais susceptíveis a desistir de atividades na sala de aula e declinar academicamente, em grande parte pois crianças que são deixadas de fora começam a tentar evitar as salas de aula para se pouparem de mais sofrimento.

Este estudo, conduzido por Buhs, Ladd e Harold, também tentou resolver um dilema como o “do ovo e da galinha”. Acreditava-se que crianças rejeitavam aquelas tímidas ou retraiam-se perto delas, contudo, esse estudo mostrou que a exclusão social pode, independentemente da atitude inicial da criança, aumentar ou agravar os problemas relacionados ao isolamento social. Além do mais, a rejeição por parte dos colegas mostrou-se nesse estudo como um dos fatores com o maior potencial de influenciar o sucesso acadêmico de crianças.

Outros estudos analisaram o papel das fofocas e dos rumores, que não são comumente usados de forma maliciosa. De fato, as pesquisas sugerem que quando crianças mais novas fofocam entre amigos, elas estão normalmente desabafando e estreitando suas relações sociais – 93% do tempo, não há a intenção de machucar ninguém com isso.

No entanto, a fofoca também pode ter impactos devastadores em seus alvos. Essa forma de agressão social, segundo o psicólogo Marion Underwood, PhD, é negativa tanto para aquele que fofoca quanto para a vítima. Underwood constatou que, para as crianças, ser vítima de agressões sociais (incluindo a fofoca) é associado à falta de autoconceito, especialmente para meninas. Outros estudos mostram que a vitimização é associada à solidão, depressão e ansiedade.

Esse padrão muda com o crescimento das crianças. Os psicólogos Antonius Cillessen, PhD, e Lara Mayeux, PhD, acompanharam 905 crianças entre 10 e 14 anos. Aqueles considerados pelos outros como agressores sociais – por espalhar fofocas sobre colegas ou intencionalmente excluir outros de brincadeiras – são mais populares entre os mais novos do grupo observado. Isso pode se dever ao fato das crianças usarem a fofoca para formar alianças sociais, assim como os adultos. Contudo, muita fofoca torna-se negativo com a chegada da adolescência. No quinto ano, alunos que fofocavam muito eram, não só populares, mas também queridos por seus colegas, enquanto no nono ano, popularidade e amabilidade torna-se negativamente relacionado à fofoca.

Em conclusão, rejeição nos machuca. Embora não tão visível quanto o bullying, a exclusão frustra oportunidades sociais na sala de aula e leva as crianças vítimas a se fecharem ainda mais, com consequências negativas não só para suas habilidades sociais mas para o seu desempenho e desenvolvimento acadêmico.

Ao mesmo tempo, a fofoca no ambiente escolar vai e vem. Os rumores são mais frequentes no ensino fundamental, os anos auge para bullying e difamação entre colegas. Mas o alívio dessas tensões sociais logo chega com o ensino médio, quando a fofoca negativa perde o seu poder social. Enfim, como podemos utilizar essa informação?

A confirmação de que a exclusão social leva a à desistência de socializar e não o inverso pode ajudar professores, pais e alunos a não culparem a vítima e sim tratar da verdadeira causa do problema – a rejeição por parte de outras crianças. Além disso, quando se trata de fofoca, um estudo encontrou uma maneira de acabar com ela antes que ela crie consequências negativas. A PhD Donna Eder gravou as conversas durante os intervalos escolares de 78 alunos do fundamental. Quando alguém começava a fofocar, os outros respondiam de maneira encorajadora aproximadamente 80% das vezes, confirmando ou adicionando informações. Uma vez que isso acontecia, raramente outros alunos discordavam. Todavia, se alguém combatia a fofoca de imediato, os outros eram mais prováveis a dissentir. Refutar rumores ou fofocas sem demora pode muito bem aliviar a atmosfera social.

Na Curiós levamos esse tema a sério. Acreditamos que, ao garantir o acolhimento de todos na comunidade escolar, transformamos a educação como um todo. Mande uma mensagem pra gente e vem discutir sobre as melhores soluções para a sua rede!

Referências:

Schoolyard Blues: Impact of Gossip and Bullying. American Psychological Association, March 29, 2006

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Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!