O prêmio de melhor escola vai para…

O entendimento do que caracteriza a melhor escola pode variar, mas existem pontos essenciais que todos deveriam buscar – por Débora Chaves

Há algumas semanas fui com a Laura, fundadora e CEO da Curiós, a um evento que reuniu prefeitos, vereadores e secretários de vários municípios. Lá, pudemos apresentar a Curiós e também conversar com esses atores tão importantes para a educação do nosso país.

Eu sempre ficava com altas expectativas para ouvir a resposta à pergunta: como vai a educação na sua rede? Isso porque elas variavam muito. Para uns, a educação passava por desafios de alfabetização, outros falavam da educação especial, outros sobre a falta de infraestrutura. No entanto, os que mais me surpreenderam não foram os que falaram dos desafios, afinal, nada mais natural. O que me impactou foram justamente as respostas que indicavam que estava tudo perfeito!

Logo vinha à minha mente: o que será que faz a escola desse município ser a melhor escola possível? Apesar disso, logo em seguida vinha a decepção: é porque agora todas as escolas têm ar-condicionado, ou porque agora os professores receberam o aumento que tanto aguardavam.

Não me leve a mal, essas são coisas importantes, mas será que são suficientes para caracterizar uma escola como “a melhor escola”? Acho que o problema é bem mais profundo.

Em um texto publicado há alguns anos no Edutopia, Suzie Boss analisou brevemente um ranking das melhores escolas de ensino médio dos Estados Unidos. A primeira colocada parece chamar atenção por ser altamente voltada para aprendizagem e uso do STEM, mas Suzie percebe o quanto essa é uma escola pouco diversa e com um processo seletivo altamente competitivo para ingresso.

Por outro lado, uma escola mais abaixo nesse mesmo ranking despertou sua curiosidade. Enquanto as outras eram celebradas por sua “perfeição” estrutural e metodológica, essa demonstrava seu diferencial por meio do seu foco em artes e no desenvolvimento integral dos seus alunos. O diretor da escola respirava inovação, estando sempre em busca de novidades e melhorias que gerassem um impacto positivo nos estudantes e funcionários.

Percebe a complexidade da questão? As duas escolas estão num ranking que as colocam como ótimas escolas, mas será que as duas podem ser diretamente comparadas? O que, afinal, define qual é a melhor escola?

Essas são perguntas que eu não tenho respostas prontas, afinal, não são fáceis, mas que são o início para gerar a reflexão que cada um de nós precisa fazer acerca da sua própria realidade. Um ar-condicionado em cada sala dificilmente vai gerar um impacto tão grande na vida e na aprendizagem dos estudantes quando comparado com o potencial de ter professores bem formados e inovadores trabalhando todos os dias para apoiar os alunos. Falando nisso, os educadores precisam sim ser valorizados, e isso passa pelo reconhecimento salarial, mas sem o apoio emocional, psicológico e profissional, dificilmente será o suficiente para que consigam se dedicar da melhor forma àquela comunidade.

Existem bons exemplos por aí e nada mais justo do que imitá-los para fazer a melhor escola possível dentro das suas possibilidades. Além disso, confie no seu potencial criativo! Invista naquilo que toca diretamente no desenvolvimento humano e estará no caminho certo.

Caso queira continuar essa conversa, estamos à disposição! Vamos adorar falar com você e ajudar a enxergar onde estão as potencialidades da sua rede.

Referências:

Edutopia, por Suzie Boss. “What it Takes: America’s Best High Schools”. Janeiro de 2010. Disponível em https://www.edutopia.org/best-high-schools-BCAM 

compartilhar

Relacionados

Metodologias ativas e inovadoras: uma ruptura do foco no ensino para o foco na aprendizagem

Como as metodologias ativas podem ser utilizadas para garantir um processo de ensino-aprendizagem mais engajante e significativo? por Joice Andrade       Quadro e giz, (…)

Educação no campo: saberes da terra, vozes do Serrote

Por Lucas Sobreira  No Serrote do Urubu, uma comunidade rural nos arredores de Petrolina, sertão do São Francisco, a educação pulsa entre as pedras, (…)

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS:

ATUAÇÃO DOCENTE EM MÚLTIPLAS ESCOLAS: O QUE ISSO REVELA SOBRE A REALIDADE BRASILEIRA? por Lucas Kauan N. De Santana No Brasil, a atuação docente (…)

Encontrou o que precisava?

Laura Marsiaj Ribeiro

Fundadora e CEO

Laura é mestre em Administração Pública com foco em Educação pela Columbia University e apaixonada por educação. Formada em Economia pela FEA-USP, começou sua carreira como pesquisadora de dados sociais, analisando dados em educação, saúde e emprego. Atuou como professora de matemática em uma escola pública de São Paulo por 3 anos, onde viveu as dificuldades na ponta que contribuíram para a ideação da Curiós. Com anos de experiência no ecossistema empreendedor no Brasil, foi responsável por desenhar e operar programas de inovação aberta. Após o mestrado, trabalhou como consultora de políticas educacionais em Secretarias de Educação municipais e estaduais, no Brasil, pelo programa Formar da Fundação Lemann, e nos EUA, na cidade de Nova York. Fundou a Curiós para juntar sua experiência em inovação e educação, com sua vontade de impactar a educação no Brasil!