Professores e alunos que usam o movimento intencional só têm a ganhar!
Uma pesquisa feita no Texas, EUA, com alunos de 34 escolas de ensino médio constatou que, ao serem fornecidas carteiras que possibilitassem que eles ficassem em pé na sala de aula, os estudantes tiveram uma considerável melhora nas suas funções executivas. Mas por que será?
As descobertas revelaram que essas funções, relacionadas com a gestão do tempo, memorização e organização, são incentivadas mesmo quando pequenas quantidades de movimento são incorporadas à rotina. Dessa forma, menores níveis de indisciplina e problemas de engajamento foram observados.
Na Curiós, nós já verificamos como o movimento na sala de aula pode ser benéfico para todo mundo. Na nossa Trilha Formativa, uma das estratégias se chama “Movimento Intencional”, e tem a ver com a movimentação do professor ao redor da sala. Ao caminhar pela sala de aula, entre as carteiras, o professor tende a quebrar a “barreira” fictícia criada entre o que ensina e o que aprende, barreira essa que pode prejudicar a forma como os alunos são conduzidos em seu processo de aprendizagem.
Para muito além das funções executivas, o que nós observamos é que a movimentação ajuda no fortalecimento dos relacionamentos na sala de aula, que deixa de ser vista apenas como lugar de estudar, mas também como espaço seguro para demonstrar quem de fato somos. O mesmo princípio pode ser aplicado na relação entre professores e gestores em reuniões pedagógicas, de planejamento, ou mesmo nas conversas de corredor.
Agora, vamos expandir essa ideia. Se pensamos na geração de alunos que temos hoje nas escolas, os chamados nativos digitais, qual a probabilidade de retermos sua atenção em aulas limitadas à lousa e ao professor à frente da sala? Diante de tantas novidades e tecnologias, o educador precisa estar sensível e preparado para as inevitáveis mudanças na escola.
Assim, algumas ideias podem ajudar a ir além das carteiras para ficar em pé (nem sempre acessíveis à realidade da comunidade escolar) e do movimento do professor e do gestor. Exponho algumas delas a seguir, inspiradas pelo texto de Stephen Merrill e Sarah Gonser, professores norte-americanos, publicado no blog Edutopia em inglês.
1. Incorporar atividades de coordenação motora fina e grossa, para além da educação infantil!
É muito comum vermos alunos de maternal ou dos primeiros anos do ensino fundamental usando tesouras, papel, quadros e cartazes. Com o passar do tempo, abruptamente todo esse material é trocado por livro, caderno e lápis. Por que será? O interesse em atividades manuais de fato reduz de uma hora pra outra?
Esse pode ser um bom teste. Em aulas de conceitos e memorização, é possível ser criativo e colocar o pessoal para se mexer em sala, incentivando a dinamização da turma e o aprendizado de todos.
Uma ideia desenvolvida pela professora JaShan Wilson em sua aula de biologia foi pedir aos alunos que, com seu próprio corpo, simulassem modelos e testassem fenômenos da natureza, como a transformação da água em sólida, líquida e gasosa. A professora desenvolveu diversas estratégias similares e chamou de “laboratório humano”, sem usar qualquer recurso extra. Que tal tentar?
2. Usar esportes e áreas externas
Muitos esportes naturalmente utilizam princípios de diversas áreas do conhecimento, seja matemática para cálculo de pontos, física para entender a força aplicada, ou mesmo a biologia, para entender as reações químicas do corpo ao longo do jogo. Tendo a disponibilidade de materiais e espaço, por que não juntar as atividades e tentar algo diferente para o ensino e reforço do conteúdo? Vamos soltar a criatividade!
Outra ideia interessante é desenhar fatos históricos, sistemas do corpo ou mesmo conceitos de geografia. Com um giz, água e um chão disponível, os alunos podem desenhar o que entenderam da aula e reforçar aprendizagens. A encenação pode também ser aliada importante, uma vez que é comum que a memória corporal dure mais que apenas aquela da mente, ajudando os alunos a reterem o conteúdo de forma mais duradoura, podendo ser aplicada a diferentes componentes curriculares, como história, literatura, entre outros.
É importante, após as atividades, realizar a consolidação das aprendizagens com anotações, sendo também uma oportunidade do estudo de linguagens.
3. Dar pausas para o cérebro
Se você já teve que participar de uma formação online de mais de 2h, sabe do que estou falando. Longos momentos de interação e estudo podem ser cansativos, e pequenas pausas com movimento podem ser extremamente benéficas para o cérebro.
Aqui na Curiós, temos a prática de sempre fazermos pequenas pausas, incentivando que os educadores participantes das nossas formações vão ao banheiro, se alonguem e bebam água. Na sala de aula, isso é quase impossível. Imagine 30, 40 alunos indo ao banheiro ou ao bebedouro ao mesmo tempo!!
Apesar disso, é possível um rápido alongamento, exercício de respiração, alguns pulinhos ou até uma dancinha. Isso levará menos de 5 minutos e pode ajudar seus alunos a se manterem concentrados na sua aula.
Por fim, é importante algumas observações. Nem todo movimento é válido! Uma volta pela escola sem relação com a aula ou aquele desenho que o aluno faz na bordinha do livro, sem que tenha a ver com o assunto estudado, provavelmente não tem qualquer impacto positivo no seu aprendizado. Como comecei falando nesse texto, é preciso ser intencional.
O movimento intencional não é uma distração ou uma forma de passar o tempo, mas uma maneira de fortalecer relacionamentos e aprendizagens. Se quiser saber mais sobre isso, mande uma mensagem! Vamos adorar conversar com você.
Referências:
Edutopia, por Stephen Merrill e Sarah Gonser. “More Than a Dozen Ways to Build Movement Into Learning”. Outubro de 2021. Disponível em: https://www.edutopia.org/article/more-dozen-ways-build-movement-learning. Acesso em 18/07/2023.
LEMOV, Doug. Aula Nota 10 2.0: 62 técnicas para melhorar a gestão da sala de aula. 2ª ed. São Paulo: Livros de Safra, 2011.
